quarta-feira, novembro 17, 2004



Todo
O Ser
Tem
Um
Corpo

Todo
O
Corpo
É
Um
Espaço


Todo
O Ser
Tem
Um
Tempo


Todo
O Ser
Tem
Uma
Ideia
De
Ser

Todo
O Ser

Sente
E
Pensa
E
Expressa

E

Cada
Um
É
Dono
De
Seu
Próprio
Pensar
Sentir
E
Ver
E
Expressar


A
Lei
É
O
Amor


Sua
Natureza
É
União
Opera
Em
União

Sua
Única
Regra

Separar
Para
Melhor
Unir

O
Mutuo
Consentimento
Ancorado
No
Respeito
Das
Partes
Do
Gentil
Trato
Do
Coração
Aberto
E
Acolhedor
Que
Acolhe


Do
Tempo
Da
Escuta
E
Do
Silêncio
Para
O
Outro
Questionar
E
Entender

Do
Tempo
Do
Falar
E
Do
Dizer
E
Do
Explicar
E
Do
Fazer
Entender


Do
Tempo
Do
Comum
Fazer
O
Ver


Do
Tempo
Das
Mãos
Que
Selam
O
Acordado
Em
Coração
Acertado
Com
A
Palavra
Dada

Pois

Todo
O
Ser
É
Um
Cosmo
Um
Uni
Verso
Inteiro
No
Cosmo
Maior


Todo
O
Ser
Que
Reconhece
Outro
Ser
Sabe
Que
Seres
São
Iguais
E
Diferentes
E
Por
Isso
Vivem

Liberdade
De
Ser
Pela
Liberdade
Do
Ser

Pois
Todos
Os
Seres
Tem
O
Mesmo
Tamanho

Se
Bem
Que
O
Próprio
Seu

E
Ser
Que
Disto
É
Sabedor

Não
Se
Põem
Mais
Pequeno
Nem
Maior
Que
Si

Nem
Que
Um
Outro

Igualdade
É
A
Razão
Mas
Para
A
Razão
Ser
Real
Se
Tornar
Real

É
Preciso
Superar
Uma
Certa
Primeira
Precaução

Pois

Seres
Que
Nas
Vezes
Chegam
E
Agem
De
Outra
Forma

Não
Como
Iguais

O
Aliado
Do
Amor
A
Vontade
Em
Sua
Veste
Amiga
Da
Precaução

Pois
Recorda
Este
Povo
Que
Não
Se

Agua
A
Quem
Não
Tem
Sede
Nem
Se
Dão
Pérolas
A
Porcos
Nem
A
Bilha
Se
Quebra
Ao
Ir
A
Fonte

E
Contudo
Por
Vontade

Caminha
O
Homem
Com
Ela
Em
Seu
Alforge
Que
Para
O
Outro
Abre
Ou
Não

A
Paz
Ou
A
Guerra





Eu
Habito
O
Sistema
Solar

Eu
Habito
A
Terra
Minha
Casa
Que
Me
Cria

Eu
Respeito
A
Terra
Pois
Respeito
Mãe
E
Pai


Assim
Te
Juro
Minha
Mãe
Que
És
Fonte
Da
Vida
Que
Me
Dás
A
Vida

Meu
Amor
Meu
Respeito
Meu
Agir
Em
Teu
Defender

Eu
Te
Vejo
Como
Um
Ser
Vivo
E
Todos
Os
Seres
São
Expressão
Da
Vida


E
Se
Te
Vejo
Como
Ser
Posso
Então
Contigo
Tentar
Falar


Perdoa
Me
Mãe
Terra

Pois
Te
Vejo
Tão
Agitada
Em
Agonia
Em
Sofrer

Nos
Anos
Que
Em
Teu
Colo
E
Seio

Vou
Andando
Dei-me
Conta
De
Como
As
Estações
Se
Alteraram

De
Como
As
Aguas
Sobem
Se
Tornam
Impuras

De
Como
O
Ar
Se
Torna
Cada
Vez
Mais
Sujo
Mais
Mortal

De
Como
A
Tua
Temperatura
Aumenta
De
Como
Assim
Chegam
Mais
As
Doenças


Oh
Mãe
Terra
Em
Ti
Habita
Em
Nós
Teu
Maior
Predador


Oh
Mãe

Eu
Evoco
Em
Minha
Memória

Do
Ventre
O
Amor

Oh
Mãe
Eu
Canto
O
Amor
A
Ti

Oh
Mãe
Que
Por
Nós
Te
Sacrificas

Oh
Mãe
Sabedora
Que
Um
Dia
Os
Homens
Partirão
Para
As
Estrelas

Se
É

Que
Alguma
Vez

As
Não
Fossem


Oh
Mãe
Recorda
Os
Homens
Que
És
Mãe

Porque
As
Mães
São
Para
Ser
Bem
Tratadas
Bem
Queridas

Amadas

Que
Os
Homens
Não
Te
Exaurem
Mais

Que
Os
Homens
Recordem
Seu
Saber
Que
Não
Se
Destrói
Donde
Se
Vem
E
Onde
Se
Vive
E
Parte
Fica



Que
Os
Homens
Contigo
Vivam
Em
Harmonia
A
Harmonia

Tom
Unido
Nota
Solidária
Que
Quebra
A
Solidão
Ao
Abandonado
Ao
Mal
Amado
Ao
Mal
Tratado



Oh
Meu
Irmão
Ar
Pedaço
De
Mim
Sem
Ti
Não
Existo
Como
Sou


Oh
Minha
Irmã
Agua
Pedaço
De
Mim
Sem
Ti
Não
Existo
Como
Sou

Oh
Meu
Pai
Fogo
Do
Espírito
Santo

Fogo
Sagrado
Que
Calcineia
E
Cria
O
Novo

Inspiração
Respiração
Revelação
Irmandade
Fraternidade
De
Amor
Em
Amor
Por
Amor

Permeante
Permeado
Que
Tudo
Permeia


Oh
Mãe
Terra
Que
Tudo
Isto
O
És

Que
Tudo
Isto
Acolhes
Em
Teu
Seio
Nosso
Abrigo
Nossa
Casa
Nossa
Mesa
Nosso
Leito

Em
Casa
Tua

Pois
Eu
Sei
Do
Pequeno
Tempo
E
Tamanho
De
Meu
Corpo
E
Da
Tua
Imensa
Vastidão

E
Depois
Existe
O
Céu
O
Cosmo
Do
Sol
Das
Estrelas
E
Planetas

Somos
Irmãos
Pois
Ser
Irmão
É
Conhecer


O
Céu
Habita
Na
Terra
A
Terra
Habita
O
Céu
E
O
Homem
Habita
Na
Terra
E
No
Céu


…..


Oh Minha Amada
Quem te disse a ti
Que os Homens eram bravos sem fim
Que os Homens eram coragem sem fim
Que os Homens estão para além do sofrer
Que os Homens Não choram sem fim

Oh Minha Amada
Deixa-me enrolar meu corpo em teu corpo
Deixa-me aninhar
Faz-me o ninho

Oh Minha Amada
Hoje preciso de ti
Amansa-me
Cuida-me
Ternura-me muito
Fala do teu cuidado antigo
Cura-me as feridas
Oh Minha Amiga
Ampara meu choro
Fá-lo deslizar para o mar sem fim que o dissolve

Oh Meu Amado
Chega aqui ao Meu Colinho
Faço-te Festas no Pescoço
Naquele preciso ponto
Que tudo derrete
Leve carícia que tudo dissolve
E te faz de novo ronronar
Como um gato de pele ao Sol
Tu És Belo Meu Amado
Tu És Gentil Meu Amado
Tu És Carinho Meu Amado
Tu És Cuidado Meu Amado
Tu És Amante, Oh Meu Amado

Oh Meu Amado
Eu Habito em Ti
Oh Minha Amada
Eu Habito Em Ti


Lembra-te do céu
Lembra-te do vale
Lembra-te das águas
Lembra-te do calor
Do encaixe
Oh Ternura
Oh Ternura
Oh Ternura
Meu Amor Amado

Oh Meu Amado
Que para ser bravo
Tens que viver a as quedas
Oh Meu Amado
Que para coragem Ser
Tens que viver a cobardia
Oh Meu Amado
Que para prazer Ser
Tens de viver a dor
Oh Meu Amado
Que para Feliz Ser
Tens de viver
Às vezes a chorar


…..


Sentira de repente o desejo de olhar
E vira-a na janela sobre a varanda

Na praia a ondulação caminhava síncrona
Ao som interno de seu sentir
Umas vezes mais agitado
Umas vezes mais calmo

Esperando e construindo a calma
Seu corpo na areia
Naquele
Preciso ponto da variação entre
A quente e a molhada
Suave declive que aguenta os corpos
Que o sol aquecia naquele luminoso e frio dia
O céu era imenso e todo azul
E os dois se juntavam na linha do mar

Beijou-a com a certeza inteira da eternidade
Quando deu de caras com o espanto do inesperado
Mergulhado estava dentro de seu livro
Ordenando as letras de si mesmo o mar

Assim num longe perto
Demasiado longe
Para se tornar
Corpo perto
Tão perto ficaram
Porque igual e sempre desejado
Eterno e iluminado em si
Então o tornaram

Pousaram as gaivotas
Perdulárias de qualquer ter
Só juntas em ser
Voos livres no céu riscados de branco
Onde naquele preciso momento e instante
A Lua se casava com o Sol

Depois a Beleza partiu
Sem se ter mais aproximado
E ele ficou triste de a ver partir
Rendilhada finamente como Ela
Sua veste revelara-lhe
A imensa ternura
Sua casa quente e aconchegante
Vale fecundo de vida
Onde corre o refrescante leite
Pulsão imensa de vida
Desejo imenso num imenso querer
Tão imenso que lhe tornara o passo curto
Amor que o tornava meio
No meio do momento
Parado sem sequer
Se poder mexer
Como pardal apardalado
Naquele imenso enternecer

O Riso
O Ser
O Entardecer
Dentro de seu coração rasgava a solidão
Que uma gaivota piara ao fundo
Só sua face não ficara Impressa
Na distância
Do seu
Não a ver


Podia parecer
Que mais não
Se encontrassem
Mas assim não iria ser

Aquele momento fechado
Dos dois em cada qual
A partir do tempo
Do seu instante
Nunca mais dentro dos dois
Se perdeu
Nada não podia ser
Tudo
O querer
E o seu
Poder
Ser


(Um momento que expira, inspira um outro)


…..



Meu coração me vinha dizendo há uns dias para ir visitar a Igreja de S. Francisco.

Retornara à consciência aquela noite onde a Teresa Salgueiro, chegava numa carroça puxada por um burro ao largo da praça.

Aquela Praça onde Existiu sempre um Poço, que depois se transformou em Fonte e onde há sempre pela noite flores. Lembras-te, aquelas flores, que cada vez que lá passávamos quando éramos nós e a noite, e eu parava e ia buscar uma rosa para te oferecer, uns dias vermelha, outros, ouro, outros, rosa, como a rosa que tu és.

Uma noite apareceu um polícia, que depois por lá ficou, que guardava a flor e que não me deixou mais ta dar. Recordas-te, a ele chamei-lhe o polícia das flores colhidas, aquelas que transitam para o seu instante de seu falecer, depois que as mãos dos homens as cortam para as oferecer em singelos gestos de Amor.

Lembras-te antes ainda em terras ao norte do Tejo que se estendiam ao longe, e nós os dois, passeávamos a cavalo e a pé por entre lagos de flores, pois era tempo de múltiplas flores, de variados tons, alguns que já deixaram de existir, de que os homens só trazem ténues e mergulhas memórias.

Disseste, tu um dia Senhora, eu não o esquecerei, jamais, que Maior Amor Seria o Meu Por Ela, Se Não As Colhesse Por Gesto de Amor, a Ti, acrescentas-te então, bastava-te seu cheiro, milagre da vida por as poder cheirar, por as poder, ver, por poder dormir uma sesta de ternos amores em meus braços, ao lado delas.

Disseste Tu Um Dia, Senhora, Olhando da Varanda o Douro em Baixo, barcos acima, barcos a baixos, velas quadrangulares, pequeninos pontinhos ao olhar, cujos sons em seu casamento com a forma em delta do profundo vale trás até nossos ouvidos, como se estivessem ao perto, as vezes tão claro, que até faz arrepiar.

Teu cabelo, estendido na luz do entardecer, tua beleza era como a doçura do mundo, inteiro, ali, nós nele e ele em nós. Doirado Avermelhado era o Sol a se deitar, naquele fim de dia todo tranquilo, todo doce que fora, naquele preciso momento do entardecer e das manhãs em que se faz o instante do silêncio, antes das coisas começarem todas e à vez a acordar ou adormecer.

Já pensaste o contra-senso que é oferecer, considerando-o um acto de Amor, uma prova de tamanha rapidez do fenecimento dos corpos.

A não ser que a mensagem cifrada seja, Amo-te Em Espírito e Alma, pois o Corpo Fenece, pois ambos conhecemos os homens e as mulheres e seus jogos e a dança da Atracção do próprio Amor. Tantos uns como os outro sabem ser muito complicados, nas vezes, sobretudo quando tentam falar uns com os outros, uma conversa em muitas vezes, de nabos com bugalhos, sem consciência e em olvido, de que a púcara, é uma mesma.

Oh Minha Amada, retrato do próprio Amor, imagem que complementa, que me faz completo, que me melhora nos dias, tu és Alma, tu és Espírito, Tu ÉS Ser, Tu és Também Teu belo corpo, Teu Rosto que me inspira a serenidade de ser nas horas, tanto numas como noutras, teus cabelos que eu gosto tanto de ter, deitados a meu lado, em nosso travesseiro partilhado, seu cheiro, meu neles mexer, teu rosto amado a dormir, sorrindo como um Anjo Que ÉS.

Oh Minha Amada, que Tamanha e Refinada Alma, Só podia Ter Trono Divino
Como Teu Corpo É, Quando Perfumada de Belos e doces Óleos Me Convidas ao Enleio, Corpo Perfeito a Meus Olhos, no Limite da Imperfeição dos Corpos e dos Seus Próprios Passares

Oh Minha Amada Mais Amada, Então Me Revelas Teus Secretos Mistérios, Me Banhas Com Tua Luz, Me Transportas Aos Céus, Comigo Partilhas Tua Profunda Energia e Teu Enorme Saber, do Curar, do Reparar, do Abençoar, do Proteger, do Dar, do Cuidar, do Compreender e do Aceitar do que Há para Aceitar e Não Aceitar o que é Inaceitável

Minha
Amada
Mais
Amada
Vaso
És
Aguas
Antigas
Mistério
Da
Vida
E
Da
Morte

Mas sim tens razão, como tens muitas vezes, pois é mesmo raro enganares-te, os homens complicam também, muito sua forma de falar com as mulheres.

Assim iam em seus enleios pela vereda caminhando e comendo uvas de todas as castas que iam encontrando, néctares dos deuses, seus risinhos e risos iam subindo de volume à medida que se afastavam no horizonte.


A Teresa Salgueiro descia da carroça em frente ao portão e degraus da Igreja, à sua frente meninos brincavam em roda entretidos com suas cantorias, um outro levava o círculo em aço pela vara a correr à sua frente, jogo de habilidade infantil.

A Vaca de Fogo fazia então sua entrada em cena, ardendo seus fogos presos de artifícios e as crianças corriam em meio susto, meia prova, à sua frente, fazendo sua prova de que emoção de susto por vezes pode ser gostosa.

Falara com algum detalhe daquele pormenor com o Pedro Ayres de Magalhães, Vaca de Fogo, o que é, para que serve, como são, onde se arranjam, e lá definiram uma qualquer nova vaca de fogo, que nem vaca o era, pois era mais da família das girândolas deitadas.


Hoje estava lá de dia, um belíssimo dia de Sol, naquela parte da sua cidade que ele tanto gosta, que quando o tempo está quente, se encontra cheios de turistas, de gente que vem de outras lados do mundo, de todos os lados, e ele sorrindo, contente, degustando toda aquela diversidade que o mundo lhe faz prova em seu caminhar, ah este acolher tão português.


Seus olhos se perderam no rosto e andar de uma bela mulher que vinha subindo a rua e ali ficou um momento absorvido no encantar da beleza que ali lhe manifestava e celebrava a vida, a beleza da vida, oh céus é bom viver, é bom acordar todos os dias e ser assim agraciado pela constante beleza.

Olhava a Igreja de Fora e pensava que se ela for propriedade da Ordem, então seria como um autêntico retrato das coisas, como as coisas geralmente sempre o são, mesmo quando as relações que estabelecemos não são, nas vezes, nem próximas do que sucede no exterior.

Aquela Igreja é pequena e está deslocada para a direita de quem a vê de frente, em sua implementação no espaço que com outros edifícios circunda, como se tivesse sido feita ali por acrescento, de algo que já lá estaria antes, um pouco à Imagem que Trago e Tenho da Ordem em relação e na sua relação com as hierarquias, pois uma Ordem que Tem Tão Ricos Votos, deve ter tido certamente, por assim escrever, seus momentos mais tensos nessa relação por sua responsabilidade e iniciativa, que a mim sempre me pareceu a mais acertada, olhando o tempo em grosso.

Eu Sou Daqueles Que Sabe de Uma dívida Antiga, e Do Seu Agradecer e Quem Isto o Sabe, de Acordo, Age.

Pequena Igreja, Acolhedora Igreja, Plena e Pleno de Imensa Luz. Quem Pensou e Fez Sua Abóbora Celestial e suas janelas, bem sabia o que fazia, artes de homens pedreiros livres em seus ancestrais saberes.

Igrejas que são Locais que alguns vêem como privilegiados do Espírito de Deus. Igreja Que São Casas do Acolhimento e do Acolher, que já foram locais, no passado, até Sagrados no plano concreto dos homens, pois tempos existiram, que os foragidos, os que eram perseguidos pelas diversas autoridades e poderes feudais, ao entrar no círculo do seu domínio, encontravam protecção, ninguém os podia assim continuar a perseguir

Eram essas, nesse tempo, as regras do jogo no velho e caduco jogo dos gatos e dos ratos que os homens vêm protagonizando, desde o tempo em que se perdeu a conta ao próprio tempo.

Curioso tempo onde um criminoso podia nalgumas das vezes alcançar o refugio, a protecção e quem sabe a mudança. Mais lógico do que as prisões e suas virtudes no plano da regeneração Espiritual dos homens.

Regras, regras nos jogos da perseguição de uns aos outros, como a convenção de genebra que regulamentava as regras da rendição, a velha e antiga bandeira branca, a forma do tratamento em respeito dos direitos humanos do prisioneiros. Regras que como a realidade infelizmente tem provado não se aplicam a algumas das novas formas de expressão desta velha e de sempre mesma guerra.

E esquecendo que quando os homens fazem e vivem as guerras, quando a grande e pequena besta se lhes monta em cima à rédea curta e açaime ferrado, tudo acontece, a mais imaginável barbaridade, é por vezes concretizada, elevando um novo patamar no conhecimento humano do mal que ele próprio pode fazer

E Contudo Eu Respeito Os Acordos, Acho Que os Acordos São Para Ser Respeitados em Seu tempo de Existir ou até, que uma, ou ambas as partes, queira mudar o acordado e assim o apresente ao outro, não para o rasgar, mas para o melhorar, este é meu desejo, minha Fé, Meu Crer, Meu Querer, pois Acordos São Acordos, parte dos Homens Que São Muito Mais. E também mais vale um Acordo Que Nenhum e que Acordo é coisa Precisa e Boa e Bela de Se Fazer.

Acordos, Melhores E Maiores Acordos. Stop. Mundo Precisa-Os. Stop, Acordos Actuais e Actualizados, Dinâmicos como É a Vida, Acordos regrados em regra interna, que respeite, gera e amplifica a própria regra do impermanente no permanente, pois tudo é contínua mutação, tudo evolui.

Amor É Inte ligir, e Inte ligir e In ter ligar, mais no caso, Re-ligar , e Todo Isto é Feito e Operado Pela In te ligência, Capacidade de compreender a relação do um com o dois, se quiseres por outras palavras, entre mim e ti, conseguir eu e tu ver-nos e reconhecermo-nos em profundidade, leves das asas que voam, das asas que o espírito faz então voar, da amizade, do amor, do desejo de bem com o outro fazer, de dar as mãos e as capacidades, de aumentar o agir, e assim melhor e mais belo fazer.

Inteligência é um principio que põem os seres em relação, que lhes dá a capacidade de se reconhecerem pelo menos semelhantes num qualquer pequenino pedaço, pois se não, nem relação se estabelecia ou estabelece, e depois olhando progressivamente, melhor e ao pé, podemos ver essa semelhança a estender-se, a crescer, e chega o ponto em que na consciência é já maior a semelhança que as diferenças.

Inteligência é um principio que opera por criação e remissão ao que é igual reconhecido no distinto, é portanto um principio que opera por união entre distintas partes, que as trás juntas, por reconhecimento da semelhança, que as Une e pode-se então dizer que é um principio unitivo.

Inteligência é e Vive No Amor, Dele vem, para Ele vai, Nele habita, Nele Se Move, Pois o Amor é Unitivo
Trás Para Perto
O
Aparente
Afastado
Porque
Visto
Como
Diferente
Até
Mesmo
O
Zangado

Pois
Amor
Se
Entristece
Se

Alguém
Zangado
A
Seu
Lado

E
O
Amor
È
Coisa
Feliz
Coisa
Da
Felicidade
Da
Alegria
Da
Amizade


Entro na Igreja, pois sei de um lado de uma urgência que ali me conduz. Dentro de mim andam estranhamente misturados dois Homens Santos, suas memórias em evocação interna de mim, sobem-me com frequência aos campos da visão e sei porque o recordo, que acabei de figurar de uma certa forma um com atributos do outro, mas fez sentido ao fazê-lo.

Sento-me num banco de trás a contemplar e absorver a atmosfera, e a magnifica luz que Ilumina os Rostos dos que Ali Estão em suas rezas, e Que Banha a Todos. Mas meu sentir, está inquieto, pois procura algo, e não me deixa estar sentado muito tempo, e assim vou ver e falar com as figurinhas.

As figurinhas são imagens das imagens, tentam condensar de formas visíveis o Invisível e se são feitas pelos homens, mesmo que despotenciadas neste processo de mediação, por condensação num objecto que O Figura, não deixam de ser figurinhas, e então pode-se conversar com elas da mesma forma que com uma pedra, ou um quadro.

Assim experimento a figurinha, ou assim me experimento como pedra, assim a figurinha me experimenta a mim, a ver o que sai, a cada vez que acontece, o mesmo, quando falo com uma árvore, se bem que as arvores são geralmente mais participativas e expressivas em seu falar, mais próximas de um pássaro.

Pode-se falar com o que se quiser, basta olhar e dar-mos o tempo do olhar e se olhar muito a ver, de repente a figurinha anima-se, não que salte do sítio onde está nas mais das vezes, ou que venha dar-me um aperto de mão, mas existe um momento onde ela como que adquire vida em suas feições, de repente é quase como um ser, uma extensão do meu ser e de meu falar, sem contudo deixar ela de ser um outro ser, mesmo que o pense inanimado, pois sua carne diferente da minha, é sujeita a um mesmo baile que a matéria sempre dança.

Sua expressão adquire pela minha escuta significados e cambiantes emocionais, que se alteram com o meu diálogo, mesmo quando é interior e aparentemente só eu a figurinha o ouvimos. Em dialogo surdo ou cantado do pensamento, seu corpo, sua expressão, enriquece o significado e o significante.

Assim terá sido mais ou menos seu começo

Quem és tu
Eu me apresento
Digo-te da ânsia
Que trago em meu
Buscar
Que O Coração Busca
E Aqui
Estou
Que Me dizes
Tu
O que vejo em teu
Rosto
Com que
Emoção me Olhas
Para Além do
Meu Reflexo em Ti
Já não estou
Tão seguro
De ser a mesma
O que te fez mudar
O que eu mudei
Nesse breve instante
Para onde Olhas
Que Me Apontas Tu

E depois vi-o, de três quarto. Reconheci-o primeiro pelo fio com seus três visíveis nós, subiram meus olhos por seu corpo até sua cara e seu olhar e de repente percebi, uma outra faceta daquele Santo Homem, uma faceta que de alguma forma, quando mais pequeno, me afastava, e que de repente compreendo, Assim ficou mais completa a imagem do Santo em mim, mais completa se tornou a imagem dos dois.

Assim vou saindo e quando levanto o veludo vermelho da cortina, antes da breve escada interior, dou de caras com um grupo compacto de Italianos que a vêem visitar.
Mantenho o veludo vermelho em minha mão, e convido-os a entrar. A primeira Senhora a subir, me olha com alegria e me cumprimenta e assim com o olhar e a fala nos cumprimentamos. Das talvez trinta pessoas, só duas ou três é que baixaram o olhar, por mim, a passar, foram tantos os sorrisos.

Oh que bela simpatia, como nossos corações todos se aquecerão naquele, momento, como estava uma Luz Radiosa cá fora no largo, como a temperatura estava amena e doce.


Outras mesmas Igrejas, outros tempos, outros lugares, uma mesma coisa e suas diferenças, em coisas diferentes mas iguais.


O menino, num instante de jogo da apanhada dera conta que suas duas amigas desapareceram, aquilo ia já na contagem 357, quando finalmente percebeu que elas tinham dado, um sumiço.

Olhou à volta e não sabia mais onde estava, pois seu olhar só via os eucaliptos, a clareira com a estrada a seu lado, e assim começou a andar até que avistou uma casa muito alta com uma figura distinta das outras que até então, vira. Entrou pela porta, que dava a um corredor com um tapete vermelho, que apontava um Senhor vestido de branco que se encontrava ao fundo da comprida casa e assim a ele se dirigiu.

O Senhor falava para as pessoas que se encontravam sentadas e o menino em sua frente fazia-lhe gestos para tentar chamar a sua atenção. Por fim o Senhor irritara-se, lá interrompeu sua fala e perguntou-lhe em tom ríspido e zangado o que ele queria.

O menino disse-lhe, desculpe, mas eu estou perdido, perdi as minhas amigas e não sei como voltar a casa e quando acabara de isto dizer, elas reapareceram, pois tinham-no vindo a seguir, sem ele disso se dar conta, pronto está resolvido, desculpe, e lá saíram muito rapidamente daquela casa, pois o Senhor, não tinha gostado nada daquilo.



O homem entrara na Igreja para baptizar seu filho, não que aquele preciso rito de baptismo lhe fizesse mais sentido de que outros que conhecia, mas sua mulher assim o queria e ele decidira não se opor. Para quem não era baptizado naquele rito daquela especifica religião, o facto de o seu filho o vir a ser, era também uma forma de resolver uma velha questão que trazia dentro de si desde que se conhecia, pois a sua anuência resultara disso.

O Homem tinha consciência de si como um ser religioso, tinha uma consciência do Divino muito forte dentro de si, sempre a tivera, e de alguma forma era visível a outros que lhe conheciam um certo pendor para as coisas místicas. Toda a sua vida, era para ele caminho de espiritualização e assim com ele fizera a vida, vinha-o a espiritualizar, assim ele em seus passos se sentia.

O Homem sempre ouvira do melhor e do pior atribuídos àquela religião e sempre viu os homens prontos no julgamento, o que sempre lhe revelara como as feridas eram profundas, antigas e ainda se encontravam a sangrar. Ele próprio viveu episódios de tratamentos menos correctos, mas não guarda rancor por isso.

O Homem não vai julgar dentro de si a igreja, pois decide não o fazer, sabe que sua história está cheia de coisas mal feitas, outras bem feitas, outras ainda, assim assim, como tudo na vida. O Homem está cansado dos machados de guerra, dos esqueletos e do sangue, não quer mais guerras, quer paz, o Homem não quer abrir mais feridas, ou escarafunchar nas que vem de trás, o homem quer entendimento, quer um novo entendimento, um melhor entendimento, da vida, do que é necessário fazer para a proteger e assim agir e nada disto declara que se tornara amnésico.

O Homem acredita que enquanto aqui existe trás em si a possibilidade de ser o que é, e ele é um homem de paz, não quer o punhal, quer a rosa do entender, o Homem quer agir no curar. O Homem não se quer embrenhar na contagem do sangue que já correu, pois sabe que cada vez que o faz, uma mesma coisa acontece, o peso dos corpos mortos puxam-no para o fundo das águas escuras, das trevas, um peso para cima e não para baixo, que o mantêm imerso no triste circulo, circulado a ferro e fogo, pelas ignorâncias, as misérias, a violência e a vingança

Para ele, o facto de seu filho ser assim baptizado é um sinal dentro de si de paz e desejo de boa aventura e assim entra na Igreja, no meio da família alargada, muitos dos quais ainda não tivera nem tido a oportunidade de conhecer. Na penumbra antes da nave,


O Senhor no meio da multidão inquiriu-o com voz a resvalar para o autoritário, já sei que o Senhor não tem fé,

Pois olhe visto que ainda não nos tínhamos falado, informou-se mal ou foi mal informado, eu tenho fé, se calhar não se enquadra totalmente dentro dos vossos cânones.

Se não tem a nossa fé, não tem fé, Sim Senhor, percebo com pesar que assim é, em vosso olhar, pois assim me diz.

A conversa ficara por ali, o Senhor, virara-se bruscamente visivelmente irritado e lá fora entrando resmungando qualquer coisa entre dentes que ele não conseguia, do sítio onde ia, ouvir. Mas pensava, pensava para si, que estranho baptizado se está a preparar, a recepção do Espírito Santo, num ambiente tão pouco Santo.

Quando a Criança começa a chorar, o Senhor, que continuava em sua irritação diz às paginas tantas, oh que diabo, jura o homem assim o ter ouvido, pois mais ninguém ao lado auditivamente o confirma, mas na sua cabeça, nada daquilo era tão extraordinário assim, pois um Senhor que oficia Deus, Quando se zanga ou se irrita deverá falar do Diabo, assim descera o Espírito Santo sobre o Seu Filho e ficara ele a reflectir sobre aquela visão Divina que o Senhor lhe revelara, de Um Deus que vivia com um diabo.

Seus passos o fizeram dirigir para diversas igrejas num espaço curto de tempo, sentia que tinha de falar com algumas pessoas do que o trazia preocupado e queria averiguar se uma ideia recentemente lançada teria tido seu eco ou não.

Dissera-lhe a irmã para entrar pelo Senhor dos Passos, ele espantado pois tal não conhecia dentro daquela igreja e assim quando entrou, deu de caras com a estátua de Cristo, com seu dizer em baixo, a última queda. Gigante aquela imagem de Cristo, olha-o, olha sua cara e agonia numa mesma dor profunda que o atravessa, todo aquele sofrimento que ele espelha é espelhado por seus olhos que o vêem, como se fosse mais uma vez, de certa forma, um mesmo, ai Senhor, última queda, dizes-me tu, que é última queda, como pode ser se seu estou em uma das tuas casas, se és Tu próprio que aqui estás, que queda última é esta que me aguarda, mas que seja, se for essa Tua vontade, pois caído já estou eu, e caído me entrego a cair onde tu ordenes na forma que o ordenes, eu teu irmão, na profunda percepção da dor imensa do mundo, da alma imensa do mundo que escreve em sangue em meu peito, que corre em dor, e se espelha por vezes no céu, Sim Mestre, eu me entrego ao que vier, por Ti o Faço.

Depois em conversa com o Prior, dera conta da sua intenção pela paz, pelo diálogo entre as Igrejas, do que poderia fazer, de que forma podia ajudar, para ouvir em crescendo a sua insatisfação, que dizia, que essas matérias estavam a ser tratadas por quem devia, e que a ajuda que oferecia, mais atrapalhava do que ajudava, que tinha sido assim ao longo dos tempos, que muitos Homens que queriam ajudar só tinham feito trapalhadas, para por suave seu dizer, pois seu dedo indicador muito tremia em sua mão zangada, como culpando-o de tudo o que dizia terem feito os Homens que ao longo do tempo quiseram e agiram no ajudar do outro, na construção do saber, ou na atitude e acção da paz e do respeito entre os homens, independentemente dos seus pensamentos.

Levantaram-se os dois num mesmo ápice, determinado pela acção que não seria ele a julgá-lo, que não lhe dava mais um milímetro de julgamento, pois reparara em seu dedo acusador e julgador, deu-lhe a mão em súbito e breve aperto, para lhe destruir qualquer rancor com que pudesse sair dali, pois sabia que quando os corpos se tocam, tal acontece, e disse-lhe ainda, ainda recentemente o chefe daquela Igreja, tinha apresentado um pedido de desculpas, e que ele pelo seu lado as tinha aceitado e que ele sabia perdoar também.

Depois passando de novo pelo Cristo, ia em seu pensamento, perdoa-lhes Pai, que eles não sabem o que fazem e ajuda-me a perdoar esta violência de que mais uma vez a teu lado foi alvo, eu sei Pai, que é assim que o Mestre também ensina e aceito este seu ensinar e se foi andando em seu pensar até ao jardim serenar, perguntando-lhe ainda dentro de si, foi Pai, esta, a última queda?

E contudo sabia ele em seu coração, certeiro e seguro, ele era Amor.

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Saravá Madredeus


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Dias de revoltas surdas do cheiro da impotência, como certos dias do cheiro do Tejo.
Dias em que tudo parece vazio sem Sol ao fundo por cima de um monte horizonte.

Dias de frustrações diversas, que sobem por dentro, vagas contra os molhes, e
Tudo na mesma, o tempo passa ou não passa. Os muros, murados e caiados pelos homens ao lado da estrada fecham os horizontes a quem os criou, tentam delimitar os espaços do andar. Sobem os tijolos trepando uns sobre os outros, cabras cegas tristes de montar.

E contudo muitos dos muros sou eu próprio que os crio, pois se sou homem também, como os outros que o são. Metade do problema e da solução terá que estar então em nós mesmos

Vamos para melhor ou para pior. Dizes-me, que depende do ponto de vista da idade em que me encontro, que a partir daqui é a decadência inevitável e acrescentas à laia de conclusão, a partir daqui será sempre a descer, por isso para o paladar dos teus olhos será sempre para pior.

Achas mesmo, resigna-te tu então se assim o queres, pois eu de mim quero a ascensão ao céu na terra, pois é aqui que o vejo, mesmo nos dias longos em que parece que alguns me tentam fechar ao meu olhar, ou naqueles em que sou eu próprio que o fecho.

Alquimia, sempre alquimia, peneira das emoções, roda da água do moinho do Eterno compor do Amor. Eu pescador de mim a ter que desenrolar a linha da transformação, desfazer os nós, permitir que as águas corram fluidas de novo em direcção ao mar.


Será verdade, será verdade que alguns nisso andam. E mesmo que andem, minha passada é a minha própria passada, não choco de frente, não empurro, mas parece que há sempre um a tentar, um, deixa-me rir, muitos e depois, e depois, os passeios são largos, a relva tem muito para caminhar, se não for de mão com a tua, irei com a minha e de muitos outros, daqueles que preferem dar as mãos, e a da Vida Que Me Acompanha

Mas tu não sabes quem eu sou, não sabes se sou louco, se sou impotente, se falo muito e faço pouco, como se fosse só eu a fazer, mesmo que tudo isso fosse eu, pois estou sempre acompanhado.

Eu hoje acordei triste, olhei-me ao espelho e vi a cara do meu País. Fiz a barba ao nevoeiro, e vislumbrei um pálido e distante reflexo de um rei menino, ausente em parte incerta no tempo. Perguntei à lâmina, esta ideia, este reflexo, que o vento me trás, insistir nele, não é contribuir para adensar o próprio nevoeiro.

Império do Espírito Santo, Império do Espírito que É Reconhecido, Espírito do Ver e do Sentir, Que Vê o Visto e Com Ele Acerta, O Torna a Todos Comum.

Pulsa Coração Pulsa Coração Pulsa Coração Pulsa

Nos Homens Irmãos


Onde Estás Império, se não fora de mim, dentro de mim e de ti e ainda no permeio dos dois, respondeu-me então meu próprio sangue, declarando-me que nada mais conta, sangue de mim, a pingar de mim.

Hoje acordei triste, e olhando o espelho, nem mesmo me vi por entre a névoa do vapor das águas, nem sei mais se existo mesmo e contudo mexo em meu corpo.

Depois o vapor do banho, transportou-me a outro lado, outro tempo, parecido em algumas coisas com o tempo e o espaço de agora.

Os Hermínios sentem-se cercados pelo Império, ouço-os ao fundo, descontentes, a calarem suas dores e suas revoltas, perdidos no caminho por não saberem mais quais são os caminhos, como se tivesse subido uma névoa do Douro que cobrira de repente as pedras do chão, ofuscava a memória dos homens, da liberdade e da concretização da Liberdade em seus passos.

Os Hermínios não se reconhecem no sistema político e sua forma de organização, os partidos, pois são na sua maioria homens e mulheres bravos e livres, que acreditam em si mesmos, que conhecem suas forças, não necessitam na mais das vezes da protecção dos clubes, pois põem-se debaixo de Outra Protecção, a do Amor.

São bravos os Hermínios pois preferem dedicar-se aos jogos do Amor com seus Amados de que a reuniões estéreis, grandes confrarias ruidosas, que vão atrás de um só ou poucos pastores, que lhes fazem ámens. Um Hermínio Feliz é um Hermínio à Solta pelos campos, convivendo, rindo, fazendo justiça integral à vida, pois vive-a como uma Continua e Merecedora Festa. São valentes os Hermínios e rijos na festa, um pouco brutos e excessivos às vezes, pois me recordo de querelas na partilha dos despojos, sobretudo no tratamento das mulheres, em tempos idos do terceiro século, mas tem bom coração, como qualquer um que com Ele Ande.

E se os Hermínios são seres livres, que não gostam de entregar a sua protecção a clubes, não deixam eles pelo Amor em que andam, de gostar de andar acompanhados, são felizes assim, entre seus amigos, com seus grupos.

Assim os Hermínios tendem a não fazer em forma e método colectivo e ficam muitas vezes a ver o mal fazer e depois nasce uma impotência por aí acima no corpo, ai, e nos espíritos que se estendem na Alma do Lugar.

E contudo os caminhos da imaginação e do Amor aí estão, como sempre, é só preciso descobri-los e transformar então a raiva impotente e castradora em agir.

Nas últimas eleições apareceu um partido com uma designação muito curiosa se não fosse seu triste conteúdo. O partido da dor.

Porque partido, se a dor é coisa inteira que toca a todos?

Primeiro porque este sistema, esta constituição só permite que se candidatem a eleições, partidos, não se podem chamar outra coisa que partidos e os Hermínios são mais daqueles que acham que as coisas já estão demasiado partidas e o que é importante é colá-las.

Depois porque um grupo de cidadãos achou face a forma dominante como se trata e se vive este assunto, que era necessário criar e fazer concorrer um partido para tentar resolver este problema.

Deitaram em meu ver, também abaixo, um dos pequenos mitos, demonstrando que a inovação vem de qualquer idade e de qualquer lado, pois é fortemente previsível que outros venham a aparecer com expressões similares.

O partido dos engenheiros, o partido dos médicos, o partido dos arquitectos, o partido dos jardineiros, o partido do ambiente, o partido da banca, o partido das crianças, o partido dos jovens, o partido dos idosos, e o que mais se inventar, quando se perceber e acordar que para resolver os problemas é necessário resolve-los com quem os vive, com quem eles, dia a dia trata, sem descurar a harmonização das interdependências e garantido as viabilidades transversais, comuns ou colectivas.

Assim teríamos votos proporcionais e governos e assembleias constituídas por deputados de cada um dos grupos. Teria a vantagem de os cargos serem exercidos por quem deles sabe, ao contrário de muitos políticos de hoje, cujo conhecimento e experiência, na mais das vezes e ao longo das suas vidas, se resume ao do combate político e do tratar dos seus partidos.

Preferia um governo assim que um qualquer ismo, sem grandes sentidos e uma prática como a infelizmente a conhecemos, de isolamento no extremo de um ismo, um estar contra os outros em definição por oposição em vez de um estar com os outros.

Todo o organismo, toda a estrutura é um processo permanente de comunicação, maior harmonização se obtêm se todas as partes que o constituem, participarem, porque assim se o desenha, nesse continuo processo.

Um governo deveria ser de certa maneira uma agencia de comunicação, mais do que ter uma, pois não só é legitimo que ele comunique o que vai fazendo, mesmo nas vezes em que não faz, como governar, deveria ser antes de mais, o assegurar da permanente comunicação entre as partes, da sua fluidez, da existência de mecanismos e processos rápidos, transparentes, passíveis de análise e decisão constante em tempo real, no acordo de princípios transversais e verticais entre todos acordados, ou seja por maioria, dentro do sistema, como o temos.

Imagino todos os tipos de votos que os homens entre si acordarem, princípios que norteiam a navegação do mais pequeno.

Votos pela Terra Onde Todos Habitamos, e Pelo Mundo Onde Estamos
Votos pelo Amor Entre os Homens, as Flores, os Animais e a Terra
Voto pelas Crianças
Voto pela Saúde
Voto pela Educação
Voto Pela Cultura
Voto Pela Ciência
Voto Pelos Idosos
Voto pela Liberdade dos Seres Em Respeito Mútuo
Voto Pela Erradicação de todas as pobrezas
Votos Pelo Pão e Pela Riqueza
Votos Pelo Superavit
Votos Pelo Desenvolvimento auto sustentado
Votos pelo Bem Querer e Bem Agir
Votos pela Paz e Pela Harmonia Social
Voto pelo Repovoamento
Voto pela Criação
Votos de Amor

Imagino um voto, numa ideia de orçamento, um acordo sobre a hierarquia dos gastos e dos investimentos, que meta ordenasse os planos e as ideias sectoriais. Onde gastamos mais, se na Educação, Ciência e Cultura ou por exemplo na guerra, num pais onde é o próprio Estado, grande elefante branco, que consome quase todas as receitas.

Os governantes deveriam ser aqueles que integravam em respeito as partes, no supra respeito dos princípios orientadores acordado por todas as partes. Exemplo, onde vamos semear nos próximos cinco, dez anos, como e com vista a colher o quê.

Os governantes deveriam também actuar nos níveis comuns às partes, no sentido da acção propiciar o cumprimento dos objectivos traçados no nível comum e colectivo decorrentes do acordo entre os homens. Se calhar poderia separar-se em termos de votação as ideias, inclusive, dos homens.



O
Voto
De
Portugal
É
Voto
De
Amor
De
Mão
Na
Mão
Da
Ajuda
Do
Ajudar
Do
Respeito
E
Do
Respeitar

Amor
Amor
Amor


Os Hermínios estão cansados, desgastados e por isso lhes parece mais difícil dar as mãos e para que tal aconteça, tem que acordar cartas régias de princípios que os possam unir em torno de seu respeito.

Os Hermínios não querem protagonismos, querem a coisa pública bem orientada, melhores e maiores frutos, os Hermínios sabem que o verdadeiro poder, é o poder do bem-querer, do bem-fazer, de poder fazer o que se quer em liberdade e respeito e mesmo quando cansados se encontram, sabem que tal se faz dando as mãos, unindo as mãos e o ver dos homens, pelo acordo, que podem acordar com todos os que a ele estejam dispostos.

Também por esta razão, não quererão os Hermínios fazer organizações com vícios idênticos às que existem, se calhar nem quererão fazer um partido da união do bem-querer e do bem-fazer, e por serem inteligentes, farão as alianças que forem necessárias com todos, pois não funcionam em contra poder nas regras de poder, são mais do poder, poder para se fazer o que está certo.

Os Hermínios não tem medo do poder, nem do exercer, nem afirmam que ele sempre corrompe. Sua visão é mais do seu contrário, pois poder é poder Ser, é poder Fazer, É Agir e os Hermínios gostam muito de caminhar, não dão por isso tiros em seus próprios pés, salvo sejam todos dos tiros, não se dizem a si mesmos, que não querem ter poder.

Os Hermínios trazem em si toda uma outra forma de ver, que separa noção de poder das estruturas de poder, pois o poder é potência, capacidade de fazer, e a sua fronteira, sua análise e seu valor, residem no que nos move e o que nos faz mover, nas formas como se o usa, com que fins em vista e do seu acordo com o Real, no sentido de o corrigir e transformar.

Mas meia razão, reconheço na impotência e frustração dos Hermínios, pois é um facto que a aplicação e vivência do poder, nos círculos que se convencionam chamar de acção e consequência políticas, exercidos nos modelos e estruturas de poder, ainda hoje dominantes, traduzem um real contrário, o do corromper, o do pouco brio, o de fazer assim assado, o de fazer menos bem feito, o do fazer sem se saber para quê, suportado em que visão com que distância, ou mesmo o nada fazer, ou ser meros bombeiros do real dos dias, atrás dos fogos e em vez de ir na sua frente, prevenindo-os.

E contudo um Hermínio só é um Hermínio quando trás dentro si algumas certezas claras

Um Hermínio sabe da natureza da palavra, político, entende-a como gestão da Casa e Sabendo Que Como Ser, Ele Próprio É Uma Casa, Una, Que Habita Com Outras Casas, Unas, Numa Mesma Casa Una e Comum e assim diz sempre que todos os actos, públicos e privados são Políticos, todos eles e mesmo a ausência deles se repercutem na Vida das Casas, A Minha, A Tua, A De Todos.


Um Hermínio é mais do Com, do que do Contra, Um Hermínio Busca Parceiros, Cria Aliados, Age Para Os Melhores Consensos Baseados na mais Completa Visão, se os outros se emaranham em discussões sem fim, infrutíferas nas vezes, exercício de egos noutras, vem-se embora e aperta no entretanto o parafuso.

Pois os Hermínios, sabem e gostam de apertar parafusos, para isso olham para ele, vem que chave necessitam e aplicam a sua vontade em fazê-lo e Fazem-no e não é por isso que não deixam igualmente de gostar de conversar sobre as formas abstractas dos parafusos futuros.

Um Hermínio Sabe Que Tem de Exercer A Sua Paciência Na Mais das Vezes, Pois Já Viveu de Tudo à Volta da Questão do Com e do Contra. Já a Olhou de Seus Diversos Lados e Escolheu Um Dos Lados Pois Apercebeu-se Que Não Há Meio-Termo Nesta Matéria, Por Isso Precisa de Uma Paciência Forte, Pois A Vontade do Bom e do Belo, Esbarra Muitas Vezes Ainda, Em Seu Contrário.

Um Hermínio Sabe que com o Com, Aumenta e Estende Seu Universo, Dentro do Universo Infinito. Um Hermínio Sabe que com o Com, Aumenta-se a Si, Aos Outros e Ao Redor, Torna-se Assim Mais Consonante Com Sua Natureza Intima, Número Múltiplo e Infinito Até Onde For Seu Olhar.

Também Pelo Com, Um Hermínio Sabe Que Não É Tarefa Simples, Trazer o Aparentemente Longe para o Perto, Ou Desfazer, Transmutando Uma Dor e Uma Raiva, Em Acolher, Acolhimento, Sarar, Reencontrar, Reunir, De Novo, Aunar.


Longe para perto, fragmentado para colado, da sombra para a Luz, da Desarmonia Para a Harmonia, Da Guerra para a Paz e do Guerrear para o AmAr.

Amor É Respeito, Amor É Respeitar, Amor É Respeito Mútuo.

Um Hermínio Sabe que Cada Casa, Cada Ser, Cada Relação Entre Seres, É Um Continuo Processo de Comunicação Entre as Distintas Partes Que Participam na Dança e Sabe que é nos processos de comunicação e do comunicado, nas formas, nos modelos organizacionais, nas formas das estruturas que a suportam e também são, que Habitam os Problemas, pois um Problema com Outrem, é de Certa forma, Algo que não se está comunicando, ou que se está comunicando mal, pois algo deixou de ser reconhecido, por uma, ou ambas as partes.

Resumindo a assim visto e posto de uma outra maneira, um desencontro é sempre um mal entendido, da mesma forma que um confronto, ou aquilo que leva aos confrontos, é um tremendo conjunto de mal entendidos.

Os Hermínios estão vivinhos da Silva, Gostam Muito da Vida, cada Um À Sua Maneira, Alimentam-se do Amor e Assim Fazem-se Poderosos, Felizes e Contentes Em Seus Agires, Espelham de Si, Seus Próprios Corações que Lhes Devolve a Imagem Resplandecente. Assim Se Gostando, Gostam da Vida, e Tornam-se Assim Dínamos, São Inteligentes e Criativos, Trazem em Si o Com, o Aunar, O Imaginar Criar, O fazer das Necessárias Pontes e Respectivos Acordares.

Não Tem Medo os Hermínios De Não Possuírem a Inteligência Necessária Para dar as Voltas Necessárias Ao Assunto Bicudo e Fazê-lo Redondo, Primeiro Desatam os Nós e Depois Pela Descoberta, Pelo Puro Gozo e Prazer de Voar, Aí Vão Onde As Asas Os Levam.

E a aplicação prática disto, é saber que sabemos, porque às vezes, nas vezes, o Poder corrompe e é corrompido, e por disso andar-mos avisados, menos facilmente aí tropeçaremos e saber as coisas decorrentes, que existem estruturas, processos e métodos de Comunicação que os Proporcionam e outras não, pois o Comunicar assenta nas Regras do Comunicar, Daquelas que fazemos nossas.

Manipular é bom, porque se não os Hermínios não nasceriam com mãos. Todos os Hermínios Manipulam e não tem sobre isso a menor, dúvida, seria como duvidar que respiravam. Os Hermínios Usam as Mãos Para Cumprimentar, Abraçar, Acariciar, Ter Prazer, Dar Prazer, Para Apertar Parafusos.

Em Suma Manipular é uma delícia, um Atributo Humano e a questão remete para a forma como se usa a mão, pois ela está no Corpo do Hermínio.

A diferença é basicamente se com ela, pelo meu dizer, pelo meu agir, levo só a água ao meu moinho, ou se reconhecendo, que somos dois, terei que passar a pôr a questão de uma outra forma, pois estão presentes duas águas e dois moinhos e assim sendo, mais real será dizer, onde, como e de que forma, é que as aguas e os moinhos se podem encontrar.

Um Hermínio anda leve nos braços do Com, levado pelo Vento do Aunar e assim sendo, a andar, correr, pular a falar ou sentado em silêncio, Vai Leve e Prestimoso Na grandeza de Seu Coração. Vai Correndo Ajudando à Esquerda e à Direita e ainda em Outras Direcções e Dá-se, Dá-se por vezes, inclusive Aos Que Espremem Os Corações Alheios Em Provimento Só Próprio.

Por Isso Um Hermínio Só É Hermínio Depois de tropeçar. E Então Que tropece, Que tropece O Mais Depressa Possível, Para Mais Rápido de Novo Se Endireitar E ficar Com Mais Tempo Para Caminhar. Para Isso Tem Que Curar Suas Feridas, Se as Houver, Lambê-las Como Fazem os Animais Feridos, à Lupa do Seu Coração, de Seu Sentir, Do Seu Saber E Do Seu Não Saber, Que Se Faz Sabido, Ou Relembrado.

Um Hermínio poderá trabalhar com todos, bater a todas as portas, dizendo, cheguei aqui estou para ajudar, mas são muitas as portas que hoje se fecham aos Hermínios porque os Hermínios, são homens livres, que gostam de andar livres, que acham que é sendo livre, que melhor pertencem e participam e contribuem para o todo, no colectivo.

Um Hermínio poderia ao limite, palavra que o Hermínio não gosta muito de usar, pois evoca a ideia de que as coisas são sempre como são ou se apresentam, pertencer, a todos os partidos, todos os clube de futebol, heresia suprema ao coração, ouço os clamores dos que clamam ao fundo, Pertencer a Todas as Tendências, Englobar Todos Os Modos Diferentes de Ver, Respeitar Tudo.

Um Hermínio radical livre em ascensão poderia Imaginar um governo, ou melhor, uma forma de governo, onde todas as tendências participassem, onde todas as áreas da vida, que necessitam do cuidar dos homens em seu dias, estivessem sempre presentes, no que houvera a cada um de participar, sem com isso perder a Estrela Da Manhã, A Bússola, O Compasso do Mais Geral.

Os Hermínios São de Todas As Cores, Formas e Feitios, Gostos e Sabores e Por Isso Andam Contentes, Oh Diversidade da Vida, Oh Pujante Vida, Oh Exemplo do Distinto E Semelhante de Mim. Os Hermínios nem se chamam em todas as vezes, Hermínios, Tem Outros Nomes E Estão Por Todas As Partes E Amam E Respeitam A Diversidade, o Distinto e o Diferente, Sem Nunca Perder de Vista Seus Corações No Coração.

E depois como é que um sistema que assenta nas regras por ele definidas, pode mudar as regras, dizes, e com alguma razão, pois se mudar as regras, muda o próprio, e seus agentes, seria como retirar a si mesmo o que tem, porque sempre o teve, difícil e improvável abdicação.

Mas a porta está aberta, existe uma porta aberta, a capacidade de grupos de Hermínios, preenchendo alguns requisitos em número e identificação poderem submeter propostas de lei ao parlamento.

Ao limite poderiam apresentar uma lei para mudar a própria constituição no que viessem a acordar necessário, dizes-me então, mas achas mesmo que os partidos a votariam, e eu a responder-te talvez, dependerá do número de subscritores, pois se eles somarem ou ultrapassarem o necessário às revisões, seria coisa curiosa, ver se os partidos não a acabariam por votar, se é que os homens que os constituem, ainda contra se encontrariam, se não se lembrassem no entretanto do fazer todo isto que também são Hermínios como todos o são.

Os Hermínios não são contra ninguém, e são múltiplos em seu Ser, podem mesmo pertencer a partidos, a clubes de futebol, terem ou não terem fé, viverem ou não seu lado divino, ou mesmo dizer que ele não existe, pois se és do partido, podes ser também do Inteiro, pôr o inteiro acima do partido, só isto, não um por exclusão do outro.

Mas isto é o pensar limite, em relação à porta que o sistema tem aberta. Podiam os Hermínios que assim o quisessem, fazer entre si, estados gerais ou novas fronteiras, ou cortes, conferências do casino, ou o que se lhe chamar.

Um por área e outro para fazer uma síntese. Se no grupo existirem especialistas em lei, podia-se então, formular leis axiomáticas, cartas de navegação com as rotas acordadas, com valores e escalas, textos curtos, claros e concisos, pedras basilares, visões partilhadas e feitas comuns, planos de acção, formas de os fazer.


Começando pelo chão, ou mesmo pela raiz do real, das coisas que não estão bem, das que funcionam em seus modelos mal, ou conduzem a maus resultados. Relembrar aquela meia dúzia de básicas regras do relacionamento, que te recordas da tua infância, e que permitiam a felicidade. E transpô-las para o adulto que és no mundo dos adultos que conheces.

Abertura
Gentil
E
Gentil
Abertura
Respeito pelo que Vive
Respeito por todos
Pelos mais novos
Pelos mais crescidos
Pelo mais diferente
Cuidado
Gentil
Ajuda
Protecção
Amparo
Quando
Assim
Preciso
For

Com
Em
Vez
Do E
Não
Eu e Tu
Eu
Contigo
Tu
Comigo




Na legolândia, as cortes eram feitas por iniciativa dos cidadãos, a partir dos seus espaços de saber, não eram como as convenções que hoje conhecemos, demoravam tempo, quando um grupo de homens ao olhar para seu terreno comum, chegava à conclusão que se acumulavam muitas coisas menos bem feitas, o que pressupunha já em sua enunciação, a existência de uma visão nascente de modificação, reunia-se então com outros pelo tempo necessário para resolverem as questões e às vezes aquilo demorava.

Um mês de debates, trabalhos para casa vários de premeio, alargar a troca de olhares a outros actores, ver da integração no resto e no todo do organizado a funcionar, até planos como a chegada a Vénus, que eram acompanhados constantemente por esses grupo de homens ao longo de vários anos, eram as situações que melhor ilustravam o velho ditado, Roma e Pavia, não, se as fez, num dia e ou leglotas, eram gente avisada, não gostavam de correr por cima dos assuntos, pois sabiam das desastrosas consequências de tal agir.

No tempo em que havia ainda partidos como hoje os conhecemos, as primeiras cortes, aprovaram a criação de um fundo que prouvesse à organização e acção dos homens que não pertenciam a nenhum partido, que na realidade era a maioria dos homens. O primeiro valor foi ponderado por média daquilo que os partidos recebiam do estado, ou dos bolsos de todos. Basicamente o fundo destinava-se a ter um pavilhão de congressos em permanente disposição, com as estruturas produtivas que lhe estão associados, alimentação, estada e diária, uma central de comunicação, campanhas e espaço variados de antena nos media.

E contudo havia também outra versão da história dos Herminios que apontava que o primeiro financiamento, tinha sido feito inicialmente por eles mesmos, pois não conseguiram tal apoio obter.

Um dia repararam que entre as cortes e a assembleia já não existia diferença, pois os deputados participavam nas cortes como homens individuais, lado a lado, e assim ficou para a frente um ou outro, pois dois era mais oneroso.

Recordavam com orgulho, aquele dia em que pela primeira vez um secretário-geral de um Partido, lá chegara, sentando-se ao mesmo nível que todos, sem prerrogativa alguma de ter ou de ser em maior espécie ou género, só se representando a si mesmo e a nenhuns outros, e lado a lado, a um mesmo nível de analise, discurso e ser, com outros se sentara. Todos ficaram encantados com o enorme saber que de repente lhe descobriam em áreas que nem suspeitavam, afinal tinha dedos bons para juntar as peças do lego, tão bons como um outro.

Depois aprenderam com os da Potagónia, a fazer rotas, eram exímios mestres do inovar, cruzavam as mais diversas realidades e produziam sincréticas visões que a muitos se tornavam Verdade e quando isso acontecia, então sabiam os leglotas, como os patagónicos e todos os outros homens, o mundo dava um pulo e avançava como um bola colorida nas mãos de uma criança, como escrevera António Gedeão.

Aprendiam a fazer, fazendo e depois de feito lá iam de novo a suas vidas, pois a vida não era só aquilo para eles, e no fundo o que eles gostavam era mesmo de resolver bem e no mais curto de tempo possível.

Tinham os Hermínios antes de tudo isto, acordado num conjunto de formas de saber quem eram, de se reconhecerem, e de comportamento, entre eles acordado.

Não queriam os Hermínios que estas novas forma de fazer e resolver as coisas tornassem a repetir os mesmos erros das anteriores, pois se o homem é homem a propensão para as causas que levam as asneiras, não se erradica de um dia para o outro, é trabalho de muito tempo, seu outro nome, ignorância.

Também sabiam porque bem observavam, que eram precisas definições mais claras do que é servir a causa pública, e das suas consequências pragmáticas na forma de o fazer.


Encontrara uma noite de verão, Viriato e seu Amigo Merlin em Lisboa.

Vira-o mal entrara na porta. Eram seis horas da manhã, entrara na tasca por detrás da Ribeira, onde vão parar, todos os náufragos da noite, e os trabalhadores do mercado que se preparam para um novo dia de trabalho. Há sempre uma sopa, um prego no prato, uma sandes de torresmos.

Lá estava ele com um seu amigo, estranha figura, muito magra e alta, com uma barbicha e um singelo chapéu a seu lado. Eram diferentes, aqueles dois sentados numa mesa ao fundo, como se de algum modo se encontrassem à parte, no meio daquela gente, alguns tão entremelados pelos vinhos, que já roncavam com as cabeças na almofada dos braços cruzados nas mesa.

O Viriato era um chefe sem tribo. Viriato poderia estar ou ter estado em qualquer dos grupos, ou em muito deles, alguns dos quais o desejariam por seu grande valor. Mas Viriato era dele mesmo e de Deus, também se dava com todos e era visto como um homem justo, ou seja, capaz de julgar com justiça, ou seja em verdade e isso granjeava-lhe sua reputação como homem que sabia medir as coisas com peso, conta e medida, em palavras lidas mais recente, que recordam dito antigo, extrair o presunto até ao osso do dito e deixá-lo limpinho, a reluzir

Sentei-me perto de sua mesa e ouvi comentar com seu amigo.

Os Hermínios aqui nesta terra, reunindo todas as tribos são pelo menos setenta mil, muita e decisiva boa gente, mas as trombetas do conclave, trouxeram respostas de nãos por parte de alguns chefes, alguns chegaram agitados, tão agitados que eu nem como chefes os reconheci.

E acrescentou,

Percebendo todo o fogo-fátuo que meu ser lança em seu passar, gostava de lhes ter dito, não se tratar de braço de força nem de exacto retrato e recordar-lhes que eles são sempre interactivos, fruto do encontro e da forma do encontro. Que lhes ficasse claro, uma coisa, que ele não tinha nada a reclamar, pois sua natureza é sozinha, chefe sem tribo, que não reclama, pois sua natureza não é do reclamar, que cada um o veja e aceite como quiser, liberdade por ele garantida, nada a convencer ou converter, mais do encontro e da ajuda e do ajudar e se não, adeus, passe bem, até à próxima se a houver e é sempre bom cruzar de novo alguém que bem queremos.


Quando se foi, deixara cair uma folha com sua lavra que então eu li e que assim aqui vos deixo como nela rezava.

Perdoem-me de passar mais uma vez a vossos olhos, como pobre e mal agradecido, pois se pobre sou, com muita honra e pela honra e não pretendo para mim próprio mais do que o necessário, no ponto onde me encontro, sentado a escrever na vida, uma mesma camisa de linho em amor de donzela trançada, me serve até ser conveniente por seu gasto, mudar.

Perdoem-me de ser só aquilo que sou e nada mais, nem aquilo que não sou, porque não o quero assim ser. O que por vezes vós vedes como gestos de ser abruptos, distanciados para o por suave, desinteressado dos outros, da vida, egoísta, egocêntrico, e tantas coisas mais, são só reflexos a vossos olhos de mim, não necessariamente aquilo que sou

Meu amor, meus amores, porque tudo o que vejo amável, é acto de amor, e meu coração que é grande do tamanho do mundo inteiro, como não poderia então amar o amor, a ele se entregar, em seus braços bailar, como se poderia virar de lado, fingir-se desconfiado. Como se fosse cego, coisa que os corações nunca o São.

É também verdade, como sabeis em vosso intimo, o coração radiante, que a vida é infinitamente maior que cada um de nós, e que o Amor que Gera a Vida, Abriga a Vida e que assim Seus passos conduzem alguns por mais invulgares caminhos e por vezes é certo, a mais invulgares comportamentos, a olhos outros.

Homem que é sempre projecto, homemprojecto, seu verdadeiro nome, sempre em expansão, no seu crescer, no seu decidir e no seu agir, como Estrela radiante e à imagem e semelhança de uma, iluminando universos e novos versos sem fim, grandes e inteiros na inteireza de ser de uma Estrela.

Oh encantos dos meus olhos mil, serenos voares em doces palpabrejares, lagos de encantos doces, praias de areia doirada, onde me sento e descanso em teu regato, encanto companhia, companhia encantada, que tecem as mais belas histórias de amor, no recanto que És, Senhora, quando assim a mim te ofereces.

Mas encanto dos meus olhos, às vezes, a vida é cruel, e acrescentava, mas a maior crueldade é, os que Amamos, não poderem saber a Verdade e a Grandeza do Amor que Lhes Temos.

E contudo o manto que cobre o homem é negro também, e lá puseram, mil nomes, que correspondem a mil faces dos homens, coisa que é de não levar muito à letra, porque uma cara, seja de homem ou de um cão, está sempre a variar, como o homem varia, donde não será difícil de deduzir, que serão mais de mil no tempo da vida de um homem, já que o homem se move e interage com o redor e o redor com ele.

São idênticas e diversificadas em todo o comprimento da Beleza, que como todos sabemos é Senhora Muito Alta, Alguns mesmos, que sempre existem, se atrevem a dizer que nem fim terá, quando ela assim o deseja e faz acontecer, ou quando a assim a acarinhamos e transportamos.

Mas se os mil nomes que esse homem transporta são verdadeiros, no sentido em que esse homem os viveu, de alguma forma os experimentou e porque a Vida assim o Quer, então diz-se desse homem, que ele conhece verdadeiramente seus irmãos e se for a intenção de Amor, do Amor que é Justo, como o Amor sempre o É, que lhe norteia seus passos que a Vida Lhe dá a Passar, será esse homem bem aceite e estimado por muitos, muitos solicitam tal homem, suas habilidades, seu saber, oferecendo acolhimento e protecção de suas casas em suas tribos.

E assim acabava o seu escrito papelinho.


…..


Ah
Assim
Fenecem
As
Flores

Não
Se
Desperte
A
Besta
Da
Revolta
Senhores
Pois
É
Isso
Que
Fazem
Sem
O
Saber

Presumo
Eu
Fora
Do
Julgamento
Do
Julgado
Do
Julgar

Assim
O
Espero
Que
Seja

Santa
Ignorância
Daquela
Que
É
Santa
Porque
Não
É

Nem
Mal
Faz

Ignorância
Como
A
Minha
A
Do
Asno
Que
Sou


Brincamos
A
Quê
Com
Coisas
Sérias
A
Brincar


Fala o silêncio, daqueles que não foram fadados pela inteligência, ou não os deixaram aprender, daqueles que não singram nesta vida, nestas formas com estes valores, porque não os aceitam, não querem ser assim, não querem assim viver a vida, estas noções de realização e sucesso, do salve-se quem puder, não importa para o outro, com que custo.

Fala silêncio, daqueles que não são visíveis como aqueles poucos que tornamos visíveis ao olhar comum e que assim se agigantam como sobre eles por vezes queremos fazer, agigantar nossos pedidos, súplicas de desespero, na esperança da confirmação, do que já se sabe, pois assim o tem sido na mais das vezes, arrisco dizer, com face no chão, olhando o chão em vergonha, e sentindo a besta da revolta agitar-se, perigosas águas que não quero despertar, que não são para despertar, como sabem os homens avisados da sua força.

Ah homens que se esqueceram de duas coisas que conduzem os homens à revolta, e que quando assim se tenta submeter alguém, só se cria a semente da revolta que por vezes leva à violência, Como se o pode esquecer em nossos passos no dia a dia, já não é preciso recuar à história, nem dela saber, é assim, os dias de hoje, basta olhar em qualquer direcção e sempre isso se vê. Ah Homens, por que ainda não o apreendeste

A primeira, a mais velha, a asneira mais básica, a pior cegueira, o mais estúpido agir, o mais gago, o mais coxo, o mais burro de brincar.

Tentar calar a consciência alheia, pois a revolta é proporcional ao calcamento, quanto mais pisa a bota, mais se abre a alma, mais grita o espírito.

Poderoso verso, eu aqui te conjuro, podem prender meu corpo mas não podem prender meu espírito e a Alma

A segunda, mais velha ou tão velha como a primeira, filha e pai da primeira é a hipocrisia, pois quando a hipocrisia salta a terreiro, fazendo sua entrada na dança, é como um vento que alerta e se espalha e revolta de pronto os corações dos Homens que andam com os Corações acertados, que pretendem ser justos em seu agir, que pretendem ser justos no seu agir com os outros.

É um fogo que se espelha, que se espalha nos homens acertados que andam com os corações acertados, que leva a que sua pele se erice perante a injustiça ou a prepotência.

Homens que quando com estas situações se cruzam, na mais das vezes actuam, não se enredam em dúvidas do pântano das inacções, e saltam a terreiro, em defesa dos agredidos, pois são homens que conhecem os homens, que vem a diferença das forças em presença e instintivamente se põem do lado dos mais fracos, nas situações em que o forte abusa, tudo isto para alem e aquém dos juízos de valores, que são sempre posteriores a esta reacção instintiva dos homens acertados com seus corações.

Homens que não defendem a via da força, do confronto, do espezinhar com e sem confronto, e de seus consequentes abusos, que a tentam evitar, pois são homens que tendem a mediar, a separar quando é de separar para depois unir, pois esse é seu, rumo, seu Norte em seus passos.

E se estas duas razões são engrenagem universal, dos ventos e fogos, os concretos nos corações dos homens aqui, as coisas são diferentes, pois se a capacidade incendiária é potencialmente uma mesma, mas nem todos acendem o mesmo da mesma maneira e todos tem distintos saberes em seu fazer.

Até onde estendes teu conceito e tua vivência de irmandade, somos de facto todos iguais, ou alguns são mais iguais que os outros

Será que todos têm as mesmas capacidades e oportunidades

Como devemos proceder face àqueles, que tem menos ou nenhuma capacidade de contraditório

Fala silêncio, daqueles que não são poderosos, que não se podem ou não sabem tão bem se defender, porque não tem dinheiro para pagar a sabedores advogados, que o mais que arranjam é um estagiário, quinze minutos antes, a começar a perceber o caso, à luz do que ainda pouco percebe, arriscado número de circo, bem como andar no arame, em que nos pusemos, nós que pugnámos por uma igualdade de tratamento entre os Homens, em que dizemos e afirmamos e dizemos que assim agimos, como poderemos tranquilizar nossas mentes, nossos corações ao saber, que assim vazamos no real dos dias e do tratamento real entre os homens.

Fala o silêncio da pergunta que ficou silenciosa, de que parece que no sistema da justiça, tinha resultado um saldo positivo e se assim foi, porque não se aplicou de imediato esse dinheiro em garantir bons advogados a quem deles precisa e não os pode pagar, pois uma das infelizes traves é a realidade de existirem duas justiças, uma para ricos e outras para pobres, uma para os poderosos, outra para os fracos, assim muitos o percepcionam porque o vivem.

Difícil, a capacidade real de contraditório de um que assim se encontre.

Não é trave da justiça, a igualdade no tratamento, independente da condição ou do dinheiro. Não é a justiça vendada à aparência do homem.

Liberdade e censura são como dois extremos de dois pontos que atravessam os homens, seus pensares e seus agires, quando se vai muito para um lado, quando se estica um o outro costuma vir atrás, até ao dia em que assim não for, porque tanto um como o outro se encontram a bailar em equilíbrio em cada homem e entre eles e os outros seres.


Eu sempre vi situações e acções de censura ao longo da vida em Portugal. Não só as vi antes do 25 de Abril como depois e fui nalgumas vezes confrontado com elas.

Antes de as viver, vi vivê-la a geração de meus pais e sobretudo sempre vi os Hermínios, gente livre e sem clube, como os mais, por ela afectados, pois este Pais está cheio de pequenas retículas sobre retículas de organizações diversas, de todos os tamanhos e feitios, interesses de todos os feitios, que aqueles que preferem andar mais sozinhos, por não sentirem que é assim a vida, são nas vezes marginalizados.

Em termos prosaicos se não és do partido, não progrides na carreira, na empresa, sobretudo se ela for pública, pois aí, a relação e mais próxima, mais envolvente.

E que todas as retículas existam e continuem a existir, mas sem existir para combater a do lado, mais dar a mão, garantir que se respeitam todas, se dão mútuos ares para respirar e viver, para poderem ser, verdadeiramente ser, no que são, não por oposição.

Quantos valores, quantas ideias, quanta energia, nos demos ao luxo de pôr e desperdiçar nas prateleiras ao longo das gerações porque não é cá dos nossos, não nos jurou fidelidade, donde não é confiável, quando a realidade aponta nos mais dos casos, seu contrário, que são esses, os que não tem esse tipo de dependências, que são os mais confiáveis.

Eu sempre vi estranhas dependências entre os poderes políticos e os negócios, quanto mais não seja porque os negócios são feitos por humanos, coisas que os políticos também são, e por essa razão mais separados se calhar deveriam andar.

Talvez se o politico fosse o que serve, mais que, o que é, servido. Talvez se o politico tivesse noção das gentes do País, talvez se o politico como servidor fosse o primeiro a fazer os sacrifícios quando a situação não vai boa, pelo menos assim aumentaria sua credibilidade e adquiriria simultaneamente uma boa motivação para a real correcção.

…..


Na potagónia, a situação está preta, cerca de 20% da população está no limiar da pobreza, o que equivale a dizer, viver com menos do equivalente a dois euros por dia.
Os deputados saíram para a praça no meio do povo e um falou e disse.

Irmãos, esta situação não nos deixa dormir bem a nenhum de nós, nem trazer os corações tranquilos, a visão que os potagónicos tem do outro, é de respeito e de ajuda e não podemos deixar que assim aconteça.

Agora mesmo decidimos, reduzir em 75% os nossos salários, por um período de três meses, que aqui nos comprometemos, os bastante para resolver esta situação e se tal não acontecer, como sabem todos, pois a regra mantém-se, nesse dia, deixamos o cargo à vossa disposição, que sejam por vós nomeados outros e contudo sabemos, que se a situação aqui chegou, não foi só por nossa responsabilidade.

Há algum tempo atrás, numa outra altura do saber e do fazer público, em situações menos desafogadas, um dia, os potagónicos decidiram mudar as coisas e definiram então que os salários dos que serviam os outros, que tinham funções públicas específicas, por assim dizer, pois todos as tinham, era definido pela média de todos os salários do país, nem mais nem menos, e que este mecanismo tinha sido usado para separar as águas, pois seu baixo valor, afastava de imediato os que queriam mais e que assim por vezes, usavam o poder inerente as coisas públicas para, por assim escrever, para mais seu proveito único.

Tinham ficado para servir, aqueles que acham que servir é sua função no mundo.
Tinham ficado para servir aqueles que não queriam para si, aquilo que muitos outros ainda não podiam ter, no plano material das coisas da existência do correr dos dias.
Tinham ficado para servir, os que nisso encontravam sua razão de viver, não os que servindo, mais se serviam, pois para os primeiros, ser servido, é servir

É bom lembrar a quem já se esqueceu, que a Potagónia, é um sítio muito avançado, as pessoas vestem de todas as cores e já não existem adereços dominantes em número como as gravatas que se viam no século passado, os mais altos dignitários andam em pequenos carros não poluentes e económicos, e já há muito tempo que os homens não se julgam nem se auto avaliam em função dos objectos ou do dinheiro que tem.

É bom também lembrar, que o tempo dos mandatos não era na Potagónia uma questão pertinente, pois os potagónicos gostavam de andar entretidos com muitas coisas e assim o tempo que dedicavam ao bem público era só, o que era necessário e seu tempo era definido pelo tempo necessário para compor e acordar, o que se apresentava imperfeito, inventar as formas que a coisa bem funcionasse ao longo do tempo e depois, e depois, a coisa funcionava quase em piloto automático, cada um cumprindo a sua parte no dia a dia, sem grande necessidade de um controlo central activo e constante no tempo, pois a fluidez e a transparência dos sistemas das coisas dos fazeres e dos afazeres, isso mesmo, a todos e a qualquer momento garantia.

Já os potagónicos tinham compreendido e acordado em seus corações ao longo do tempo, que mais inteligente era fazer com e não contra e portanto estas tristes motivações, que noutro tempo aconteceram, já se tinham de vez ido.

E depois, sendo a Potagónia muito rica, chegara a esta situação, num mundo, onde ao lado, num mesmo tempo, as coisas se apresentavam bem pior.


A mesquinha concorrência entre pares, que em vez de se dedicarem a promover suas naves e a nave maior comum, preferem passar o tempo a torpedear as do lado, das mesmas gentes, seus próprios irmãos, pois a visão e o saber são pequenos, para voos sobre céus mais largos, que por o serem, lhes retiraria em definitivo qualquer sentimento de falta de espaço, de claustrofobia, ah se sonhassem ao menos quão maiores e mais belos se podiam tornar, se sonhassem como seus corações bateriam de felicidade do bem querido e do bem feito. Quão mais fácil seria a vida de todas as gentes, visão da alegria.

Pensa, mas pensa bem, pois do pequeno se faz de mãos dadas o grande, assim se torna mais fácil e o pequeno maior, e nós somos pequenos por natureza e tradição ambiental, por assim dizer, vivemos num país pequeno num mundo grande com muito maior riqueza que nós, e ainda com a agravante de não a usar-mos, nas vezes das melhores maneiras.

E um homem que não pode conduzir seus negócios porque não presta vassalagem por essas razões, não é então um homem censurado, como é burro quem o censurou, pois se esse homem tivesse produzido o que podia ter produzido, uma parte teria revertido para Todos.

Tanto é o contrário a Iniciativa Individual, nos negócios, estruturas ausentes que por mãos dadas lhe aumentem o peso, deficiente comunicação entre diversos níveis do estado e quem empreende, tanto que torna quase impossível tentar ser o que se quer neste domínio, como se a realidade estivesse sempre a fazer tropeçar, a convidar à desistência, soprando incessantemente, desiste, não vês que sozinho não dá, pois isto só dá para os que estão organizados em seus grandes pesos, com múltiplas conexões entre as distintas retículas de poderes vários que espartilham as acções, os territórios e os fiéis.

E organização deveria ser coisa mais do neutro e do activo facilitador, dar para todos, não só para alguns, que assim vivem nas vezes às custas alheias e do alheio.

Este País não tem a vastidão e o número da América, aqui a escala continua mais provinciana, toda a gente se conhece, cabem todos na palma da mesma mão e são muitos os que andam sempre nas palminhas e o mercado tem nas mais das vezes, o nosso tamanho das nossas mãos e das palminhas das mãos em que uns andam, outros às vezes, outros não.

Todo isto são formas de censura e depois, que é mais antes, existem muitas questões em torno e na base destas matérias que nem sempre são hoje claras, fruto da mutação que se opera e se vive.

Acções doiradas, que mesmo em situação de minoria no capital, em concordância com os preceitos que regem as sociedades, permite-lhes grandes poderes, nomeação de administradores, imposição de linhas estratégicas de acção, mas se assim o é, em termos práticos muitas vezes tal não tem sido fácil de fazer, ou não existe noutras mesmo vontade o fazer e ainda noutras se calhar nem ideias orientadoras existiram, para serem avaliadas e prosseguidas.

Se um grupo, ocupa pela dimensão em que se torna, uma fatia considerável do mercado, poderá assim pôr em causa, a liberdade de outros relativa a esse mesmo mercado. A liberdade dos outros pode ser assim afectada, por estrangulamento económico, impossibilidade de vingar financeiramente o seu projecto, porque a quota que resta de fora da alçada de quem tem a maior, já não chega para ele e para os outros que se apresentam a jogo, ou e também porque aquele que tem a posição dominante a utiliza para moldar regras, por exemplo baixar determinado preço de uma mesma oferta, que inviabiliza financeiramente a oferta alheia e consequentemente a sobrevivência dos outros e é por estes considerandos que os estados e os governos produzem legislação e velam sobre o acordado nestas matérias.

Em suma as regras da concentração e do que se acorda como justas regras de concorrência, que pressupõem, como sempre, por detrás, uma visão, uma ideia de caminhar e do que esse caminho valoriza, valorizam uma ideia de liberdade que deve ser garantida.

No outro lado da balança do mesmo paradoxo e sintetizando, pode-se dizer que numa economia e num mercado global, felizes serão os países que tiverem empresas com a dimensão para nesse tabuleiro jogarem, o que no caso do nosso tecido empresarial, corresponde a 5 % desse universo. Se nisto concordar-mos, que serão felizes os países que as tiverem, pois podem ser agentes, motores, ancoras, e fonte significativa de receitas, a gestão da concentração e concorrência, ou liberdade e segurança, se se preferir, tem que assentar numa regra dinâmica entre os grandes e os pequenos, onde nenhum seja atingido em favor de o outro, pois só assim, nenhum se torna mais pequeno, e a ideia, espero eu de que, é que todos se tornem maiores até onde for sua natureza, e maiores assim nos tornemos todos como colectivo, como país.

Pelos vistos a equação não está a funcionar muito bem em diversos níveis e já em meu ver pelo menos há uns doze anos, altura em que se verificaram os primeiros sinais e movimentos tendentes a essa circulação, não é de ontem, nem foi de repente, e não foi um ou outro erro pontual, que permitiu chegar onde hoje se pensa ter chegado. Tem sido mais à mal-portuguesa, do pensamento dos mecanismos das coisas, sua efectiva funcionalidade e impacto, melhor será dizer, da sua in funcionalidade e pouco impacto e das benesses que foram sendo concedidas ao longo dos tempos, por um ou por outro poder politico enquanto governo, e que me recorde, todos os têm feito.


E se bem que temos leis que regulam estas matérias, concentração, liberdade de pensamento e de escrita, temo-las muito imperfeitas, como todos disso se deram conta há já muitos anos e o problema é que não se corrigiram em tanto, aquele que é necessário, para que as coisas funcionem melhores.

Recordo uma vez no senado, década de noventa, século passado, jornadas de reflexão da Alta Autoridade para a Comunicação Social e eu menino em mim de mim, a começar como de costume a ver as coisas pelo se nome, que é aquilo que diz da sua natureza.

Alta Autoridade, Alta porquê, e se havia uma Alta, haveria Outras Baixas, o que apontaria para que umas teriam mais autoridade que as outras? E todas estas questões lá foi inquirindo-as, pois os nomes que os homens põem nas coisas, revelam se bem olhados a natureza das coisas na forma como ela é olhada. Até Hermes em seu dizer, o que está em cima é como o que está em baixo, e o que está em baixo é como o que está em cima, veio ao baile, mas a realidade é que a AACS, como quase todos nesse tempo concordavam, já não se encontrava mais apta para a sua função.

Bem, função havia e há, mas os tempos mudaram e se a função não é adoptada a estes, o que geralmente se obtêm, é um funcionamento parcelar, que não equaciona o todo e por essa razão tende a falhar uma resposta eficaz nesse mesmo quadro ou limite.


…..



São precisas visões e conversas transdisciplinares e Holísticas, como o Homem o É e não esquecendo que elas visam os sincretismos necessários ao agir e que não se confunda sincretismo como afirmação de uma unidade que se sobrepõem as partes, mas sim seu contrário, aquela que permite entender de forma comum uma mesma questão, com seus múltiplos lados e correlações, que projecta a Luz necessária à visão partilhada, que então acontece e que permite então o entendimento sobre o mais correcto agir

A visão holística é como olhar para uma fotografia que é sempre um pedaço da paisagem em redor que se encontra ausente pela vontade de quem a enquadrou e ver todos os seus elementos da mesma forma, ou para melhor dizer, sem hierarquias, cada qual pelo que é, que valor naquele momento encarna per si e em relação aos outros elementos que constituem a imagem com a sua presença.

E tudo isto não é a visão holística, aquela que então aparece ao entendimento de quem a olha, isto é mais do processo, do método da forma de ver holística.

Pois visão é o que deriva deste método de ver, visão é imagem inteira, quando todos os elementos presentes e ausentes, cada um por si, com seu significado e significante próprio se integram na consciência de quem observa, através de um sentido, uno, que vê as diferenças únicas de cada elemento, mas consegue correlacioná-las num todo, num sentido que todos abarca, por integração em dinâmica correlativa como um sistema sempre o é, mesmo que uma fotografia pareça só ser, redução bidimensional das outras dimensões do espaço humano e figuração de objectos ausentes nas suas forma físicas originais, no todo que a imagem una sempre é, e que quando assim Aparece e assim se Torna.

São precisas visões integradoras que respeitem todas as partes, pois só assim poderemos avançar na solução de realidades que mostram como todo o que o homem criou e cria se encontra ligado entre si, em profundos e confusos emaranhados, no tempo actual, no fim de uma certa noção de império, um império que está a chegar ao fim, um império

Por outras palavras ainda, visão holística, e uma proposta de construção, de sentido, que é atribuído pelo que observa, e como cada qual é como cada qual, único, a partir do momento que são dois, não só existirão inicialmente, dois pontos de vista distintos sobre o observado, como uma ou outra se aproximam mais ou menos da natureza da coisa observada, naquele momento do tempo e do espaço, pois vejo uma coisa com tudo o que sei e simultaneamente não sei e porque esta relação é uno é múltipla, no sentido em o observador está em eterna mudança nesse mesmo paradoxo, pois o que hoje sabe e não sabe é diferente do que sabe e não sabe amanhã e dessa forma por correlação entre o observador e o observado, como sempre se pensou e disse, é ela própria dinâmica, onde o objecto e a imagem que dele temos, a cada momento distinto do tempo em que o observamos, será ela própria distinta, e um objecto, número, númem é indissociável da sua percepção, seja ela qual for e de que forma se apresente, se manifeste ou seja adquirida.

No plano do Agir, aquele que é decorrente dos homens e do seu cruzar de passos
A coisa é de dois pontos de vista e em respeito por cada um, estabelecer uma visão que permita ver o objecto de uma forma comum, sendo aqui o comum, de uma forma que a ambos seja compreensível e para que isso aconteça, tem que se estabelecer a abertura, coisa de natureza oposta ao tipo de abertura que fazem as pistolas, as espingardas e outras coisas assim, pois esse tipo de abertura, não cria o entendimento, pois um partiu, só ficou um outro sozinho depois de ter feito desaparecer o primeiro e assim de grão a grão na terra haveria de ficar só um, triste ideia, cenários a afastar, trús, trús, que se lhe enfie, este capuz.

Pode-se trocar objecto por politica de Irmandade da Terra, ou ecologia se se preferir,
Por politica contra a fome e a miséria, por politica de saúde e educação, por Irmandade do Claro Auto Desenvolvimento Em Sustentação, ou politica energética ou financeira.

Kioto, ainda não é uma imagem comum, sendo comum entre os homens, os necessários para criar acompanhar as súbitas mudanças que tendem a ser as mais tumultuosas, que as coisas provocam por necessidade de expressão de um acumular de tensões não resolvidas, quando as referências anteriores, a diferenciação do Saber de Ontem para o de Hoje, os valores que se estruturam no ver, no modo como vemos em seus limites momentâneos, a pequena peça, primeira, do puzzle, as ideias mestres, as pedras do caminho e os axiomas da acção. Mais do pensamento sincrético do que eterno desdobrar do analítico.

A Imagem de Kioto ainda não é comum e uma Imagem que não é ainda comum, que ainda não se tornou comum é como estar numa clareira com arvores ao fundo, com muitos a volta e de repente tivesse aparecido de permeio uma gigantesco gaze, semi transparente, um bocadinho mais para o escuro, agitado pelo vento, e todos os que olhavam o fundo da paisagem não mais conseguissem vê-la com nitidez, tipo, seria uma arvore, que forma estranha que se move, não sei qual é a sua forma, seu corpo, sua cor, poderia ser a conversa intima de quem assim via, e como todos, naquele momento viam assim, a imagem do fundo da natureza, um belo e quente por do sol, daqueles que promete os verãos do amanhã, não era por todos acordada como tal, como se cada um ficasse numa espécie de nevoeiro solitário ainda que no meio da multidão, e o Sol a pôr-se escondido, pois ele põem-se e levanta-se mesmo que eu não veja seu deitar.

A Imagem tremelica, o acordo não se faz, porque a imagem oscila, entre a noção da Mãe Terra como Casa Comum, Ser Vivo, como Outro, Ser que Nos cria e Acolhe e da relação Amoroso de seus Filhos para Com Suas Mães e o medo imenso de não o saber como fazer, que leva a uma falta de Fé, de que é possível fazê-lo, de que mais, é urgente inverter esta dominante de rei, explorador, conquistador face a um Ser Imensamente Maior e tão complexo como o Homem o É, a Flor o É, o Pássaro o É, a Estrela o É.
E certamente a Terra tem suas línguas, nós é que as vezes, parece que nos esquecemos delas, de as saber escutar.

A Imagem tremelica, porque não é claro, nítido e conciso o caminho por onde se deve ir, porque se tem receio de que a mudança dos modelos produtivos possa levar a males humanos piores, crises financeiras, cenários de depressão, maior desemprego, maior miséria, maior doença.