domingo, dezembro 03, 2006

Tuas mãos Senhora em minhas mãos, minhas mãos em Tuas mãos.

Abriu-se-me o peito
Rasgo fundo
Violento
Em
Seu
Rasgar

Vos
Quis
Como
Sempre


Beijar

Acalentar

Espelho Senhora, me fiz por um longo momento de dias Seu
E depois de a cumprimentar, a tristeza pousou em meus braços
Pois Quente Fora minha Intenção e Vontade e as trovas me falam do Frio em Que Ficou.

Ah Amada, rasga-se o coração um pedacinho em pedacinho quando sente o sofrer em Sua Amada, mesmo ao longe Amada e a Beleza e o Belo Expressam a Mesma Linguagem do Amor e eu procuro-te sem te procurar, na esperança de te encontrar e não será ainda o nosso tempo, digo-me racionalmente tentando convencer o pedaço frio e ausente da Flor que mora ainda em meu coração.

E me falou o vento de luto e eu Senhora, me disse, cego que sou, cegueira que por vezes magoa na verdade do acertar no que não se sabe, no que se trás sabido sem se saber e a verdade é em parte cega e o amor é sempre maior que a verdade e é Ela parte Dele.

Mas não deve a parte pôr-se ou ser maior que o todo

E me falou o vento de violência e de brados ao céu
E me falou de me ir embora
E me falou de ir bugiar ou pentear macacos

E me falou de solidão, de repente, quando se olha o nosso coração fora do peito a bater por breve instante nas palmas das nossas mãos e assim o vemos claro e de frente e percebemos que estava só, que o coração nos diz exacto naquele momento que estava só, sozinho e nos diz, vês agora o que eu te tentava dizer e tu não ouvias, era só isso o buraco que sentias dentro de teu coração, todos os corações e o os corpos onde habitam necessitam de amor, de amarem e de serem amados

Ah Senhora Rainha que vi a sua tristeza sem me dar conta de nela habitar a dor e esqueci o que sempre sabemos, que não nasce a primeira em campo diferente da segunda.

Ah Senhora Rainha
Duas São
E a Luz do Amor
Me Trás Cego a Teu Ver

Me
Dizes
Ser
Eu
Teu
Demónio

Mas
Não
O
Sou
Eu


A Senhora Rainha, que a corte nem existe e funciona como tal, e muitos interesses de toda a ordem se agitam e mexem e tentam levar o vento a suas próprias velas e as flechas flecham meu coração,

Ah Senhora Amada, só vos posso servir a Vós de escudo, interponho meu corpo a estas flechas dos negros ou cinzentos espíritos.

Cada vez que nos aproximamos rainha do meu coração e quando assim em parte é visível ao olhar alheio, logo vem uma flecha, um, ou muitos, ou poucos logo de permeio tentam invisíveis muros de espirito entre nós erguer.

Ah Senhora que o Amor Nos Liga a Todos Os Amantes Seres Que Vão Amando e eu me perco dentro das Imagens de Todo o Amor, sem saber Qual o Seu, Ah Senhora, que as vezes duvido para mim mesmo porque assim me tortureis , pois tendes Senhora a chave do chegar e então por que não chegas?

Ah Senhora, mais uma flecha, meu coração e triste e chateado a chatear-se pela chatice montada, que clama resposta e tudo se põem mais triste a meu olhar, pois assim são os olhos do amor, mudam de cor com a cor da mesma paisagem onde habitam e voam, quando encontro os seus.

Ah Senhora que Amor trás sempre para perto o Amor e todas as partes que cantam o Amor se trazem e fazem juntinhas na mesma pauta e assim compõem as mais belas melodias e fazem harmonias diversas entre si, de todos os feitios e cores do espaço.

Escrevem as palavras do coração de beijinhos cornucópias e a bela jovem rainha que sendo diferente é uma mesma, como sempre é face múltipla da Senhora do amor, desvela a meu olhar seus pavilhões cornucópias, espanto, espantado, observo a sempre mágica luz que tudo liga, que no eterno remete para o sempre semelhante.

E contudo amada se és múltipla tens uma face, uma face que não me desvelas e que me faz esta ânsia de te procurar, como se eu te pudesse sozinho procurar, pois o amor é encontro que se encontra e mutuamente se dá.

Ah Amada , que vejo as cornucópias desenhadas em tua orelha que se junta á face ligada, ligado o dom


E meu coração doce estremece na semelhança a reconhecer, reconhecer quem, Amada, pergunta o pensar ao pensamento, e Tu és precisa como eu, Tens uma Face para eu te beijar e eu não a alcanço, porque me fazes assim sofrer?

Ah amada sonha-me em teu seio, sonha-me como um sonho em teu ventre fêmea, sonha-me e conduz a minha mão por esse sonho e a leva a teu peito e lá a poisa e eu poisarei e te ouvirei teus lábios dizer, é aqui, é aqui a tua casa , é aqui que moras, eu que te sonhei e fadei o amor, sou eu que te amo.

Ah Amada, falo-Te eu hoje aqui do meus medos, o medo de não ser amor o sentir e o querer em que me trazes, falo-Te amada do medo da minha própria solidão, homem que vai sem um pedaço de si à força arrancada, seu próprio filho e do medo de já não saber amar ao perto uma mulher e tudo eu o anseio.

Ah Amada, que tu me conheces e eu estou certo que sabes da minha vontade por ti, pois pelo invisível amor, tanto a ti a expresso e sei que a sabes, tu que me lês como uma folha na arvore na brisa do luar.

Ah Amada que se o amor em que te trago é infinito e uno no mesmo verso, dias vão e vem que não sei da substância ao perto do nosso amor, não te vejo, não sei de ti, não te ouço e não te toco.

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