sexta-feira, agosto 06, 2004

Da mecânica das coisas terrestres e da queda dos prédios.

As nossas cidades estão cheio de prédios devolutos, muitos em perigo e em acção de derrocada, se tal se pudesse dizer dos prédios, que eles, neste sentido, agem.

A situação arrasta-se à mais de trinta anos e nunca se conseguiu um acordo funcional para esta matéria e o resultado à vista, não agrada a ninguém, correcto?

Não, incorrecto, pois sabe-se que uma das razões porque assim os prédios ficam, é também uma forma de resolver um problema ou uma determinada vontade por parte dos proprietários que assim agem.

E também, que todas as partes envolvidas, salvo a excepção descrita, não beneficiam desta situação, pois,

Os Senhorios não podem fazer obras de manutenção, pois o sistema de rendas não gera em muitos casos as receitas para tal.

Os Inquilinos vêem assim diminuída a sua qualidade de vida, e por vezes existem mesmo casos extremos, onde a casa vem a baixo com a gente lá dentro.

O Estado também não tem um quadro legal, nem financeiro, com condições que permitam resolver o problema, ou mesmo nas vezes, as consequências destes problemas, como o realojamento das pessoas, que por vezes, perdem todos os seus parcos haveres acumulados ao longo da sua vida.

Se houvesse uma Ideia de Polis, e de que forma recuperar estes imóveis que grosso modo se concentram em zonas especificas em cada cidade

Se a ideia de Polis, nascesse da própria Polis, de quem nela participa, das suas necessidades, das suas intenções, da forma como se gostaria de viver nos espaços, juntando-se os diversos saberes nesta área, jardins japoneses, internos, janelas grandes rasgadas em fachadas antigas típicas lisboeta, espaços comuns habitacionais, que espaços, para quê, enfim é mesmo só Imaginar, seja em japonês ou marcianês.

Passo do Geres à Galiza, e meus olhos espantam-se, pois se as casas continuam na sua base e idade as mesmas, grandes pedras grossas de granito, já a sua recuperação, a forma moderna criativa e integrada com a tradição, os novos materiais e métodos de construção e muito sentido do Belo, as diferencia das que no meu País deixeia cair.

Se as Autarquias fossem habilitadas a tomar posse destes edifícios, por processos e mecanismos curtos, oleados e transparentes em que o quadro dos direitos dos proprietários fosse obviamente respeitado, mas que não empenassem em eternos arrastares da não solução Real.

Se as Autarquias estabelecessem contratos programas com firmas de construção civil, integrada numa ideia de recuperação e manutenção a cinco, dez anos (visto que a dimensão do problema acumulado é enorme), que traria vantagens ao nível da estabilidade dessas empresas e consequentemente do trabalho e dos rendimentos do próprio País

Se a engenharia financeira desta recuperação fosse feita pelo financiamento na óptica das vendas ou aluguer, caso se prove que isto é rentável. Uma percentagem da mais valia, poderia ser reencaminhada para o proprietário original.

Todos poderiam ganhar, se, se desenhar o modelo para que tal aconteça, em vez de o jogo de responsabilidade e de empurra empurra, habitualmente desequilibrado, a favor do Estado versus o Cidadão, uma solução que fosse mais mano a mano, e mão na mão da Ajuda, a Favor de Todos.

Podiam assim as cidades, desenvolver politicas de habitação para jovens e outras faixas etárias da população, onde a solidariedade e a protecção aos mais desfavorecidos estivesse bem presente e activa, politica que contemplassem objectivos em termos da proposta de vida que oferecem, e que as faz distinguir umas das outras.


Talvez pensado assim e por diante, se conseguisse uma solução de agrado para todos.

Depois lembro-me do estacionamento em Lisboa, recordo-me de uma lei de 59, salvo erro, que obrigaria daí em diante a que todos os prédios construídos em Lisboa, tivessem garagens para automóveis e fico a ver que algo de estranho se terá passado, devo ser eu que vivo numa Lisboa em universo paralelo, pois assim não me lembro de ter acontecido na mais das vezes. Uma lei Antecipativa, medida com visão projectiva, pois recordo-me de só por volta de finais de 80 e com o aparecer dos sistemas de aquisição por leasing, é que começaram os problemas de circulação em Lisboa, na minha subjectividade de condutor.

Poderia ficar então a pensar, se valeria mesmo a pena, pensar, escrever, ou o que fosse, sobre estes assuntos e porém já está.

Depois lembro-me de quando vivi em Bruxelas no final de setenta, das casas desabitadas e ocupadas, algumas em más condições, que os jovens ocuparam e arranjaram, muitas das vezes por eles mesmos ou por aqueles que entre eles tinham os conhecimentos para o fazer.

As autarquias de lá, eram inteligentes, viam ao longe e o que aconteceu é que toda aquela situação foi sendo regularizada, comprometiam-se os jovens às obras e ao pagamento de uma renda baixa e as casas e seu modo de viver, de abandonadas, passaram a não mais se distinguir das outras.

Mas também nesse tempo em Bruxelas, qualquer jovem antes mesmo de acabar a universidade ou o que fosse, já pretendia viver fora de casa dos seus pais, e geralmente assim fazia por acontecer. Provavelmente os Pais também a isso ajudavam, nas suas formas de desenhar o mundo dos adultos.


…..

Retorno
À
Terra
Inteiro
Dentro
De
Uma
Mala
Cheia
De
Pequenas
Múltiplas
Gavetas

Outro
Seu
Nome
Labirinto

Como
Saio
Eu
Para
Aqui

Procuro
O fio
No
Ponto
Onde
Estou

….




País que sempre peca por falta de visão ao longe, integrativa e unitiva.
País que não junta as peças bem, e se esquece do que já sabe da arte de marear
Pois não se partia para o mar, sem calcular as provisões e mesmo assim, nas vezes se morreu

E depois, na redução drástica da realidade a exemplo nuclear, daqueles que assenta nas fundações, ou nas práticas das fundações.

Fala-se de politicas de aprendizagem e educação mas nunca se conseguiu acertar as previsíveis necessidades evolutivas de quadros, com a oferta de formação, a par e par, existente.

Há sempre à mais alguns e outros sempre a menos e vão variando entre si, os grupos profissionais, ao longo das décadas.

Se quem desenha as politicas nem isto consegue acertar, o que quer dizer que a forma de desenhar, está mal concebida, como poderá acertar em todo o resto do que é, Aprender e Educar e suas múltiplas realidades contínuas ao longo da vida de qualquer um de nós.

Pois se um desenho, uma solução, um conjunto de práticas, não responde bem a um dos grandes objectivos, certamente que tambem existirão deficiências no mesmo desenho e suas componentes que se reflectirão em muitos outros níveis da mesma realidade.

E mais uma vez aqui o escrevo, a responsabilidade, a responsabilidade de isto ser assim é tanto minha como tua, mas nunca só tua, mesmo que tu sejas o Governo, ou o Estado e sendo que o Estado somos todos nós. Somos nós que deixamos passar assim a nossa própria vida inteira. Estranho sentir e pensar, ir-me daqui embora e ver as coisas mais ou menos como as encontrei, como sem melhoras drásticas, e contudo, nada disto é em meu ver de resolução transcendente.

Recordo o Mestre Agostinho da Silva, que um dia farto de Portugal, sentindo-se sem ar, foi para o Brasil viver e criar entre muitas outras coisas, com seus irmãos brasileiros, Universidades, sendo que para ele, Universidade, era um local que ele achava que devia estar sempre aberto, para alguém que lá se dirigisse na ânsia de aprender, em qualquer idade ou altura de sua vida. Coisas que as pessoas necessitassem, que quisessem mesmo saber, conhecer, aprender, consta-me que entre os primeiros cursos entre todos acordados como necessários, estava a culinária. Aprender a cozinhar, coisa básica e tão fundamental, tão passível de provocar as mais belas e raras sensações, certamente uma matéria à altura de uma mesma, outra ideia, de Universidade. Outra?


Felizmente desta vez ninguém se magoou