terça-feira, dezembro 20, 2005

A quem de direito.


Um Senhor contou-me de um amigo que ficara gravamente magoado entalado numa porta de metro. Ao que parece os sensores de pressão das portas ou a própria pressão, ou ambos, não estão bem regulados. Será bom verificar esta situação de forma a que ninguem mais se magoe.


Calhou estacionar no parque subterrâneo do Martim Moniz e reparar num cheiro forte a CO2. Falei com o Senhor da segurança vendo mais um ou dois funcionários na sua casa subterrânea.

já reparou
sim...
e porque não se resolve?
existe alguma avaria no ar condicionado?
não, não existe, só um exaustor que não chega para a encomenda.

CO2 em grande quantidade e frequencia pode ser fatal.



(Poema em linha recta de Álvaro de Campos, interpretado pelo actor João Grosso e juntos em forma de imagem e áudio por mim. Filmado nos idos de meados de 90 e reeditado em 2001.)


Poeta amado, amado poeta, tanto eu me vejo em ti, tanto tu te vês em mim, dos dois seguro estou.

Heresia gritarão ao fundo alguns, como se ousa comparar. Sabes Poeta, Agostinho da Silva dizia de ti, que o maior poema que tu tinhas feito, eras tu próprio, pelo facto de teres existido, pois que poemas são os poetas, não foste tu que cunhaste os versos, Deus dispõem, o homem sonha e a obra nasce?

Tu mesmo, o múltiplo, faces de cristal na via da serpente, não eras tu que criavas nevoeiros quando determinados barcos ancoravam no Tejo?

Pessoa como pessoa, se não foram os irmãos que em caridade te cuidaram terias ido na maior miséria, se calhar nem uma cama de hospital.

Muito eu me vejo a ti nas vezes igual rabiscando invenções em efémeros guardanapos de papel com que se fazem naus catrinetas que se diluem no Tejo. Formas imaginadas de ganhar a vida que um Poeta também come e deseja ser livre como seus versos. Pessoa, poeta, poema, pena pena, asa que voa no ar, tempo sem tempo estar.

Sabes Poeta, se hoje te encontrasse na Arcada do Martinho ou descendo o chiado convidava-te para um copo, dir-te-ia se já não o soubesses que Poeta Maior Amado Por Muitos Te Tornaste em várias línguas enroscadas pelas tuas letras.

A vida é por vezes fina ironia, ouvi dizer que teu amigo Sá Carneiro se matou por amor a uma mulher não correspondido e que quando seu caixão percorreu as ruas em Paris, uma jovem mulher terá dito, oh que pena, um poeta, como eu o teria tanto amado.

Sabes Poeta, o baú com teus escritos foi vendido depois de te ires à biblioteca nacional, dizem os pássaros que pela modesta quantia de cinco mil contos de reis. Os eleitos mergulharam na tua letra decifrando-a e pouco a pouco foram sendo organizados os livros, que muito mais receita, imagino terão dado, ah Poeta se fosses hoje vivo espantar-te-iam as tiragens, os números das reedições, os estudos que sobre ti e a tua obra pelo mundo se fazem, estarias rico, rico em dinheiro, pois de resto nunca foste pobre.

E deixa-me contar-te Poeta, teus manuscritos estão todos ou quase todos digitalizados, qualquer dia, alguém em qualquer lado do mundo poderá folheá-los à distância como se os tivesse impressos ao perto na mão, viajam rápidas as letras nos dias de hoje e se hoje aqui em corpo estivesses, se calhar não ficarias a olhar os navios, irias num deles, mas depois quem sabe se assim os poemas teriam nascido.

Sabes Poeta, o menino que está interpretando a linha recta foi há cerca de 20 anos alvo de um processo por ter estado num programa de uma tecnologia que se dá pelo nome de televisão onde ousou cantar o hino nacional em versão rock, foi um escândalo nacional, mais ou menos como quando aquele menino que tu gostavas e que dava pelo nome de Almada, leu o seu manifesto anti Dantas.

O refrão continua o mesmo, as armas, as armas contra os canhões marchar e os poetas deste país desde meninos que se perguntaram, mas não é um bocado louco para além de aqualquer coragem caminhar assim de peito aberto contra os canhões e à medida em que foram crescendo outras perguntas surgiram como, se não será mesmo melhor, viver em paz sem guerras e bem sei que sobre isto falaríamos mais de que uma noite pois já o temos vindo a falar.

O quinto império, o do espírito, continua seu seguro e fiel caminho, os homens se irmanam para além das diferenças, pois não lhes resta mesmo nenhuma outra via, estamos assim por dizer numa espécie de ultima batalha, onde o homem pode dar cabo dele e de sua casa às suas próprias mãos.

Temos um Poeta que se candidata a Presidente da Republica é que no outro dia jurou defender sempre a Paz e Fazer promovê-la em Todo o Uno Mundo e foi o único dos candidatos que assim o disse, que achas? Só se esqueceu que por questão de coerência teria que mudar a letra do hino, mas ainda irá a tempo, se quiser, claro está, que esta questão é muito quente,ouve-se dizer, mas um Poeta gosta do Fogo.

E se bem que não me possa rever em quase todos os adjectivos do teu poema, Os homens e o país continuam mais ou menos na mesma.

Os direitos de autor sobre a tua obra, caíram de novo no domínio público e agora qualquer um os poderá livremente trabalhar, pois para além do que antes teria que se pagar, estava sempre salvaguardado os que a ela podiam ter acesso e os que não e chega pois um Poeta que escreveu o banqueiro anarquista sabe disto tudo. Para os mais cansados, escrevi novamente, pois eles sempre estiveram no domínio público, não é aí que habita também o espírito? Mas o homem tem por vezes estranhas habilidades, como fazer aparentemente ausente o sempre presente.

Despeço-me Poeta por um breve instante, tu que vives em mim desde idos tempos, é natal, tudo está funcionando irregularmente, as bichas, as compras, um stress de natal num só dia quando os pinheiros são verdes todo o ano.


Amo
Te
Muito
Poeta

Abraço
Forte
Muito
Forte