quinta-feira, agosto 12, 2004

No paraíso encontraram-se
Dois amigos vindos de terras diferentes.
Cada um em cada lado da margem do mesmo provável rio
Como se poderão juntar, como o rio atravessar
Perguntas profundas, fez um deles, ao outro
Como quem pensava a condução de uma canoa
Num rio que se calhar não existe
Porque não é verdadeiro
Astúcia mãe das perguntas
Mas se a astúcia, vista e percebida
Deixa então de ser astúcia
Que nem era
Pois nunca chegará a ser
Pois como percebeu o Amigo
O outro Amigo
Fala em verdade do seu coração
Pôs-lhe depois perguntas directas
E recebeu respostas directas
Como as coisas são
Sem outro qualquer
Calculo de consequência
De que a consequência
Da coisa em si
E foi a pensar
Que ingénuo ele é
O outro ficou
A pensar o mesmo
E assim
Ficaram cada um
Em sua
Margem
Até
Ao
Próximo Encontro
A quem de direito

Está ali, na bifurcação que dá para a ponte e a av. de Ceuta, um carro mal parado, com um pedaço da traseira metida na estrada, há já pelo menos dois dias. Agora mesmo encontrei dois policias a quem perguntei se já lhes tinham comunicado o facto, ao que fui informado, que sim, e que não sabiam porque ainda lá estava . Eu tambem não, mas talvez fosse conviniente ir buscá-lo antes que um acidente aconteça.