terça-feira, novembro 02, 2004

Oh amiga, a nudez da verdade, cria a retribuição da verdade, nudez convida e enlaça nudez, nudez das nossas máscaras, muito para além dos corpos, mas delicioso nas vezes em que os encontramos e reunimos, num local central dos corações que se fundem como estrelas radiantes, locais e jorros de luz, luzes no céu da cidade e no fundo do rio, subterrâneas, aéreas a alejar, riso, sorrio em ti e tu em mim, é alegre nosso prado comum, o riso alegre encanta e serena a rena agitada em seu nervosismo, que de pequenos sobressaltos se aquieta em serenidades mil.

Oh amiga, encanto dos teus olhos, encantos do meu ver, em ti me vejo, me perco e me encontro, nas vezes em que assim te despes ao encantar. Oh amiga roda a roda, do poço, sobe a eterna agua do amor em seu movimento circular, sabemos que os corações juntos e as mentes tranquilas, sem ventos de remorsos, penas, curtas ou agudas, trazem o longe ao perto, trazem o longe para perto, despem as noções do longe.

Oh, longe, amiga, é quando não vejo teus olhos, isso é que é estar longe, isso é o verdadeiro longe, um longe ilusório, como um véu, pois teus olhos sempre existem em locais múltiplos e um deles é dentro de mim e só não os saberia, se me esquecesse também de mim.

Oh amiga que quando me esqueço de mim, és tu que assim o fazes, oh amiga, quando me esqueço de mim, quando tu te esqueces de ti, então sim nos encontramos naquela praia doirada, que é nossa sem o ser, sim amiga que é nossa, não te preocupes, pois eu sei de ti, da tua existência, somos, eu, tu e os dois, mas a praia doirada é de todos os que assim decidem de suas orlas, como uma mesma praia, um pedaço inteiro de uma mesma praia, uma praia dentro de uma praia, relação inclusa que respeita os grãos.

Oh amiga, que bom perder-me em ti, nos teus braços em teus abraços, que bom é sentir teus carinhos, que me aquecem a pele como gato ao sol, lanço e laços abertos de meus dedos em tua habitação, tua casa, tua imensidão, que me faz maior em ondas e espuma feliz, oh amiga assim em chocolate quente todo derretido nos tornamos e em mutuo enlace nos bebemos, nos damos a beber

Oh amiga, tudo o resto que importa, que vase para o cano de um qualquer esquecer, pode minha vida ir a pique mundano, não mais moedas, quase não ter, mas que me importa se em teus olhos brilham para mim as estrelas, se tu és um universo radiante de amor, que me preenche, me guia e me exulta.

Oh amiga, estranho tempo, este, o meu, pois estranha de mim, ou eu estranho da vida, se apresenta a própria vida, não a vida do viver, mais da minha vida em seu viver, pois já cansei das ausências das regras claras do jogo e não consigo mais jogá-lo nas múltiplas trapaças propostas e levadas à cena.

Oh amiga eu sei da escolha, da bifurcação no caminho, pois as escolhas são tema recorrente e amigo do tempo, nele habitam e assim nos expressam, mudo as regras ou as aceito e a não menos importante mãe questão, como se as muda, de que jeito, sobre que valores, sobre que ideias, sobre que sonho, e sonhando em amor.

Oh amiga que eu sei da tua e da minha regra, ela é a do Amor Em Amor e todas as outras terão que vir por acréscimo e sua consequência.

Dei-te a mão a teu levantar para te ajudar, viras-te para mim e perguntaste se eu era um artista, porquê, respondes-te que indicava sensibilidade e eu respondi-te que antes de mais era uma questão de educação. Insistis-te, quem eu era, e eu recorrendo mais uma vez a Schopenhauer, em adaptação livre e minha, que se o soubesse provavelmente não estaria ali e entupi, como te podia explicar num momento em síntese perfeita quem eu sou, relutante perante mim mesmo em aceitar aquela que tu propunhas mas que me parecera sempre um pouco familiar, quando ouvida, até que saiu, titubeante, múltipla, sim poderei ser, talvez… veio súbita a questão, para sê-lo é necessário ser independente financeiramente, e eu que sim, sabendo que esse é um dos nós górdios que está em cima da mim, da minha mesa, é sempre preciso ser independente, para ser o que ser for, artista ou não.

Minha vida é sempre assim, nos momentos de bifurcação, todo e todos são convocados à cena, chegam-me sempre as vozes da amizade, cuidado com o que fazes, lembra-te do que está em jogo, será mesmo essa a melhor ideia, de fechar a empresa, desistires da tua autonomia financeira, o que vais fazer em seguida e eu que não sei, mas assim o creio, o que vou fazer, se calhar o mesmo de outras formas, pois só muda a empresa para não empresa, eu nem tanto, não perco tudo o que aprendi na minha actividade nuclear ao longo dos meus últimos 23 anos, mas também sei que nas vezes em que dei o passo na bifurcação, sempre foi necessário dá-lo primeiro para saber então para onde ir, que sim há sempre um desconhecido que depois se olha e escolhe tornar conhecido.

Chegam também as vozes da profunda mesquinha e subterrânea inveja, ah quem me dera ser assim, como ele, com a sua imensa liberdade que ele próprio nem valoriza, que sim tens razão pois tentar ser livre e eventualmente nalgumas das horas assim andar ou parecer a teus olhos andar, será certamente de um domínio de ser e estar que não valoriza, pois a liberdade não valoriza por referência à prisão, pois liberto é não ser prisioneiro, mas deixa-me dizer-te que a liberdade trás muitas responsabilidades, a cada um as suas próprias e se por um momento mágico pudesses entrar em mim e conhecer as minhas, se calhar não as invejarias.

Chegam também as vozes da loucura depositada como fita em minha cabeça e corpo, cruz assinalada aos outros para ver, enlouqueceu, como ousa.

Só ouso a vida, aquele pedaço que me é dado a viver, contigo a meu lado, nesta emaranhada realidade que assim por vezes a fazemos, tão longe do seu fim certo e certeiro, tornar os homens mais livres de serem o que aqui vêm ser.

Depois chegara o Senhor e sentou-se no banco em que ele se sentara, um pouco ao fundo e de lado. Começaram a falar do banco tentando lembrar um outro feito por um arquitecto brasileiro, cujo nome nenhum deles recordava. Contou-lhe o Senhor que vivia na Amazónia, numa linha de floresta entre fazendas que pelo abate das árvores se vinha a concentrar, reduzindo-se à volta de sua casa e que todo o tipo de animais que antes se podiam espalhar habitando em volta, estavam chegando perto dele para viver.
Ah, certamente o Senhor, é o Senhor da nova Arca de Noé, depois cada um se levantou, agradeceu-lhe a gentil companhia e foram indo em seus passos. Simpático, gentil, vivo e vibrante Ser, cuja conversa o preenchera naquele instante de sua solidão.


…..


Dizes respeitar
A Vida e Sua Regra
O Amor

Pois Atenta
Que Cada Corpo
Vem Por Sua Natureza
E Dentro da Natureza
Com O Seu Próprio
Tempo de Viver

Assim Se Queres Respeitar a Vida
Se Não A Queres Ofender
Respeita Este Seu Primeiro
Principio
O
Principio
Do Tempo
Que
Cada
Vida
Tem
Numa
Única
Vida

Pois
Esta
É
Sua
Regra
Sua
Natureza
Da
Grande
Vida
Que
Te
Cria
Como
Cria
O
Outro
Ao
Teu
Lado

E
Eu
E
Tu
Somos
Parte
Dela
Sua
Natureza
É
A
Nossa


E
Se
Comigo
Aqui
Neste
Ponto
Acordares

Poderás
Dizer
Eu
Respeito
A
Vida
Não
Lhe
Amputo
O
Tempo
De
Cada
Tempo
Das
Suas
Expressões
Oh Mãe
Oh Pai
Recorda-lhes
Ao
Dormir
Ao
Acordar
Para
Cuidarem
De
Seu
Próprio
Jardim


Oh Mãe
Oh Pai
Que
O jardim
É
Um
Mesmo
Os
Jardineiros
Muitos
E
Distintos
Em
Muitos
Lugares

Assim
O
Jardim
É
Grande

Lembra-lhes
De
Ajudarem
A
Cuidar
E
Que
Para
Cuidar
Têm
Que
Ser
O
Cuidado

Assim
Se
Retorna
O
Belo
Ao
Jardim


Oh Mãe
Oh Pai
Recorda-lhes
Que
O
Nome
Do
Jardim
É
Amor
É
Verdade

Oh Mãe
Oh Pai
Recorda-lhes
Que
A
Vida
É
Bela
O
Medo
Não