sábado, agosto 14, 2004

Recorda o homem em tempo de tentar com outros homens organizar a sua casa no seu sector de actividade.

O homem sabe que estas preocupações sempre o acompanharam durante mais de vinte anos de carreira, pois o homem foi dos primeiros. Calhou ser seu tempo simétrico com o aparecimento do sector, como actividade independente.

Dessa vez decidiram actuar nos planos políticos da assembleia da república, e do governo.

O homem acreditava que naquele momento, as coisas podiam mudar. Assim retirou-se para Trás os Montes durante 15 dias e escreveu um livrinho como que sabia e não sabia sobre o seu sector, que pela primeira vez se encontrava de alguma forma ligado.

Aquele livrinho servira-lhe antes de mais para por as ideias em ordem, pois ao escreve-lo construíra o seu ponto de vista, sintetizando o que lhe parecera mais importante daquela sua experiência, nos domínios que se propusera abarcar.

O olhar que o livro estruturava tinha sido orientado sobre uma perspectiva transversal, pois para ele a realidade apresenta-se sempre interligada onde todas as coisas se relacionam por múltiplos sistemas e formas de conexão, estabelecendo entre si variadas interdependências.

A problemática do sector atravessava diversos domínios e competências em termos de governação. Um politica integrada, que por essa visão tivesse a possibilidade de ser auto sustentada e geradora de desenvolvimento, implicava o acordo e coordenação política entre diversos ministérios, e inclusive, actuação ao nível da vontade e execução legislativa.

E o problema dera-se no real, exactamente aí, pois a governação que encontrara pela frente, não encarava a realidade dessa forma, a estrutura de poder e o seu modo de funcionar encontrava-se na mais das vezes fragmentadas, como quintas e quintais cercados de muros, onde só entra quem lá tem a chave e o vizinho do lado, não, o que veio a tornar entre outras razões, impossível de implementar uma politica, um conjunto de ideias e medidas que fossem transversais como a realidade geralmente o é, e que por contemplar essa transversalidade criasse as condições de uma visão e praxis integrada.
As formas existentes não favorecem a visão integrada e integradora.

Imaginava o homem por um momento este diagrama versus aos existentes, cada ministro continua responsável por uma área específica do governo, mas a forma de trabalhar, ou seja perceber os problemas, encontrar e implementar as melhores soluções é feita em conjunto quotidiano com os outros ministérios, averiguando-se assim passo a passo as interligações e dependências, e garantindo desta forma a sua harmonização, sendo aqui o harmonizar encontrar uma forma de resolver que contemple todas as implicações da questão.

Imagina criar os métodos para que tal aconteça e se corporifique como prática quotidiana.

As outras razões prendiam-se com o trato dos Homens entre os Homens. Era visível nesse tempo de que o homem recordava, oito anos atrás, coisas, formas de estar, de actuar, de fazer, eivadas de um conjunto de velhos problemas.

O problema de não saber pensar de forma integrada, nem conhecer os métodos para o fazer.

Que sim, que era muito interessante o cruzamento dos olhares entre os diversos sectores, pois um olhar de fora, de alguém do sector ao lado, sobre uma mesma problemática quotidiana, que por o ser, às vezes tende a ser vista como igual, trás frescura, é facilmente olhar que pode transportar a inovação do ver, pois não está condicionado nas habituais fronteiras daquela realidade, mas que as luminárias não pretendessem ser luminárias, pois as luminárias não precisam de pretender, limitam-se a sê-lo.

Cada sector deveria fazer a sua própria viajem, que cada grupo analisasse a sua via, identificasse os problemas e pensasse as soluções, que fossem cruzando os olhares, e que o somatório daquele pensar se tornasse então a acção comum.

O problema mais grave da brasa à sua sardinha, no contexto de uma prática negocial que assim dominantemente funciona ou assim parece funcionar, e que se traduz na mais das vezes, em aumento de poder pessoal dos protagonistas e das consequentes vantagens que assim adquirem, pois é assim que a coisa funciona.

Se funcionasse de outra maneira, como outros valores, como a brasa à sardinha de todos, a realidade consequentemente se passaria de outra maneira. Dizia isto, só para frisar que a realidade pode ser diferente, não terá que ser sempre assim.

Os dois problemas andavam de mão dada, pois certos comportamentos assim o eram porque corresponde a este modo de funcionar em função dos objectivos descritos.

Tudo isto lhe parecia estúpido, desperdício de energia finita dos homens com corpo aqui, esta prevalência do eu versus o tu, um pensar muito pequenino, que para eu me safar no mar da vida, isto tem que ser às custas do outro ao lado, assim te elejo como inimigo, como posso então dar-te as mãos, pois as mãos não se dão por quem assim se coloca.

Um País na mais das vezes, pequeno, com sectores produtivos frágeis em dimensão, por isso mesmo mais necessitados de se darem as mãos.

Ah se este sentir Portugal se mantivesse no dia a dia, se a visão da união que faz a força prevalecesse, como Portugal Se Desenvolveria, como se Tornaria este Reino Feliz, Este Reino Talhado Para o Amor.

Aquilo, era mais que estúpido, dizia, geralmente era perigoso, essa incapacidade de dar as mãos, acordar o essencial e superar no acessório, era muito perigoso e tinha consequências muito funestas para o desenvolvimento de todos e do país.

Porque todas as variantes ambientais, por assim dizer, contribuíam para a precariedade do viver e assim a vida se tornava, por acção dos homens, mais precária do que já é.
Os problemas grassavam naquele terreno fértil das coisas precárias e das casas mal arrumadas e vendo mal os campos ao longe. Os problemas, faziam-nos assim os Homens maiores do que eram, e tornavam-se muros considerados intransponíveis, ao tempo, resignação.

Tudo aquilo se tornava então fonte de diversas entropias, contribuindo em círculo fechado em rotação repetitiva, para o repetir do mesmo cenário, da mesma cena e do mesmo drama, a eternização da precariedade, das coisas adversas, dos escolhos que já se sabem estar no caminho, e para os quais repetidamente contra navegamos. Ah cansaço, nas vezes, quando é possível a alegria, o bem estar e o bom obter na mesma navegação, escolhe-se o perigo pelo perigoso.


E depois tudo aquilo, lhe fazia muito doer, pois seu sector, por sua natureza é um dos sectores com maior potencial de crescimento, como nunca outro antes o tivera, na história da economia humana, facilmente verificável por um conjunto de indicadores económicos mundiais. Existia no seu País um tremendo potencial na sua área, e a forma como ela se desenvolverá nas suas primeiras décadas, vertiginosas, provara por afirmação esse mesmo potencial. A apetência foi de tal ordem, que apareceram escolas técnicas para formar um enorme número de jovens crescente que ficou cativado pela comunicação audiovisual.

Estavam reunidas, os meios, as competências, e o sector, se percebido como estratégico, poderia traduzir uma mais valia em distintos planos para o País. Recorda-se o Homem de dizer em diversas reuniões, que provavelmente este seria um dos sectores que poderia contribuir positivamente para reequilibrar a balança externa e para atenuar o seu eterno deficit.

Não crê o homem que terão sido muitos os outros homens, que terão levado à séria esta visão.

Por outro lado é um dos sectores na nova conjuntura económica mundial, na qual obrigatoriamente hoje nos inserimos, menos susceptível por natureza a um conjunto de características que se tendem a tornar calcanhares de Aquiles em outras áreas produtivas.

Um Enorme Potencial e as empresas protagonistas nacionais sujeitas a tempos de produção médios entre os três e seis meses, depois logo se via, nas vezes em que se conseguia ver alguma coisa, pois noutras não se via mesmo nada. Acontecerem-lhe na sua faceta de empresário, as coisas mais bizarras, a vida tendia sempre a superar as suas piores expectativas, neste domínio.

Como é que se podia ter uma ideia empresarial, uma empresa, estando confinados a prazos produtivos tão curtos, sobretudo na quadratura das diversas leis sobre empresas e trabalho e normas de relações de trabalho.

Como se podia ter uma politica de desenvolvimento, como se podia planear as relações de trabalho, como se podia planejar a necessidade de renovação, de aprendizagem constante e contínua, a decorrente avaliação, que garantisse a longo prazo a viabilidade da empresa.

Como se poderia contemplar uma politica de formação, como se poderia proceder aos elevados e frequentes necessidades de actualização de equipamentos, que nesta área são sempre de ponta, ou pelo menos assim o deveriam ser, pois seria sinónimo da existência de uma boa navegação, com resultados à vista.

Era necessário ser equilibrista para ser empresário neste seu País. Não que a imagem do equilibrista como metáfora da sua vida não lhe fosse agradável, pois para ele vida era assim mesmo, mas neste caso e nesta realidade aquilo era mais parecido com o equilibrista louco.


Recorda-se do princípio da década de 90, tinha sua empresa 112 colaboradores, era o pico do crescimento que se vinha a manifestar desde o seu início. Três programas originais feitos de raiz, semanais e um diário. Aquela casa produtora não parava, dormia ele, e alguns outros, por vezes lá dentro, umas horas no intervalo de uma edição, com um saco cama. Aproximavam-se do fim, os contratos, todos acabavam no mesmo tempo.

Tentara então por diversas vezes falar com a televisão para saber do seu interesse em renovação de algumas séries, ou se estariam mesmo abertos à apresentação de novas propostas.

Por fim lá acontecera um encontro onde lhe disseram, que o trabalho da sua empresa era visto como muito bom, inovador, que tinha sucesso, que não sabiam ainda ao certo, mas que sim, era firme a intenção de continuar a colaboração, visto ela ser profícua.

As séries acabaram, e o homem na esperança que as coisas que se clarificassem de acordo com aquela conversa, lá foi ao banco contrair um empréstimo para poder pagar aos seu colaboradores, que acabou de pagar seis anos depois.

A empresa ficara sem trabalho, e como acontecia muitas vezes naquele tempo, ficara sem trabalho sem que ninguém se tenha dado ao trabalho de lhe dar qualquer explicação e ele bem a tentara obter.

Escrevera uma carta de 21 páginas, dizendo o que lhe ia na alma, lacrou-a, entregou-a e nunca teve resposta, tentou o gabinete para saber se a tinha recebido mas nem isso, conseguia com precisão averiguar. Dera-a a ler a uma amiga, que quando acabara começara a chorar. Ele perguntara-lhe porquê e ele respondeu, pela coragem que aqui vejo, pela coragem que és e ele ficara intrigado a pensar, coragem, ela, vira coragem onde ele vira somente o dizer o que lhe ia na alma.


Na apresentação da nova grelha da estação, o homem, tinha feito um desenho como símbolo da sua empresa crucificado, e com um frase do género, em memória do serviço público de televisão e com alguns dos seus mais chegados colaboradores, fora distribui-la à porta em fotocópias e tentando explicar a quem se interessava o que na sua opinião se passara.

Chegara entretanto a pessoa que ele contactara previamente sobre seu assunto, que lhe perguntou se não queria entrar, ao que ele respondeu agradecendo, que não, pois em seu ver, não seria lá no meio daquele evento que alguém lhe daria explicações sobre o que se passara. Talvez se tenha enganado, talvez, num corredor, numa antecâmara, como às vezes era hábito fazerem-se os escondidos negócios, obterem-se os esclarecimentos e forjarem-se as alianças, as trocas de promessas e benesses.

E isto que por muitos era interpretado ao longo do tempo como falta de coragem e de carácter, era em seu ver, mais do contrário, mas antes disso, de uma outra coisa, da dignidade das coisas. Não se deveriam tratar assim, os assuntos, as pessoas, as empresas, os projectos, os sonhos, os outros. Este era o outro lado da moeda que muitas das vezes era lida como falta de carácter, ou carácter que fraquejava nas situações difíceis, onde a prova, como lhe chamavam se manifestava.

Aquelas festas onde se vai para se mostrar, que sim, que ele compreendia a necessidade e importância das festas, as apresentações, tudo aquilo lhe parecera serem normais actos de comunicação entre pares, mas, o resto, não, o jogo da vedeta, o vedetismo, e seus tristes hábitos e vestes, não, não estava na sua natureza ser assim. Sempre dissera que ele fazia programas, e para que fazer tinha que os estar fazendo, pois assim não restava muito tempo para muitas festas, o que não quisera dizer que o homem não se divertisse, mas com outro tipo de festas, mais em locais públicos com pessoas variadas.

O homem pensara muitas vezes que ao não participar regularmente naquelas actividades gregárias de classe, lhe trazia alguns inconvenientes, pois era muito normal, quase um estilo, os negócios fazerem-se em almoços, jantares e coisas que tais, mas o homem não gostava daquele fazer, nem tinha feitio nem jeito para aquela forma de fazer e depois fazia, fazia mesmo.

O homem recorda de pequenino a noção que tem do trabalho e quanto ela é diferenciada da maior parte dos seres da sua geração que pelo caminho se lhe tem cruzado. E era isso que acontecera com o sonho da empresa que com um seu amigo fez nascer. Para ele, o trabalho era coisa gostosa, pois era fazer o que se proponha fazer, e como diz o povo, quem corre por gosto, não cansa.


O problema era que no ponto de vista do homem tal não se passava infelizmente só no seu sector de actividade, esta forma de trabalhar, de estar uns com os outros no trabalho, a falta de clareza nas intenções, as coisas que se faziam sem serem minimamente explicadas, uma falta de respeito básico pelo outro, e as decisões, estranhas decisões fundadas em motivos subterrâneos, alguns inconfessáveis.

Ainda hoje passado estes anos todos aquele mistério, o acompanhava. Dizia agora a brincar às vezes, que se calhar morreria sem nunca o saber, e estava neste dizendo a seu amigo, quando ele lhe disse

E isso não foi na altura em que a empresa mudou globalmente de equipamentos
Sim, e não te recordas de se ouvir então dizer, que muito do antigo desaparecera
Sim, recordo-me
Se calhar foi tão simples como isso, pois não foi nessa altura que apareceram outras novas empresas a funcionar.
Se calhar o que te aconteceu, foi tão simples como isso, para dar trabalho aos novos, tiveram que deixar de dar a alguns dos que com quem trabalhavam.

Talvez tivesse sido assim tão simples, mas no entender do homem as coisas apresentavam-se um pouco mais complexas, pois sempre se dera conta de quão sensível e quantas interdependências e vassalagens, o chamado 4 poder, tinha com o chamado terceiro.

Tudo aquilo se podia ilustrar no paradoxo não integrado, como outros mil infelizmente houvera.

Uma televisão, não é só informação, os conteúdos de uma televisão, salvo nos canais específicos dessa natureza, não são só informativos, mas a situação dominante na forma de os homens e o poder politico gerir o assunto, na maior parte do tempo, fora colocar jornalistas em cargos de direcção editoriais.

Pois se os conteúdos maioritários que compõem o canal são outros que informação, seria então mais lógico, sempre lho parecera, que esse cargo fosse ocupado tendencialmente por alguém com perfil e experiência no domínio dos conteúdos de produção, outros, que não necessariamente os informativos.

Ou poderia ser por outra razão qualquer, afinal nada complexa como uma inimizade que se criou ou ganhou sem dar conta, alguém com poder para exercer desta maneira, ou mesmo um pensar, que os conteúdos daquela produtora eram sempre como um caixa de bombons, só abrindo e provando se sabia ao certo o que se passava e talvez isso preocupasse alguns

Voltando a este seu último arroubo colectivista e associativo, propusera a seus pares, como em outras ocasiões no passado, a ideia de que deveria existir, deveriam todos acordar e praticar uma politica de preços, e de custos, que tornassem transparente estas matérias pois assim em seu crer se melhorariam as condições de existência para todos, mas que não que grande espanto, os fantasmas corporativos a virem ao de cima, a concorrência, que não, não, podia ser.

Recorda-se o homem na década de oitenta no seu outro país de ter visitado a já existente associação de produtores independentes, e ter visto o seu modo de operar. Aquilo estava organizado à séria, havia investimento à séria, e muito bom pensar e muito bem-fazer. Vira tabelas de preços, negociadas com os sindicatos que já anexavam taxas de crescimento anuais, enfim, qualquer um que quisesse aí começar a sua actividade, pelo menos não teria que se defrontar com o conhecimento nebuloso que aqui sempre se rodeia estes mistérios profundos e transcendentes dos negócios

Em Portugal, nas associações, as quotas eram sempre mínimas, que lhes asseguravam o funcionamento minimalista, e depois era sempre um problema para as cobrar, o que revelava o quanto as pessoas criam nestes métodos como forma de resolver o real. Assim às páginas tantas, propusera aos seus pares outros mecanismos de financiamento, que permitissem ter uma associação com quadros técnicos necessários à boa dança.

Era muito simples o mecanismo, uma percentagem sobre contratos de produção dos produtores, com rácio variável em função do montante, mas nunca excedendo os 3% e ele tivera feito as contas mentalmente, aqueles 1,5% médios, fariam toda a grande e necessária diferença em termos da capacidade de actuar.

A situação era complicada, pois a maior parte vivia ou sem trabalho ou em continua situação de indefinição face ao amanhã. Seriam os mais desafogados a terem que mais suportar o barco, mas também eram eles os mais desafogados. Pois não se conseguiu fazer, pois os homens, decidiram não o fazer.

Este mecanismo nem era novo nem era de sua lavra, funcionava em muitos países aqui ao lado há muitos anos e tinha dados bons resultados, por isso se mantinham.

O homem recorda na década de oitenta, frequentar diversas reuniões internacionais sobre o seu sector. A coisa acontecera assim, pois os seus projectos profissionais, desenhara-os no território europeu. Os seus congéneres, só o conheciam a ele como produtor independente português e assim o convidavam amiúde. Uma espécie de representação não oficiosa.

Recorda-se uma vez no encontro em Edimburgo, que dava pelo nome curioso de pequenos países, pequenas televisões, durante a primeira manhã, ver com olhos espantados, que as questões que aqueles por assim auto denominadas pequenos países, tratavam, o nível das preocupações expressadas se encontrava numa outra galáxia. Ninguém o tinha interpelado, ninguém embora tendo-o convidado, lhe perguntava como eram as coisas no seu país.

Nessa noite de recepção acabara numa mesa, onde às páginas tantas se falou do suicídio, e ele falara do que sabia e não sabia sobre esta matéria. O curioso é que aquele grupo de gente daquela terra, confundiu o seu discurso com ele, e mais, que ele eventualmente por ter reflectido sobre o suicídio, estaria tentado a fazê-lo. Desde aí, tratavam-no com um misto de preocupação que o fizera sentir-se muito esquisito.

No dia seguinte pedira a palavra, agradecera o convite e por essa mesma razão se sentia na obrigação de explicar ao congresso como era a pintura no seu país, coisa que então fez.

Tudo isto se passava nos primórdios da fundação da União Europeia, e também como é óbvio nas visões, métodos e organizações que dariam a realidade destes novos modelos de trabalhar.

Recorda o homem de um dia ao acabar uma dessas participações, de se aperceber, da enorme diferença entre ele e os outro produtores independentes europeus. Ele era um simples produtor do seu país, enquanto que seus colegas se encontravam organizados, existiam todos o género de organizações, os próprios estados se encontravam representados e pasme-se, já tinham ideias, possuíam políticas sobre este sector e executavam-nas.

Algo descera abismal na sua compreensão, a diferença de estatuto e consequentemente de nível de voz, não justificava aquele seu investimento pessoal, num tempo onde viajar custava consideravelmente mais caro que nos dias de hoje. Aquela conversa, era levada a outro nível, com autoridade e representações consignadas e adquiridas.

Assim, vira em seu olhos, seu País partira atrasado para a fundação da Comunidade Europeia, no seu sector como em muitos outros e por essa razão desperdiçara, não soubera concretizar, os diversos apoios que existiam de apoio ao desenvolvimento, durante a primeira década, o seu aproveitamento foi largamente inferior ao potencial.

As razões tinham sido várias e distintas ao longo dos tempos e eram basicamente as mesmas que se identificaram em outros sectores produtivos.

Mas a grande razão em seu ver fora, que os diversos governos, ao não terem uma politica definida, não agiram em termos políticos em Bruxelas naquilo que se poderia chamar, uma intervenção e defesa activa das nossas particularidades consagradas e condicionar as politicas para o consagrar em termos quotidianos e práticos.

Inicialmente a informação não chegava a quem de direito, ou atrasada ou incompleta.
Depois as regras criadas não se adaptavam à realidade portuguesa, excluindo-nos à partida por critérios mínimos que não preenchíamos.
Depois por os apoios calharam andar em contra ciclo com as nossas necessidades de desenvolvimento, por exemplo, quando na Europa se decidiam politicas e apoios a áreas como a distribuição, ainda não tínhamos nós produção para distribuir, ou quase.

E ele sempre dizendo o que via, nas reuniões, nos diversos encontros que se realizavam, dizendo do mal que via e tentando simultaneamente apresentar propostas, mas quase nem aí chegava às vezes, pois só o facto de apontar, criava inimizades, pois parecia que ninguém gostava de ser confrontado com as suas responsabilidades, assim aumentava a sua fama de rude, e de ser sempre do contra, em suma o louco que vê as coisas ao contrário da maioria. E o homem continuava a achar que não, que não era louco, também não achava que os outros o fossem, mas aquelas formas do não bem-fazer, e o tempo a passar, irritara-o nalgumas das vezes.


E contudo, tudo o que aquele homem e outros homens fizeram, acabaria por ser vertido no texto fundador da comunidade nesta matéria, Televisão Sem fronteiras, que salvaguardava por reconhecimento, a disparidade das situações do sector entre distintos países, que consequentemente afirmava um princípio de descriminação positiva, dado a pequenos países como Portugal, a Grécia, a Irlanda e em particular aqueles que possuem limitação de expansão linguística no espaço comunitário, o que se aplica a Portugal e à Grécia.

Tinha ficado uma fechadura, Portugal era um dos que tinha uma chave própria, por assim dizer, mas depois, houvera algo que fizera disso esquecer os homens.

Politicas no trinómio que caracteriza o modelo produtivo do sector, formação, produção, distribuição, foi assim que ele conceptualmente o manteve durante duas décadas na cabeça, na fala e no escrito, pois era este que melhor correspondia em seu ver às áreas onde era necessário actuar

Tal fora a conclusão do projecto ibérica que organizou em 87, onde se cruzaram pela primeira vez, olhares ibéricos sobre o vídeo, dos seus autores, dos seus protagonistas, seus sistemas produtivos, suas necessidades. As conclusões finais dos debates que redigira dos três dias de debate e que apresentara aos participantes eram extensas e acabara-as mesmo antes da sessão, pois aquilo fora uma roda viva, decorria a primeira mostra de vídeo arte espanhol feito em Portugal e no País, depois fez-se pela primeira vez uma, de autores nacionais no Centro Reina Sofia em Madrid, bem como um conjunto de documentários, que apresentavam rupturas e inovações face aos modelos narrativos pré existentes e que foram exibidos em diversas estações europeias.

Mas possibilitaram, aquelas laboriosas de anotação e síntese, a capacidade de todo aquele desejar se ter tornado real.


Tudo aquilo começara com uma viajem a Madrid, aí ficara espantado quando dera de caras com uma escola municipal, com estúdios, pós produção e equipamento profissional, grafismos, ele nem queria acreditar nas condições que aí via, numa escola, todo aquele equipamento, acessível nas mãos dos jovens. Mais tarde, vê um concerto, gravado como exercício em régie directa com 4 câmaras, projecção para ecrãs, o que naquela altura era ainda raro de ver e sobretudo numa estrutura daquela natureza, de ensino para jovens feito por eles próprios.

A ensinar como sempre deve ser nesta sua área, com meios técnicos. Não o ensino demasiado carregado na vertente teórica como muito sempre se vira em seu País, mas isto era toda uma outra história. Conhecera aquelas gentes, ficou a semente no ar, o sonho a germinar do posteriormente chamado projecto ibérica.

O homem recordava na praia, o início da sua carreira profissional, jovem revelação como criador em dois anos em sua área, diversos prémios no início da sua actividade e um outro livrinho que escrevera na altura e que correspondia às suas ideias de programas que queria fazer e uma empresa para isso a nascer.

A empresa nascera para poder fazer aquilo que se propunha, embora neste ponto tenha que falar em diversas vezes em plural, visto que a fez com muitos outros. Mas sua intenção fundadora era clara, a empresa nascera para poder realizar os seus projectos.

Metera-se no carro, durante alguns dias andou a ver armazéns, caves e coisas que tais que lhe pudessem servir de instalações, até encontrar o espaço. Depois das obras feitas, pintou e construiu as mesas para os equipamentos, fez uma régie de edição, comprara equipamentos, e começara pelos manuais e pela experiência a aprender a trabalhar com eles.

Nesse tempo, quando lhe perguntavam o que fazia em termos práticos, respondia de tudo, desde faxina, pinturas a criação, produção, realização passando por aprendiz de gestor e sempre professor, pois na altura não existiam outras escolas de formação exteriores à da própria televisão e assim sendo, a formação recaía também na empresa e muitas das vezes em si.

Nesse entretêm, fez com muitos outros, o “Lusitânia Expresso”, nome do comboio onde tantas vezes viajara durante o projecto ibérica, uma série, fruto dos seus contactos internacionais com seus pares, um projecto desenhado em co-produção a sete parceiros que assentava num desafio muito simples.

Confrontar a criação contemporânea entre países, partindo do pressuposto que Portugal também podia dar cartas. Parece que se deram algumas, pois a série foi reconhecida por muitos como inovadora e deu a ver a alguns portugueses o que mais moderno na altura se fazia um pouco por todo o mundo, abordado numa perspectiva transdisciplinar que ia desde, as, na altura recentes imagens de síntese, até à moda ou ao humor de síntese.

O Lusitânia Expresso assentava em conceitos de um projecto de comunicação, por parte de uma empresa que fora concebida em consonância com uma ideia, e intenção de serviço público de televisão. Conteúdos originais de criação por autores portugueses, espaço de afirmação da cultura contemporânea, espaço de cruzamento de olhares e de propostas e espaço de revelação de novos valores.

Programas sobre criação e cultura contemporânea, que só pela sua própria existência como espaço de comunicação entre as partes, potencia o seu próprio desenvolvimento. Tudo isto era observável, através de outros programas que viria a fazer, como o Pop off que era um bom exemplo do impacto que tiveram nas respectivas áreas de criação nacional. E os programas infantis, pois como diz seu povo, de pequenino é que se torce o pepino.

O homem sempre achara fundamental a existência de programas nacionais para este público, baseados em conceitos inovadores face ao que então se apresentava. Uma excelente série, a rua sésamo, mas orientada para uma aprendizagem restrita. Não nos esqueçamos que ela, na altura que foi concebida, era uma tentativa de resolver um problema de integração dos porto-riquenhos na língua e cultura americana. Alguns dos seus conteúdos eram pois orientados para coisas básicas e importantes como aprender a ler e escrever.

Ele imaginara a série Ícaro como uma série de aprendizagem de uma forma lúdica e com conteúdos para isso orientados, contos tradicionais, jogos, participação das crianças na elaboração dos próprios conteúdos, num mundo de magia e imaginação, que desafiava e estimulava a compreensão de quem o via, assente na ideia que sempre tivera que não era necessário utilizar violência para contar histórias que interessassem aos mais novos

Entendia já nessa altura, que era um público muito sensível, e por isso tivera como sua colaboradora nesse programa, uma psicóloga que procedeu à monitorização e avaliação do seu impacto nas escolas que a tal ajudaram.

Mas nem mesmo, toda essa forma de fazer as coisas com os respectivos cuidados no pensar e no agir, parecia que não abonava positivamente, pois se embora pioneiro neste pensar, mas nada disto, garantira a continuidade de um projecto que chegou a interessar a outros países com outras línguas.

Hoje era o tempo do pop-up, bela evolução semântica, transformar o off em up.

Esta foi a via que aquele primeiro projecto do seu livrinho abriu, e o homem possuía hoje ideias muito complexas sobre estas matérias que ao longo dos anos e por diversas formas tem vindo a partilhar, como é seu jeito, com outros.



Um dia de manhã, o homem ao barbear-se durante aquela recaída associativa, realiza que passaram seis anos da sua vida a fazer aquela luta, pois era uma luta que se tratava, assim ele se tinha posto a vê-la e dos outros lados, alguns também assim o viam. Enquanto toma seu duche, faz mentalmente um balanço do alcançado e do não alcançado e vê em seu ver, quão pouco o é.

Durante aquele tempo o homem dedicara gratuitamente, uma grande parte do seu pensar, do seu escrever, e da sua acção aqueles desígnios, feitos daquela precisa maneira. Aquilo chegara ao ponto de reescrever um decreto-lei, de forma a contemplar o inicialmente acordado entre seus Pares. E vira, no final dessa especifica viajem, mais uma vez, os homens a quebraram o dito pelo não dito, muda-se uma virgula, sim que as vezes basta mudar o lugar de uma virgula e todas aquelas boas intenções dão em nada ou algo ainda pior do que eram antes do desejo de Ajudar.

Não que a vida fosse assim na forma como a vivia, era sempre de trazer consigo em seu coração, o nobre desejo de ajudar, a questão está sempre em como ajudar, pois nem mesmo Ajudar, escapa a regra da neutralidade das coisas, mesmo quando representadas por palavras. É a intenção que lhe dá o tom, pois sabemos quão fácil é uma boa intencionada ajuda, sair pela culatra.

Recordava uma conversa com um presidente de uma instituição, que lhe dissera um dia, tu é que não consegues fazer negócios no meio destas actividades, se calhar nem consegues produzir e ele respondera, que sim, que produzia, que criava coisas como sempre, pois essa era a sua natureza, mas que quando assim andava em representação de todos, mais difícil as coisas se tornavam, pois não queria disso aproveitar-se e isse sentir, cortava-lhe os próprios passos.

Quanto mais poder se tem, maior deve ser a consciência em usá-lo, em constante atenção a si mesmo, em não usar esse mesmo poder para seu proveito próprio em detrimento alheio, daqueles que não o tem. Era um facto que aquela consciência o coíba, mas não a outros a seu lado, pelo que via ao longo da sua vida.

O homem, quando se esfrega, já tomou uma decisão, e em poucos dias se afasta com uma explicação sumária aos outros.

O homem sempre apoiara os jovens, os novos projectos que com ele vieram ter ao longo de vinte anos, durante os quais sponsorizou muitos outros jovens como ele e suas iniciativas, pois trazia bem marcado dentro de si o quanto costuma o começo aos jovens e tinha prometido a si mesmo lutar contra tal estado de coisas.

Já sentira por diversas vezes uma ideia dominante que existia em seu País que só muito tardiamente abria as portas aos jovens do fazer. E se então o quer fazer se apresentava já fora das normas, a coisa tornava-se deveras complicada. Lembra-se de ter o seu primeiro contrato com a televisão pronto e ter estado na iminência de não o poder assinar, pois fora difícil encontrar uma entidade que desse uma fiança garantia.

Naquele tempo, não existiam ainda mecanismos financeiros criados para estas ópticas de risco e de apoio aos novos, e foi sentindo já a ironia profunda de ter um contrato e estar em risco de o perder, que lá conseguiu um depois de diversas reuniões com seguradoras e já quase em desespero. Um começo bem a Portuguesa, a ter que provar ao mundo, o quão bom somos por sabermos navegar nos escolhos que já lá estão e que os que vem de trás também já conhecem, mas deixaram estar, na melhor das vezes porque ainda não sabem como o retirar, nas piores, mais no género, tropeça e marra lá que eu também, já a isso foi obrigado.

Enfim, uma óptica de gastar a energia dos homens em seu assuntos como outra qualquer mas que talvez fosse de pensar se será das mais úteis, pois o que sempre acontecia, era que País, levava mais tempo em renovar-se geracionalmente, do que lhe seria mais útil. Aproveitar a força, a inovação dos jovens, enquadra-la da forma mais correcta, e obter dessa forma o futuro um pouco mais antecipado.

E aquilo passava-se assim qualquer que fosse o lado que encarasse a sua sociedade. Sempre um conjunto de dificuldades para que o novo e os novos se pudessem afirmar e isso trazia em seu ver, uma consequência nítida, um atrasar na velocidade da navegação de todos e do País. Tudo aquilo se repercutia nas formas e linhas de poder entre os homens acordadas.

Paradoxalmente a sociedade tendia a tratar mal os mais crescidos, a morte era coisa que parecia que se lidava melhor, se posta ao longe como as prisões, quase como escondidas, enfiavam-se os mais crescidos em lares, muitos eram os abandonados e que viviam sem condições. Tudo indicava, que entre os dois extremos do tempo produtivo, os que lá estavam, a ele se agarravam talvez com força demasiada, talvez condicionados pela antevisão dessa forma de passar da vida, o saudável sentimento e desejo de segurança que todos buscavam, se transformava em limitação ao novo.

Podia ser assim que as coisas se passassem, mas em seu ver, aquilo era a má forma de se pensarem e passarem, pois o novo vem para ajudar o que já cá está, trás nova e mais energia, energia renovada, potencial de resolver as charadas que a vida às vezes parece ser, ao ver-mos os moldes em que a vivemos.

E para complicar mais as coisas, viviam-se tempos de mudança, mudança no mercado, mudança na forma das pessoas encararem a forma de viver, o tempo de trabalho, o tempo livre e a reforma, onde o acordado que vinha de trás, não parece ser mais sustentável em termos do futuro.

Era pena, pois as regalias que os homens obtiveram, foram bem pensadas e merecidas, mas o tempo do um só emprego para a vida, cada dia era mais coisa do passado. A geração de seus Pais fora provavelmente a última a tê-la.

E contudo dentro do tecido produtivo, só a máquina do estado, o maior empregador, servia em termos práticos para ganhar eleições, o que originou algumas distorções, bastava contentar os funcionários públicos, com pequenos aumentos regulares e outras quantas pequenas medidas, para angariar seus votos e de suas famílias, pois era imensa a massa humana que vivia de trabalhar para o estado.

Até o fazer politico estava assim por vezes hipotecado, à relação básica da máquina do estado que é por ele governada e da consequente outorga de benesses. E manter aquele axioma e dependência empenhara por diversas vezes ao longo das décadas o desenvolver do País.

E todas estas questões do humano, da necessária e urgente compreensão do sentido de como as coisas estão a evoluir, eram e seriam cada vez mais fundamentais no capital domínio da solidariedade e da harmonia social, das áreas do cuidar, onde o estado tem o papel por todos acordados de ser vigilante e de bem actuar.

Era em seu ver das áreas onde os novos e grandes desafios se colocariam e já estavam a colocar-se.

Releu o homem, passados uns anos, o livrinho que escrevera em trás-os-montes e contente sorriu para si mesmo de como a realidade em muitos aspectos se tinha vindo a aproximar das suas e de alguns outros, visões. O homem tinha impresso o livrinho na sua própria impressora, duas tiragens de 12 exemplares, comprara um belo cartão e argolas, encadernara-o, e ofereceu-o a quem o achara útil e a quem ele achou que seria de utilidade. Não o ofereceu, por nenhum critério politico ou partidário, ia-o oferecendo à medida dos encontros e do seu julgar. Era uma visão integrada e que via o sector como coisa Una.


Ficara a pensar, se calhar aquele livrinho teria contribuído mais pela realidade, do que toda a sua acção, mas para o escrever, necessitara de toda aquela acção, de todo o seu saber e não saber, que se fundara como sempre, na sua própria acção.
Dizia-lhe
Seu Amigo

Agua
Benta
E
Presunção
Cada
Um
Toma
A
Que
Quer

Cada
Qual
Tem
A
Que
Escolhe


Eu
Próprio
Não
Escapo
Presunção
Do
Que
Creio
Nas
Vezes
Saber


Vida
Miríade
Possibilidade
Infinita
Do
Jogo
Do
Espelho

Ou


Flor
Do
Ser
Revelado
Revelador
Revelação



Alguma lei, algum deus, me disse que ao vir aqui a este mundo, teria por ventura de andar disfarçado daquilo que sou. Representar não é antónimo de verdade de Ser, pois até a verdade pode ser representada, é representação do espírito do coração de quem aí a concebe.

Alguma lei, algum deus, algum homem, me ensinou a mentir, a ser mentiroso?

Preso por ter cão e preso por não ter

Dizia o Amigo, Amigo verdadeiro sendo, não sei se reparas, se te é consciente, mas estás com um tique, provavelmente de origem nervosa de levar as pontas dos dedos ao nariz, que pode levar quem te veja a pensar que tomaste cocaína.

O outro Amigo, agradeceu, a imagem que ele lhe devolvera, reparou que efectivamente não sabia a origem daquele tique e tomou consciência de que o fazia e fazendo-o continuou a fazê-lo para ver se percebia a sua origem.

Contou-lhe então, sabes, uma vez chegou-se a mim um homem que me disse, sabias que há vinte anos corria por aí na cidade que tu tinhas sida e ficou espantado por tal dizer que nunca lhe tinha chegado aos ouvidos. Não saberia se era verdade ou não, se, se o dissera, mas de repente alguns afastamentos que acontecerem, mesmo antes de terem começado, poderiam ser explicados à luz daquela informação que lhe chegava com todos aqueles anos de atraso.

Sabes, eu acho que nem é preciso nenhum tique, quando um homem se mete a inventar sobre um outro, qualquer coisa serve e as leis dos boatos, amplificam e solidificam as falhas da história para com a realidade, mas isso só serve para quem se deixa emprenhar, como aqui se diz, pelas orelhas e quem se deixa emprenhar pelos ouvidos, emprenha-se com o que for, pois a diferença reside em sim ou não o fazer e ser e sendo, não ser desta forma.

Pode-se sempre dizer, não me interessa ouvir, pode-se sempre só contar a verdade do que sabemos sobre outrem, ou não contar nada mesmo, ou não ouvir nada, dizer que não se quer saber de tais saberes, e depois pode-se em casos de grande curiosidade ao anzol apresentado, quando pensamos que temos algo a ver directamente com o assunto, ir perguntar directamente à pessoa.

No dia seguinte, quando fazia a barba percebeu então a razão do tique, tinha cortado á uns dias atrás, os pelos do nariz mas sem os cortar rente a pele, ficara uma espécie de cabelo máquina dois, em que ele perante aquela estranheza, passava os dedos. Assim os cortou de novo

E assim se fazem nas vezes as reputações dos homens por outros homens
Dois amigos conversavam entre eles
Porque é que ele escreve estas coisas?

Para demonstrar que é boa pessoa?
Porque se preocupa e quer ajudar a resolver?
Porque é teimoso?
Porque tem vontade, força de vontade e exerce-la?
Para polir a sua boa imagem de cavaleiro?
Porque é homossexual?
Porque é drogado?
Porque é do contra?
Porque é do, a Favor?
Porque é um bufo?

Dizia-lhe o outro, ponha a cruzinha na resposta certa, se quiser, claro está, que a escolha de pôr ou não pôr cruzinha, é sempre sua.
A quem de direito, dois e três em um

Dois

Fiz sinal de parar a uma viatura da polícia com que me cruzei e informei-os da história e lá foram eles decididos resolvê-lo, pois agora quando lá passei, três e epilogo, o carro já se fora.

Não sei avaliar como aconteceu, qualquer planeamento, qualquer causa efeito ou consequência e nem tem o mínimo interesse, o facto é que sim.