segunda-feira, dezembro 13, 2004

Hoje meti o cartão na ranhura, e o saldo era o mesmo que já lá estava, nenhuma dávida, nenhuma moeda plástica ou visível. Não há almoços grátis, diz alguém, e parece mesmo afronta pedi-los, vai trabalhar malandro, vai trabalhar malandro, fala o silêncio da resposta e eu digo-lhe então, se temos cabeça e mãos é para pensar, para experimentar e se a experiência não funciona, faz-se outra e contudo eu sempre crio, talvez possa a isso chamar trabalho, quem sabe, que eu não.

Convido-te para almoçar na minha casa de campo, aquela precisa da minha imaginação. Cultivei as sementes e sirvo-te uma salada. Seu preço foi o do meu trabalho, das sementes que comprei e do prazer que tive em te servir, em comer contigo um almoço que afinal, bem feitas as contas e mesmo que a água venha do céu e que a luz seja a do sol, sempre me custou em dinheiro alguma coisa.

Agora vou pedir uma tenda emprestada e acampar num qualquer jardim da cidade, com um letreiro em cima, estou em greve geral pela vida, e a quem lá quiser passar e perguntar, lá explicarei os porquês.

Porque há guerra, porque há fome, porque há miséria, porque há ignorância, porque há desamor, porque este sistema fede. Não voto em mais nada, não quero um bilhete de identidade, não quero um número de contribuinte e não quero ser um escravo, carne de canhão de um sistema que nem existe, nem sei para que serviria se existisse mesmo, mas a vida é aqui também.

200 mil com fome, 20% das Gentes do meu país a viver com dois euros por dia e vivam os intelectuais das opiniões deles que tentam fazer alheias, e os que governam, embora não saiba o quê.

Então rapaz, era tudo mentira?
Não, é tudo verdade

E depois se Deus o ama, ele tem que ter tudo o quer, pois se se apresentar frágil e derrotado aos olhos do mundo, então Deus não estaria com ele nem ele com Ele.

Seja feita a Tua vontade, que eu não estou zangado, nem pouco mais ou menos, mais que menos abaixo da linha de qualquer zanga e a bitola de Deus é toda uma outra, a sonda dos corações no coração, espaço íntimo da Tua presença em mim, em nós e de mim em Ti.

Não sei porque, parece que andam muitos a rirem-se. Ainda bem, pois sempre é bom, rir, e para além de tudo, hoje e daqui em diante é dia de festa cósmica.

Pensam que ganharam alguma coisa, peguem lá todos os prémios a que tem direito e riam-se muito, muito, pois a vida é talhada para a felicidade.


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Carta ao Senhor Presidente do País Onde Moro


Senhor, eu penso que gosto de si, pois vejo-lhe a emoção nas vezes nos olhos, lágrimas de compaixão, que me provam a existência de Deus, mesmo nos olhos de um Ateu, pois a consciência do coração é uma mesma, em si, em mim e no outro ao nosso lado e como se poderia ficar inalterável ao mesmo sofrimento que se espelha no irmão ao nosso lado, só mesmo, se fossemos autistas e nos víssemos como ser único no mundo.

Os homens que se emocionam e nas vezes choram, tem um canal aberto ao coração e o coração é sempre um mesmo em corpos múltiplos, iguais, distintos e infinitos e é esse canal, o sítio onde mora a consciência.

Somos todos filhos da Vida, que nos anela e anelando em seus braços nos vamos, assim, mais ou menos se exprimiu um poeta, e eu quando nasci, trazia uma carta branca em meus olhos e meus passos e uma caneta que a Vida me deu para com Ela a escrever, nada mais, nada menos, um projecto de ser em liberdade do Ser.

Muito admirei vossa geração de homens, essa que lutou como é comum dizer-se, pela liberdade dos homens na nossa terra, alguns por essa luta outrora caíram e a memória nos faz sempre recordá-los e amá-los, pois são grandes aqueles que concretizam essa mesma liberdade.

Já por diversas vezes nossos passos se cruzaram, a primeira vez ainda o Senhor era o Presidente da minha Cidade Amada, e assim uma vez entrou numa das minhas casas. Não o fiquei esperando à porta como se fosse um momento eterno de êxtase, pois o telefone tocava e não parava e nesse dia havia como noutros outrora muito que fazer, mas não creio que tivesse ficado ofendido com esta minha falta de protocolo, pois acabamos cumprimentando-nos em alegria depois da sua gravação, assim o recordo e ambos por cá ainda andamos, a viver todos os momentos que a Vida assim nos quiser agraciar.

Creio que se recordará sempre dos meus afectos quentes e sorriso grande aberto e contagiante que sempre me surgiu quando consigo me encontrei.

A última vez que consigo estive, foi em Belém em nossa bela casa, onde habita, e recordo a estranheza que se me entranhou, pois informou-nos que voltaria ao assunto uma semana depois, coisa que não creio ter acontecido, ou pelo menos assim os homens que comigo estavam, mo disseram, não o ter feito.

Não quero julgar ninguém, mas saberá também como eu, como os homens se entregam à mentira e a facilidade com que às vezes o fazem, na mesquinhez com que assim aviltam outros e os viram uns contra os outros, nos chamados combates em favor dos seus pequenos bolsos próprios ou mesmo políticos.

E são rápidos os homens em seu julgar, pois todos vimos nos últimos tempos como aqueles que num dia defendem e dizem respeitar o poder que lhe está atribuído, quando com suas decisões concordam, e no momento seguinte o criticam, quando já não estão de acordo com os seus pressupostos, tão rápidos como o vento inconstante que lhes sopra nas vezes em seus corações.

E contudo não sou eu um homem perfeito e santo, como aquele que creio ter sido seu amigo e que no outro dia se foi de seu corpo junto de nós em provecta idade e longa vida. Um homem que era entre muitas coisas o médico que deixava seu próprio dinheiro na mesa dos seus doentes sem posses para comprar os remédios de que necessitavam, e que segundo me constou, disse publicamente no final da sua vida que nunca tinha feito intencionalmente mal a ninguém.

Em meu ver, a justiça dos homens se imperfeita, é ainda necessária e é por esta razão que também lhe escrevo esta carta do fundo do meu coração, pedindo seu conselho, que me dará ou não, mas por favor não me diga que a quadratura do circulo das leis nada lhe permite fazer, que não tem poderes executivos ou que sua acção está manietada, pois eu sei das duas mãos e pés que tem, do coração que bate dentro de si, como eu, ou aquele ao nosso lado.

Que os tempos estão difíceis, bem sei, alias pelas suas próprias palavras no acto em que recebeu o prémio pecuniário pela sua acção na compreensão entre os homens no Mundo, quando disse, que desta vez o dinheiro ia ser para si, pois a situação estava difícil e eu que o vi dizer tais palavras, vi seu rosto e pensei para mim mesmo, isto está mesmo negro pois até o Presidente o diz, e contudo concordará comigo que são muitos mais os que estão bem pior.

E me recordo de um outro homem do nosso País, que também desempenhou as mesmas funções e quem depois de exercer seu cargo, todos nós, por decisão dos nossos representantes, lhe foi atribuído se não me erra a memória, 800 mil contos para digitalizar os arquivos de sua fundação.

Mas é da justiça humana, o assunto que hoje me leva a escrever esta carta e aqui hesito, pois se me sinto injustiçado, entre e por alguns do homens meus irmãos, sei de todos os outros bem piores do que eu. Assim como poderei pedir justiça, como poderei pedir justiça para mim mesmo sem a pedir para todos os outros, não dá, não dá na minha consciência, e depois são tantas as injustiças que seria preciso escrever um livro muito maior que esta carta. Não sei se começo por mim, ou pelos outros, mas começo desta vez por mim, que sou homem como um outro.

O Senhor é um homem como eu, também, com a diferença de encarnar a mais alta figura do estado do meu País e como não acredito mais na funcionalidade da justiça dos homens em tempo útil e real e porque não tenho com que pagar a nenhum advogado, nem tenho tempo para esperar por duas vezes dez anos e as prescrições dos processos, porque não sei de nenhum advogado que salte a terreiro para processar o estado português, pois parece num primeiro olhar, que a coragem se afastou do coração dos homens aqui na nossa terra e contudo não é assim pois é no coração que ela sempre reside.

O que vejo são os secretos compromissos, as secretas benesses inconfessáveis que na coisa pública e privada uns outorgam a outros, dentro dos seus clubes mais ou menos secretos, um dar por debaixo da mesa de todas as regras aparentemente acordadas entre os homens e digo que se tornam aparentes, pois esses actos que vejo nas vezes praticar, acabam por tornar uma espécie de regras do real, que esvazia o próprio real na hipocrisia que contém e que assim o espalham como doença contagiosa, o descrédito no Mundo e o que fazer quando as regras aparentemente acordadas deixam de funcionar, como posso então pautar a minha conduta, sabendo sempre a resposta, em Amor e Pelo Amor.

Sacos azuis, corrupção em todos os níveis das coisas pública, compadrios em todos as direcções, benesses de todo o género para aqueles que aparentemente são poderosos, pelas ligações que têm e pelos cargos que ocupam, e uma sensação baseada na percepção real, que a esses, que assim agem, nada lhes acontece a não ser a impunidade e a permanência de seus actos e um sistema judiciário que não dá resposta que pelas leis deveria ser dada, porque não tem meios, porque não lhes dão os meios, para isso, pelo contrário os sonegam, os que sabem que assim é mais fácil a permanência de este estado das coisas.

E no País da Republica Portuguesa, aqueles que não pactuam, que não fazem as vénias nem aceitam este constante estrupo das regras, são marginalizados, postos nas prateleiras, cozidos em vida em banho-maria, estrangulados ao nível do seu trabalho e da contribuição que querem dar, e aqui entre estes, muitos, me incluo eu, também.

Sobe-me à memória algumas questões lapidares, infeliz palavra que em relação a algumas delas é mesmo verdade profunda, pois é de lápides que se põem sobre os corpos das Gentes, que se trata.

Recordo que depois do 25 de Abril, eram 24% os analfabetos em Portugal. Assim fizeram num verão, os estudantes, campanhas de alfabetização, recorrendo a um inovador método inventado por Paulo Freire e como muitos outros, fui ensinar pelas terras do interior do País. Em dois meses foi-me possível como a muitos outros, ensinar a ler e escrever a cerca de 17 pessoas e levar e passar a exame da 4ª classe uns outros sete, que passaram. Estava em Amêndoa, uma vila onde as pessoas nessa altura, por não terem estradas, tinham que levar os doentes em padiola, montanha e vales acima e abaixo, em pleno Inverno, para chegar ao médico mais próximo. Recordo ainda que Amêndoa, embora se encontra-se a cerca de 70 km da cidade do distrito mais próximo em linha recta, demorava-se nessa altura um dia inteiro a lá chegar, de comboio, camioneta e a pé, pois esta era a solução do movimento.

25 escudos, era, se não me falha a memória, o valor que cada um tinha para viver durante a semana. Ficamos numa casa paroquial, que nos foi gentilmente cedida para o efeito e assim vivíamos, ajudando as pessoas nos campos, que nos trataram nas palmas de seus corações, que nos convidavam sempre para comer, nos ofereciam queijos, legumes, couves e que estavam muito felizes, por nos terem lá. Na casa paroquial, que se encontrava fechada há alguns anos, encontrei um projector de 35 mm e uma impressora de setêncil manual, que tentei compor sem sucesso durante as noites.

Recordo também uma noite, onde comecei a ouvir gatinhos a miar, incessantemente e assim sai para a rua e encontrei-os fechados no saco de serapilheira, e os soltei levando-os para casa, onde uma das raparigas acabou por adoptá-los e traze-los para viver consigo em Lisboa. Perguntei no dia seguinte às Gentes, o porquê de tal acto e disseram-me que não os podiam alimentar e que assim os abandonaram e depois falamos, de que se fosse para abandonar, então que lhes dessem hipótese de se mexerem, quem sabe se tornariam selvagens, o quanto bastasse para sobreviverem nos campos.

Nem uma centena de quilómetros mais ao norte, um grupo de alfabetizadores, tinha sido corrido à pedrada, pelas gentes que pensavam ou tinham sido levadas a pensar, que eram comunistas, daqueles que comiam criancinhas ao pequeno-almoço e assim chegaram um dia a nossa casa, escorraçados. Era um tempo no meu País, onde coisas dos géneros se passaram.

Mas o que foi revelar para mim, de que os caminhos da democracia, não iam bem, foi o facto de que, se a campanha teve sucesso, como pude comprovar directamente, com a mão na massa, como não se fizeram depois nos anos seguintes e porque dessa forma não se erradicou o analfabetismo em Portugal.

As estatísticas e os números em Portugal, variam estranhamente, como todos já nos apercebemos, mas é um facto que ainda hoje existem creio que 14% de analfabetos, último número de que ouvi falar, e a conclusão que tirei, é que o novo regime, a democracia, preferiu por um véu sobre este problema à frente dos olhos, como quem diz, o problema resolve-se, a número diminui, porque com o tempo as gentes se vão embora de seus corpos. Estranhas opções, e feitios, como muitos outros que sempre se viram em democracia. Bem sei da herança do regime anterior nesta matéria, pois os 24% já existiam antes do 25 de Abril, mas no fundo, bem no fundo, nesta matéria, terá havido assim por escrever, uma tão grande diferença entre os dois regimes?


Entre-os-rios. Veio a justiça dizer que a queda da ponte não dependeu directamente da extracção das areias e que sim, que poderá ter mesmo sido assim, mas também é verdade que muitos avisaram em seu tempo e repetidamente que ela se encontrava em condições muito degradadas, e que o Estado e consequentemente o governo, não actuou como deveria ter actuado, na primeira vertente que é a da prevenção pela normal manutenção das estruturas, que na altura como muitos disseram, foram desmembradas e esvaziadas das suas funções, por quem na altura governava.

Depois esses políticos, afastaram-se das luzes públicas durante um tempo e agora de novo alguns se apresentarão a votos de novo e a pergunta, meu Presidente, ou melhor, Presidente do meu país, é, como é que eu poderia de novo neles votar, como posso de novo confiar num sistema e estruturas politicas que assim agem e que não são responsabilizadas e sendo que não estou a pretender julgar ninguém, pois são as consciências de cada um que se julga a si mesmo, antes de mais e que o que é importante é que tais situações não aconteçam, porque as formas de fazer e governar, as previnem de acontecer e sabendo que mesmo assim, por vezes elas acontecem.

Recordo como muitos vem dizendo à muito tempo de se esvaziar, de não dar meios ao combate à corrupção e aos crimes de favorecimento e de evasão fiscal.

Recordo e tenho presente em mim, que à data no meu País e constatado já há alguns meses que existem 200 mil pessoas com fome e que 20% da população, pelo menos dois milhões vivem naquilo que se convenciona chamar de limite de pobreza, ou seja com menos de 2 euros por dia, que como alguém me dizia, não podia acreditar como é que as pessoas podiam viver com esse rendimento diário.

Recordo e trago presente em mim, as queixas ao longo do tempo sobre a situação da saúde, da educação, dos rendimentos, dos flagelos e doenças epidémicas no meu País, e pergunto-me todos os dias como é que este sistema as deixa assim arrastar a piorar de dia para dia, com a agravante de na mais das vezes se gastar cada vez mais dinheiro para as suas respostas sem que os resultados se melhorem.

Recordo e trago presente em mim, o caso das crianças abusadas de que já muitos ouviam falar há mais de vinte anos e que foi também o tempo necessário, para que tal viesse à luz pública, tempo exagerado, para um assunto de tal natureza e que ainda não se encontra averiguado.

Recordo e trago presente em mim, uma conversa com um Juiz do organismo encarregue da verificação e auditorias das actividades económicas dos organismos do estado que me disse um dia, há muito tempo atrás, da falta de meios que tinham para cumprir a sua missão e não deixo de frisar mais uma vez a necessidade para que a justiça se torne real, de ela poder ser feita em tempo aproximado ao real, e de sentir mais uma vez, pois só posso ainda sentir e não verdadeiramente saber, como é estranha a coincidência no tempo, de nesta última crise politica se ter afirmado publicamente, que o Senhor que figurava o primeiro-ministro, terá contas a prestar relativas a outro dos seus cargos públicos desempenhado há alguns anos atrás, pois se assim é, primeiro revela que esse tempo de averiguação não é o certo, pois deveria ter acontecido antes e depois não deixa de se insinuar em mim, a dúvida de que tal eventual facto, visto ainda não ter sido definitivamente averiguado, ter vindo agora à luz pública, não seja mais uma vez, argumento da tal batalha politica que os partidos entre si fazem com regularidade e constância, desde que a democracia foi fundada e que reforça um sentir que todos sentem, que é isso que mais conta, não verdadeiramente o apuramento da verdade do que se passou ou se vai passando.

Por mim Senhor Presidente do Meu País, o que me tem acontecido é ser estrangulado em vida por nem sei quem, nem sei que grupos organizados, que me torpedeiam com alguma constância o meu caminhar, nomeadamente ao nível do meu percurso profissional. Muitos são as ideias, os projectos, desaparecidos, que depois aparecem feitos por outros, com a habilidade necessária do roubo juridicamente inatacável. Mistérios cobardes daqueles que assim preferem agir, sem mesmo dar a cara, quando enterram os punhais.

E o que é isto, se atender a outros que forma mortos nessa altura conturbada e que ainda hoje não se sabe, nem se concorda, se foram mesmo mortos e quem os matou.

E depois Senhor Presidente do Meu País, a relação entre o cidadão e o estado tem que ter algum equilíbrio e quando assim não acontece, como não acontece, o cidadão tem o direito moral de não cumprir o acordado, pois a relação é de mando e subserviência, que não são as traves, no qual o estado deve assentar. E equidade de tratamento ou na relação não existe.

Assim Senhor Presidente, gostaria de lhe perguntar, se com o poder que tem, nomeadamente o de averiguar, se me pode ajudar a compreender, porque tais coisas me tem acontecido e quem são os responsáveis. Perguntar-me-á para quê e eu lhe respondo, para os perdoar, e para os perdoar, preciso de saber quem são, só isso. Perdoar e obter um pedido de desculpas do estado, extensível a todos os quantos tem sido perseguidos e injustiçados por este regime, a que se chama de democrático.

Depois gostaria que o estado criasse um fundo de indemnização para todos aqueles que têm sido perseguidos, torpedeados, diminuídos em vida por este regime. Eu aceitaria de bom grado, quatro cheques do estado, um para mim, cujo valor deveria ser o cálculo médio dos rendimentos dos que operam na minha área, vezes os anos que a minha empresa não teve acesso regular e normal ao trabalho e que são para efeitos de cálculo, 12 anos de penosa sobrevivência empresarial, mais o dobro mais um, repartido nos três restantes cheques endossados, um a Unicef, outro a Ami e o último às Organizações que em Portugal combatem a fome. Explico-lhe o porquê deste mecanismo, é simples, é que eu de acordo com a minha consciência, decidi dar desde há algum tempo atrás metade mais um dos meus rendimentos aos outros, a quem dele necessite.

Eu por mim, vou brevemente acampar ao lado daquela árvore de natal, que está montada em Belém, no primeiro dia que lá estiver irei depositar no Palácio, nas mãos de quem o receber, o meu Bilhete de identidade e o meu cartão de contribuinte, e uma cópia desta carta, entrando desta forma em greve geral pela democracia. Não greve da fome, pois para mim a vida é sagrada, e portanto não me parece lógico actos que contra ela atentem, seja a minha ou a de outros, fome só passarei aquela que tiver de passar por não ter rendimentos, não por opção.

Lá ficarei, aberto a quem passar, explicar as minhas razões e se me quiser enviar algumas sobras das refeições do palácio, as aceitarei de bom grado. Vou verificar se o mandamento de Jesus, funciona ou não nos dias de hoje, preocupa-te só com o pão de cada dia, ou seja, sem interesse em acumulação para o amanhã, pois para alem de tudo a validade dos alimentos é curta como sabemos. O tempo o demonstrará.

Estarei também à disposição de todo os que me solicitarem ajuda para resolver os problemas da vida. Gostaria mesmo de começar por ajudar a resolver os problemas da fome no meu País, reunindo se quiserem, passar por lá, as entidades que a combatem e ver de que forma se poderiam criar as necessárias sinergias, inovações e integrações que permitissem uma solução definitiva para este flagelo.

Também possuo conhecimentos em outras áreas nas quais poderei ajudar

Na expectativa da sua resposta ou comentário, subscrevo-me com consideração


Paulo Forte



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Carta Aberta ao Presidente da Câmara da Minha Amada Cidade de Lisboa e aos Comandantes das diversas Forças da Ordem.


È Natal e uma árvore de natal foi montada em espaço público, na zona de Belém. Entendendo espaços públicos, como espaços de todos, eu, como ser, como qualquer outro ser, tenho direito a ter tanto respeito como uma arvore, que mesmo sendo de metal, não deixa de ser minha irmã, pois a celebração do natal é também humana e feita pelos humanos.

Venho assim pela presente pedir todas as autorizações que entendem para lá acampar, montando uma pequena tenda, que certamente ocupará menos área do que a dita arvore e sendo certa que não custará ao contrário desta, nenhum dinheiro à comunidade.

As razões do meu acampar encontram-se explicadas em carta aberta ao Presidente do meu País, publicada em espaço público no meu blog ourosobreazul.blogspot.com

Com os meus cumprimentos, aguardo se assim o quiserem, vossos comentários.

Se me quiserem levar preso, que me levem, mas autuar é que lhes pedia para não fazerem, pois não tenho dinheiro, para pagar multas e depois se não as pago vou para a cadeia e sendo assim é melhor que me levem logo para lá.

Paulo Forte


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Carta Aberta aos Agentes da Justiça do Meu País e ao Senhor Ex bastonário da Ordem dos Advogados.

Diversos tem sido os processos que a minha empresa tem sido alvo e todos eles foram a julgamento num espaço médio de dois anos. O único que a empresa pôs, acabou de prescrever sem ter chegado ao tribunal.

Sem alongar tudo isto, pois passou no entretanto dez anos, gostaria de lhes pedir um comentário ao que passo a expor.

Nos primeiros três, quatro anos, o processo encontrava-se na secretaria do tribunal. Comecei a perguntar ao advogado, o que se passava e ele me foi respondendo, que era assim, até que um dia ele me explicou, off the record, como muito está em voga fazer-se, que sabe, os processos estão em pilhas, e basta alguém dar qualquer coisa, para que a posição relativa na pilha seja alterada. Atónito, perguntei, está a propor-me que pague algo mais para além das taxas dos preparos e de justiça, para que a coisa ande mais depressa? Que não, mas que era assim que se passava. Mais um ano ou dois e lá o convenci a ir-mos os dois ao tribunal para ver a pilha e perguntar o que se passava e lá vi a pilha, e lá perguntei ao funcionário e depois a um juiz, se se passava algo estrambólico, por assim dizer, como o processo, ao que me disseram que não.

Nos entretantos do passar dos anos, e mais ou memos de ano a ano, um telefonema do meu advogado, sabe não se consegue citar o Senhor, as moradas que temos dele, não correspondem, por acaso não pode saber onde é que ele está, e eu que não o sei, mas o que o Senhor diz, é que eu me devo transformar em meirinho, ou agente de justiça, já agora aconselha-me a fazer o julgamento por minha conta, que não, e eu, olhe, é não é possível pela segurança social, pelas finanças saber onde ele mora, que não, que a lei não permite tais cruzamentos de informação, e eu, era bom que sim, pois assim saberia o tribunal como o citar. Adeus, até para a o ano.

Depois para aí, no nono ano, lá se fez o julgamento sem a presença do acusado, tendo o tribunal procedido a condenação e mais uma vez não se encontrava o Senhor. Depois apareceu um advogado da outra parte para chegar a um acordo com o meu advogado, afirmando a outra parte que não tinha recebido as notificações e que por essa razão iam impugnar a decisão.

Depois, depois e depois, o tempo lá foi passando, as horas, os dias, e os meses até que mais uma vez, um mesmo telefonema, não sabe onde ele está, e eu, que não, mas olhe lá, não houve uma reunião entre os dois advogados, se assim foi certamente que o advogado dele terá uma morada, ah, boa ideia, mas há o sigilo profissional a que estou obrigado e assim só o poderei fazer se a ordem me der autorização, para isso e eu, então e vai pedir, e ele que sim, e depois passado uns tempos, mais um telefonema, que o Ordem, o conselho e o próprio presidente, não lhe tinha dado a autorização e entretanto, no entretanto, dez anos passaram e o processo prescreveu, quer pôr outro, e eu, deve estar a brincar, mais dez anos, para quê.

Estão bem montados os processos!

Quem protege tal Senhor, se é que houve alguma protecção especial, ou se é assim mesmo, só por consequência de como as coisas estão montadas e porque é que a Ordem não deixou a meu advogado levantar o sigilo sobre esta matéria final, e já agora que solução têm os especialistas nestas áreas para resolver estas realidade e já agora também, porque ainda não o foi feito?

Com os meus cumprimentos e na expectativa de um esclarecimento de tais transcendentes mistérios

Paulo Forte

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Carta Aberta As Finanças, à Segurança Social, A Burocracia e aos Burocratas.


Porquê?

À Segurança Social.

Mais ou menos em Junho, que foi o ultimo trabalho remunerado que a minha empresa teve, disse-me a RTP na altura que em virtude de a empresa não ter declarações de ausências de dívidas à previdência, procederiam à retenção dos 25% através de um cheque que me davam para ir entregar directamente a SS. Bem sei que é assim, se bem que antes acontecera o seguinte.

Como sócio gerente da minha empresa tinha tomado a alguns largos meses atrás a decisão de suspender os meus salários, à espera de um novo mundo melhor, para ser mais prosaico, à espera de tempos mais desafogados e perguntando a técnica de contas, ela me disse, que deveria fazer uma acta. Depois mais tarde, tempo ido à segurança social, me informaram, que tinha uma divida, pois não pagara os descontos, e eu , pagar descontos de quê, visto que eu não recebo? Mas a lei diz, que tem que ter pelo menos o salário mínimo, e eu, mas eu não recebi nenhum salário, quanto mais o mínimo e de repente lá tinha mais uma divida.

Quando recebi o cheque lá foi a SS e disse-lhes, mesmo partindo do principio que eu devo algo, este cheque é de montante superior, vão-me devolver o restante, visto que eu não tenho dinheiro, a empresa também não e portanto faz falta, ah, não fica em conta corrente, e eu, que conta corrente, mas olhe se o valor é superior como é que o banco o aceita, ah aceita não se preocupe, e eu desconfiado, mas o banco aceita geralmente um cheque no valor exacto das folhas de pagamento. O Senhor preenche as 12 folhas em falta e depois vá ao banco.

Trouxe as 12 folhas para casa e fiquei a olhar para elas durante três dias sem a mínima vontade de as preencher, pois saberão que elas demoram muito tempo a serem preenchidas, pois a inteligência de quem as pensou seria certamente extraordinária. Só para dar um exemplo, o campo do nome, para quem tem nomes compridos obriga a usar uma lupa e fazer uma letra microscópica, sendo que aquilo me demorou mais ou menos umas três horas a ser preenchido e lá foi ao banco para entregar que não as aceitou nem ao cheque porque o valor não batia com o montante das folhas.

De novo foi a SS e me disseram então, entrega aqui as folhas e depois vai levar o cheque ao IGFSS (banco da segurança). Chego à caixa da SS e o Senhor que recebe as folhas, diz-me, não precisava de ter preenchido as 12 folhas, bastava só uma, e eu, obrigado pelo esclarecimento, foi pena não o terem dito logo e lá parti para o IGFS.

Chego ao IGFSS e ninguém percebe o assunto, ninguém quer aceitar o cheque, até que lá vem um quadro técnico superior, que me diz, a RTP deveria ter-lhe dado uma declaração, tem que lá a ir buscar, para eu poder aceitar o cheque e eu lá foi buscá-la a RTP, que mo deu, se bem que me disseram não saber de tal procedimento.

Deixei também lá uma carta a pedir que fizessem as contas e me devolvessem o excesso e até agora, não obtive nenhuma resposta. O dinheiro está lá a render juros e a tapar deficits.

E já nem vou agora contar o relativo às finanças, pois só o escrever isto, me retirou a o resto da paciência, pois já não tenho paciência para estas coisas, esta forma de não fazer bem as coisas a que me obrigam e obrigam os Portugueses e já estou fartinho. Façam o que entenderem e adeus.


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Meu Pai, Ajuda-me a ter paciência, inspira-me a paciência do coração, pois no outro dia, sem moedas no bolso, quando um irmão me veio pedir uma, eu respondi-lhe meia oitava acima do meu normal eu, género, não lhe possa dar, pois não tenho nem para mim e reparei dentro de mim quão mais difícil é dar quando não se tem mesmo nada para dar.


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Ontem um Amigo, disse-me que tem uma tenda e um saco cama e que se calhar me vai emprestar. Fiquei contente. Um outro me deu 20 euros, foi comer uma sopa e um pão com chouriço e agora tenho de acordo com o que acordei com a minha consciência de dar os outros 11 a quem eu achar que precise.


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Todos somos iguais e diferentes e portanto o caminho de cada qual é o de cada qual. Não me passa pela cabeça impô-lo a ninguém à minha volta, mas convido quem quiser a vir acampar comigo em Belém.

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Alguém averigua porque razão a AXA, segundo me informaram, retirou recentemente das apólices, a cobertura sísmica. Será que sabem mais alguma coisa sobre terramotos, sua previsão, do que eu ou tu?


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Carta Aberta à Portugal Telecom



Antes de mais, os meus agradecimentos por me ter recebido.


Como combinado, através de si, à Pt.Com me dirijo, numa última tentativa de chegar a uma conclusão dinâmica sobre o relacionamento entre a primeira e o Canal Zero, pois com substância posso dizer que sem a Portugal Telecom existir, não existiria o Canal Zero, na forma que se veio a conhecer.

São ambivalentes os sentimentos que transporto neste momento do tempo, mais de dois anos passados do lançamento do Canal Zero, televisão on-line, e ao olhar a relação com a Portugal Telecom, pois este pouco profícuo trajecto de parceria negocial, tem acompanhado as vicissitudes da reorganização da empresa e dos seus negócios, pois recordo-lhe, que começou em parceria com a Netcabo.

Por um lado,

Só posso agradecer o apoio que a PT foi dando ao longo deste tempo, através dos protocolos que permitiram o aparecimento do Canal Zero sustentado tecnicamente em parte pela própria PT.

Por outro lado, quando me fez a demonstração da nova versão SapoXl, não deixei de sorrir, ao verificar que muitas das ideias que o Canal Zero desde seu início, concebeu, implementou ou visualizou, acabaram agora por aí, ser concretizadas.

Sorrio por ver mais uma vez, agora o que já sabia ontem, entristeço ao perceber a pobreza da relação que temos, a falta de visão pragmática que permite melhores desenvolvimentos para as partes mutuamente envolvidas.

Há mais de dois anos que tento em nome do Canal Zero, estabelecer os parâmetros de uma relação que permitisse a solidificação do já feito e seu desenvolvimento, que fosse benéfica para ambas as partes. Escrevi diversos documentos estratégicos, apresentei diversos powerpoints, estudos, projecções financeiras e mecanismos de negócios, memos, pensei e formulei diversas propostas, cheguei mesmo a apresentar uma proposta de clausulado de contracto.

E sei também que esta informação que foi sendo produzida, bem como o aparecimento do Canal Zero, por si mesmo, foram factores que contribuíram para o desenvolvimento da vossa praxis nestes domínios.

Triste fico, quando um projecto pioneiro e inovador em termos mundiais no tempo do seu aparecer, com destaque mundial em sites do outro lado do mundo, como aconteceu no Japão, ao lado das grandes cadeias mundiais como a CNN, algumas das suas ideias norteadoras, são depois por outros concretizadas nem dois anos depois, como por exemplo o projecto da Telefónica, parceira da Portugal Telecom, que já lançou serviço semelhante na zona de Catalunha a titulo experimental.

E mais triste fico quando vejo desperdiçar receitas, no meu País que tanta falta tem delas, onde empresas de grande porte, como a Portugal Telecom, são actores fundamentais pelo seu peso relativo na nossa economia, tanto para o bem como para o menos bem.

Atendendo ao que lhe disse no encontro,

Que a Latina Europa é co-proprietária conjuntamente com a Empresa Senso Comum, da Aplicação e da Gestão dos Conteúdos que lhe estão associados, não continuará a existir como empresa, visto que ser esta a minha vontade, na qualidade de sócio gerente da primeira.

Que o Canal Zero, possui uma concepção, filosofia e intenção diferenciada do SapoXL, mais aberta, vocacionada para conteúdos outros, que os vossos, que aposta na área da divulgação mundial da cultura e criação nacional e que tal, poderá ser equacionado e sustentado também, como sempre o afirmamos, numa perspectiva de criação de receitas e lucro, se bem que esta exploração comercial, só tenha sentido se integrada na existente pelo vosso lado.

Pois convêm recordar o Canal Zero, pugna por automatismos e não visa a criação de estruturas pesadas para a sua execução, pois este é um dos aspectos e eventual vantagem, caso disso se saiba extrair vantagem, da natureza destes novos negócios.

O Canal Zero, viu reconhecido a sua qualidade e inovação pois foi premiado com um financiamento via candidatura ao POSI, numa perspectiva complementar, a 50% do respectivo financiamento das empresas proponentes, que se encontram uma em fecho, e ambas sem possibilidade financeira de acompanhar a parada, pois suas capacidades de investimento se esgotaram na prossecução do Canal Zero até ao momento.

O que eu proponho a Portugal Telecom é basicamente o seguinte. Se tem sido tão frutífera a relação indirecta, poderia assumir a Portugal Telecom a administração e continuidade executiva do Canal Zero, entendendo-o na sua natureza mais vasta, como instrumento outro, complementar, não concorrente, e não contraditório, aos que já tem.

Eu por mim, como já o afirmei repetidamente, continuo interessado em pensar e criar as condições para a concretização do pensado, minhas ideias não se esgotam no domínio exclusivo do Canal Zero, como diversas vezes já o especifiquei, e esta poderia ser a linha da continuidade da minha colaboração.

Especificamente nas áreas de criação, direcção de concepção e desenho do projecto, planificação, agenciamento e produção e controlo de conteúdos.

Eu estou plenamente convencido que muito poderiam continuar a ganhar com semelhante modelo, pois estou por perfil, experiência profissional e saber, num local único para poder fazer as necessárias sínteses entre conteúdos, formas de os comunicar e TI.

Devolviam a capacidade financeira as empresas que suportaram os custos do projecto comparticipando em metade do investido. 75.000 euros.

Seria também uma demonstração cabal, do que a meu ver, é a correcta atitude das grandes e motoras empresas, positivamente valorizada por todos, pela sociedade, porque potencia, ajuda a concretização de ideias inovadoras que as pequenas e inovadores pequenas empresas lhe apresentam, ou o outro caminho da asfixia, do de diferente escala, da diferente ideia, pelo desejo único do elefante em maior elefante se tornar, sem deixar espaço ou possibilidade ao alheio.

Pois é um facto, que um dos problemas estruturais no desenvolvimento destes novos negócios é ainda uma definição pouco clara sobre a cadeia de valor, nomeadamente aquela que advêm da relação do tempo da duração do tráfego, nas redes internas, versus as externas. Velha questão que a parceria, com seus diversos interlocutores, veio falando e ao longo do tempo. Por outras palavras e em termos deste caso, boi que tem ido à frente puxando carroça, não viu de alguma forma, em pasto, seu esforço reconhecido.

É certo que agora, que o futuro anunciado e de alguma forma protagonizado pelo Canal Zero se tornou presente, as condições ambientais também se alteraram, progrediram e estamos no momento, em que algumas das ideias de negócio de inovação, como a inserção de spots publicitários (televisivos), são ou serão a curto prazo sustentáveis e a Portugal Telecom certamente encontrará os caminhos para tal, o fazer.

Os recentes desenvolvimentos de certificação e de confiança publicitária, por assim escrever, a isso tem ajudado.

Tem a Portugal Telecom, de certa forma a espada de Damocles na mão, sendo o pescoço, aqui, salvo o seja, o do Canal Zero, pois cabe também à Portugal Telecom, o reconhecimento ou não, daquilo que o Canal fez, da validade da sua contribuição, e da sua justa ou injusta retribuição e do interesse na continuação das sinergias.

Muito de acordo com os sinais do tempo e as conversas sobre concentração e suas repercussões no real, na iniciativa dos outros agentes produtivos, da sua capacidade ou não de singrar, do papel dos grandes face aos pequenos, se há uma pratica de entreajuda nacional ou não.

Uma proposta.

Exploração comercial do Canal Zero, feita por vós de acordo com a natureza do Canal Zero e seus planos e objectivos comerciais.

Dotariam o Canal Zero dos restantes 50% do investimento complementar ao fundo aprovado (50.000 euros) e passando a ser vossa a responsabilidade administrativa, para um ano de actividade nas condições genéricas anteriormente propostas, ou outras que se venham a acordar.

Por motivo de encerramento da empresa, e de forma a salvaguardar um património único no domínio do audiovisual, proponho a aquisição do arquivo, suportes e direitos a ser disponibilizado via o Canal Zero.

Esse arquivo é constituído por obras completas, algumas nunca exibidas em televisão, uma biblioteca de clips nacionais e estrangeiros, material em bruto nunca visto, nas áreas da criação cultural. Este arquivo deveria ser integrado no Canal Zero, também numa perspectiva que contemplasse e garantisse futuros negócios vod e pay perview.

Bem sei que aqui haverá por assim dizer um pequeno cisma entre nós pelo que me foi dado a ver, pois não entendeis que estes conteúdos correspondam aos que consideram nucleares e estruturantes e onde consequentemente apostam, mas por isso mesmo, não serão concorrentes, não se farão mutuamente dano, serão mais complementares e permitirão ampliar e diversificar a oferta, pois sabemos que a reprodução de conteúdos equivalentes em multiplataforma é solução que puxa a carroça por pouco tempo.

E de qualquer forma, tudo o que se fizer nas TI, estará cada vez mais dependente do que se fizer e da forma que se fizer ao nível dos conteúdos.

E de qualquer forma uma parceria com alguém criativo e visionário como eu, se bem definida e com sabedoria orientada poderá ser muito profícua em termos de novos produtos e negócios, pois as ideias vão geralmente à frente e são elas que desenham e criam as possibilidades dos novos negócios.

O Canal Zero é um projecto de comunicação horizontal entre Portugal, através e explorando o potencial de banda larga, e deste para o Mundo e sendo que comunicação engloba tudo, cultura, informação e negócios.

Uma ferramenta da língua, da criação e do conhecimento português, uma ferramenta de comunicação e um conjunto de produtos e serviços em cascata a derivar, se tal for a vontade e a habilidade.

Um parceiro inteligente verá no Canal Zero, um laboratório do qual se alimenta, e um Protagonismo de serviço público a Portugal através da Difusão Mundial da Sua Identidade, da sua criação, da cultura e do conhecimento e com este poderá contribuir para a criação de redes cujos níveis de cruzamento e efeitos transcendem em muito o seu sentido inicial, pois é um facto que a Portugal Telecom se encontra em 22 países.

Um parceiro inteligente verá também no Canal Zero, um negócio.

Uma PT inteligente sabe da equação cada vez mais pertinente, que regula a aferição da oferta, e dos compromissos e agires que empresas desta natureza e dimensão tem e serão cada vez mais chamadas a protagonizar e que seu sucesso dependerá da forma como o desempenharem.

Vai longa a missiva, e não quero abusar mais da sua paciência e assim sendo, a termino, pedindo então que se aconselhe com quem de direito para me puder comunicar a aceitação desta, ou uma outra que queiram entender formular, ou ainda um adeus, passe bem.

Esteja e sinta-se perfeitamente à vontade em qualquer das hipóteses, que escolham a melhor, aqui fica meu desejo, e terminava pedindo-lhe o favor de ser breve na sua resposta, pois como sabe tenho ainda um conjunto de outras questões e parceiros que aguardam respostas em função desta nossa definição.

Mais uma vez agradeço à Portugal Telecom e a todos aqueles com quem contactei directamente até ao momento, todo o apoio dado ao Canal Zero, Agradeço em nome de Todos a oportunidade que ajudaram a criar para divulgar a música nacional nestas novas tecnologias, aqui e além-mar.

Na expectativa da V. resposta
Com os meus cumprimentos


Paulo Forte
Autor e em Nome do Canal Zero