segunda-feira, outubro 18, 2004

Porque

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Este poema, eu o recebi de prenda, num aniversário, oferecido por uma grande Amiga. Vinha impresso num rolinho com um fio, que o permitiu pendurar na parede do quarto, para onde meu olhar se punha, ao levantar e assim viveu em mim como hoje vive, pelos anos da minha vida. E vamos muitos nesta Inspiração, sem negar os medos, mas vencendo-os, partilhando as dávidas e os dividendos do Amor e tendo-o como único calculo, que nem calculo o é, em seus Braços a Protecção, Natureza e Regra da Vida.

Assim nos moldam os Poemas e os Poetas e a Amizade, de quem dá o certo ao merecido
deram-me a cana mas não me ensinaram a pescar, é título de um trabalho sobre os caminhos que podem conduzir à miséria e como tal acontece. Imagem da vida em toda a sua fragilidade, de como elas são multiplas e variadas, de como é por vezes fácil nela cair, a deixar para os nossos corações o pensar do correcto agir. No Publico http://jornal.publico.pt/2004/10/17/Sociedade/S01.html por Andreia Sanches, Sarava.


.....

Pela sinderese global dos textos do Tiago no Midrash fui parar a esta interessante reflexão sobre globalização e ética global, ela própria um acto em sinderese.
http://www.nd.edu/~isbee/papers/Alonso.doc

.....