sábado, janeiro 14, 2006

Depois O Menino Jesus disse-me para vos dizer mais uma coisa e como foi assim que Ele o disse, assim aqui ficará


Vai meu pai e diz aos homens irmãos, que são aqueles que sabem que o são e assim com os outros agem, recorda-lhes que está ainda mais uma pedra que é preciso retirar, para que o caminho possa ser feito por estrada larga que alcance a largura dos males do mundo dos homens e os possa compor.

Vai meu pai, lembra os homens que não se pode deixar de dar, por pensar que o que se dá é mal aplicado, como se sabe por nas vezes assim acontecer no mundo e que o que é preciso, é melhorar a forma do dar e no entretanto dar sendo o entretanto, o tempo do necessário em dias de homens e que o tempo está sempre a contar, que meus irmãos pequeninos continuam a ir-se daqui embora, um de cada vez à vez.

Recorda-lhes, pai, que dar é acto transparente como quem vê a mão que estende e alcança e aquela que vem em acolhimento ao seu encontro e que quanto mais transparente o fizer, melhor será o dar, mais certo e certeiro ele será, para que não mais aconteça, que o dar e o dado seja usado para destruir a quem se dá e este é o retrato do que é provavelmente a faceta mais negra e complexa desta questão.


Recorda-lhes pai, que não se pode aceitar que a própria Casa das Nações se veja impotente para socorrer a um grupo de refugiados de um pais e de Gentes que tem sido vítimas de genocídio ao longo de anos e anos, pois quando eu caio ao chão e esfolo o joelho e até às vezes me assusto, procuro cuidado e consolo em teu colo e tu que és meu pai, assim mo dás. Não me dás um novo pontapé sobre a ferida ou ficas a olhar parado, pois Tu meu pai, sabes que as feridas são para curar e fechar e não para abrir mais.

E assim sendo, diz-lhes que assim não dá, não pode ser, não pode ser mais, pois não responde ao problema na forma em que ele se apresenta e que solução só é solução, se soluciona. Recorda-lhes também que em outros países, sujeitam grupos de Gentes em trânsito à procura de trabalho, a travessias de desertos onde alguns morrem, quando afinal precisam de todos como mão-de-obra, porque se não a tivessem deixariam de ter economia local, Que ironia é esta, que eu menino não percebo nem da ironia nem de ironias.

Diz-lhes que não se pode aceitar que Gentes que vem do deserto da vida e do viver, sujeitos a todos os tipos de básicas privações, sujeitos a continuas guerras e extermínios que os obrigam a viver em continuas fugas, quando chegam nas orlas dos mais pela sorte favorecidos, são de novo levados para o deserto e ai deixados quase sem nada, relatou-se mesmo que sem viveres e agua e que oásis quer dizer sítios aprazíveis onde os que se amam, amam em amor e que é assim que o amor faz florescer as plantas e as arvores e a agua aparecer, e que assim como vão indo, só se aumenta o seco, o secado pelas próprias mãos do homem, que menos agua no todo do mesmo único vaso nos resta e de como a agua é um bem cada vez mais precioso, e o vem cuidando no descuido descuidado com que o homem trata esta parte tão importante de si mesmo pois o homem é ele mesmo água, tanto ele é agua.

E relembra os pais que tem que ir de uma forma muito simples, quanto mais simples melhor, pois ouvi que a confusão já chegou e se começa a instalar entre os que querem ajudar, a dar ideia de um engarrafamento onde é preciso mais ter uma auto-estrada de rio grande cheia de agua contínua no ajudar, e então se pensar-mos que se continua o Apelo para Tão Grande e Global Dar, em curto espaço de tempo a massa financeira será tão grande que convêm ter toda a estrutura previamente integrada, ou seja uma estratégia conjunta de todas as organizações que não colidam entre si, que integre em harmonia as facetas necessárias a bem ensinar a fazer o pão, a construir os saneamentos, os hospitais e as escolas para que o pão se continue a fazer bem pelos dias à frente e assim se estique a bela massa que faz sorrir o sorriso de Todos.

E ensina pai no entretanto, as Gentes a melhor ver, a melhor sentir, a melhor pensar, ensina-lhe que para conhecerem uma coisa necessitam de vivê-la, que se a deve viver e virar de todos os ângulos possíveis em todas as direcção, andar no dentro e no fora à sua volta, circunvalação, e que depois de separadas as coisas vistas, na medida certa e única de cada, se procede então ao peso das distintas partes que se transportaram e penetraram a carne e o espírito e depois, que o que está a olhar, ver, medir e pesar se deve afastar, para tentar perceber primeiro onde está o tronco, por onde está a raiz, de onde vem, onde ela se enterrou, e depois os ramos e depois as folhas e depois os frutos e que não se devem perder na deambulação nem se enredar no somenos mas sim no maior, no que maior causa é e problema cria, e por analogia com a cascata das aguas negras que corre como sua alva irmã, em que ramos se desenrola.

Relembra os homens, meu pai, da regra dos vinte e de que os homens e as arvores são irmãos, foram criados à mesma imagem e semelhança, que um se espelha no outro e vice-versa, que o homem pode ver-se na arvore, como arvore, consequentemente a arvore no homem, e que por assim ser e de certo modo e ver, são um mesmo corpo e podes estender este ver a outros locais do mesmo grande corpo cujo limite não poderás pôr, porque não o há, nem o tem.

Que a arvore cresce como o homem, que uma parte de si se enterra na terra para suster e se alimentar e dessa forma poder por sua vez alimentar a sua própria criação, que essa parte não é em grande parte visível ao olhar, da mesma forma que o homem não esgota nem termina seu corpo e suas partes invisíveis onde lhe parece que acabam seus membros.

Que a arvore cresce para o céu da mesma forma que o vertical homem que vai na vertical do coração, vai em seus passos e assim os dois como riscos e lianas e fios fazem comunicar o baixo com o cima, o cima com o baixo, o mesmo uno cimo e baixo e assim o aparente longe se faz e se torna o perto.

Que então o tronco da arvore abre e estende os braços em seu ramos que abraçam e recebem o amado sol que transmuta a madeira densa e em pequeníssimos botões floridos onde florescem os mais belos frutos que maravilham o espírito dos homem que com ele partilham a poder dos suaves aromas, perfumes e sabores e que dessa forma e nesse eterno baile são eles próprios e se tornam eles próprios o próprio sabor.

Que o mesmo faz o homem abrindo seus braços e seu corpo total à vida, estende o braço ramo para tocar, para agarrar, para transportar, para andar, para contigo bailar, para fazer as coisas que faz, para agarrar sem agarrar no livre e mutuo consentido beijo dos amantes que se amam e são amor e o amor fazem.

Depois na dança das estações, das gotas de chuva e da brisa, caem de novo as folhas à terra, com ela por amor se fundem como alimento alimentando-a, a impermeabilizam sem lhe reter a respiração e criam o húmus que mantêm a terra húmida e a impede de secar, assim nem os terrenos secam, nem a chuva faz da terra a argila que desliza e por gravidade se costuma arrastar para os afluentes e bacias de agua, tornando-o desta forma impura.

E que quando se plantam, se protege a sua irmã agua, nós, protegemos a nós, que somos também os dois.

E neste ponto se vê infelizmente grande diferença de ser e de agir de dois irmãos e me elevo por um instante para ver a floresta de longe ao longe, pois se a arvore cuida da terra e da agua seus irmãos, já o homem seu irmão tem com ela e todos os outros seus irmãos com quem vive, uma relação de predador descuidado que só vê no imediato e que não pensa muito em restabelecer o equilíbrio nem o faz de jeito, sendo o jeito, o necessário suficiente e bastante para que se ponha jeito nas coisas, e é por todos conhecido como o que tem maior capacidade e poder para isso e ouve-se-o tanto reclamar da superioridade da sua inteligência.

Eu O Menino Jesus que sou menino e como qualquer menino assusto-me ao ver este lobo de boca aberta arreganhada vindo correndo na minha direcção. Depois lembro-me que sou O Menino Jesus e estendo a mão com meu olhar sereno a ele voltado e em meu segredo então lhe digo, eu sou tu e te vejo nu, tiro o véu que na aparência fazia de ti e que te apresentava como lobo grande mau e poderoso e vejo que és apenas mascara de uma terrível coisa que te fazia assim e te dava os poderes para te apresentares tão mau na aparência de teus pelos grandes e duros e tantos andaste a assustar assim mascarados.

É que os homens comem-se a si mesmos. Vão-se comendo a si mesmos, pois comem pedaços de si, sem repor em substância e quantidade idêntica e necessária, e com a agravante do que tiram não chegar a todos, uma situação de duplo desperdício e duplo errar, pois não só destrói sem repor o que tira, como vai tirando mal, pois não chega para a necessidade.

E aí, vendo isto assim como nu e cru se apresenta, dou um grito que acorda o Grande Pai que estava a dormir em cima de uma grande nuvem e que acorda ultimamente um pouco estremunhado pois não sabe mais da mãe e eu devia deixá-lo dormir o que lhe ditasse sua alma e corpo, pois o sonho que se sonha e se torna se cura a sonhar no sonhar. E o pai anda por vezes triste, teve um ano muito pesado, diz por vezes que terá sido o pior ano de sua vida, mas não é assim, mais seu contrário, isto digo eu, que sou o eterno que habita e se senta no trono onde o Pai me coroou imperador do mundo do espírito, pelos dotes da imaginação que mora na inocência do justo ver movido por amor na divisão da casa dos doces do coração.

Faço uma festa na face de meu Pai em doces jasmins floridos para o ajudar a de novo adormecer e desço retornando de novo aqui, pois quando o serenizo, ele sereniza-me e o mesmo é valido em sua enunciação contrária.

Trago um segredo sussurrado do Pai, que me disse vai, meu filho, salva os homens, foi por amor a eles que te fiz menino entre eles, explica-lhe que eles podem salvar-te ou condenar-te, que cabe aos pais do mundo esse decidir, esse fazer, esse feito, e que são a eles que o compete fazer e que o farão de um modo ou de um outro ou ainda de um terceiro, e que olhando agora o vaso da vida vejo a diferença a se estabelecer em custo fechado que fecha sobre o sangue que corre fora de seu natural leito, que nascem dores que lançam lianas que estrangulam devagarinho seus corações e lhes torna mais difícil seu bater e que a violência que se funda na raiva da vingança o fecha e de novo e inaugura um mesmo e que a vida que se torna menos luminosa, que mais crescem as nuvens pretas e se estendendo cercam o sol onde moram de mãos dadas o calor e a alegria, ou a alegria que é calor.

Diz-lhes que deitar comida fora é como semear sementes de bombas e violências, raivas e ódios, pois não se pode justificar o injustificável, como justificar que se deite fora se outros não tem, outros que são os mesmos, muitos no meio de muito, muitos ao lado de muitos.

Diz-lhes que desperdiçar dinheiro quando ele falta para resolver os problemas é como semear ventos de discórdia e revolta e sementes futuras bomba que no futuro poderão levar seus próprios filhos e que o simples verdadeiro e justo bom senso reclama que não se pague para não produzir, pois se a comida falta, o que é preciso é produzir mais e não menos.

Recorda-lhes que no outro dia, porque não choveu o bastante, as maças do meu pais não cresceram o suficiente para entrarem no circuito padronizado dos padrões de distribuição e que não pode o homem padronizar o tempo nem o clima que está cada vez mais desarranjado e portanto talvez seja mais inteligente aceitar e aproveitar a fruta no tamanho em que ela se apresenta, fruto da natureza e do que a chuva e o sol ordena dispondo, e recorda-lhes também que o homem é o tempo, que o tempo e o homem são um e que o homem é com os elementos, para além de predador, também canibal.

E que cada vez, que uma maça é destruída, estamos a dar um bofetada na cara de um outro ou muitos que tem fome e se calhar não vemos porque está lá mais ou fundo ou no perto nas ruas das nossas cidades onde alguns se movem invisíveis, fechando os olhos ao que não se pode fechar, erro de não ver, e de erro em erro de não ver, de não ver bem, se criam as perigosas ilusões que sustentam os enganos e que fazem os homens enganarem-se, nas vezes perderem-se, noutras mesmo caírem, e que as quedas às vezes outros arrastam no mesmo cair.

Diz-lhes para não deitaram fora nunca mais nenhuma maça ou outro fruto da terra e de seu labor, que se elas estiverem em condições de servir seu fito e sacrifício de amor, que se organizem com os que as distribuem regularmente de forma a baixar nesses dias seus stocks, e que as ofereçam nas praças às Gentes aqui ou noutra terra distante com o seguinte dizer, o amor não tem tamanho.

Recorda-lhes que todas estas questões, que todos estes problemas não trazem habitualmente em si grandes questões metafísicas agarradas, são simples questões de mecânica, de formas de fazer, simples que tem que ser sempre simples, que tem que ver na imagem unitária da complexidade um claro e conciso caminho por aonde ir ou estar, ousando a boa sorte e a protecção dos bons ventos, porque eles moram também em seu coração e quando ele o trás acordado dentro de si, geralmente também aparece no redor, e que qualquer menino que tenha seu coração composto, que não sofra nele grandes males, consegue resolver como um jogo a jogar e a brincar, uma brincadeira de lana caprina, mecânica de cá cá rá cá, ao alcance do seu mais leve imaginar.

E diz-lhes que tudo o que circula ao circular é dado por uma mão a outra, sejam produtos ou cumprimentos e que para uma com outra se juntar, precisam de se conhecer quem as tem, e que é através do espírito que assim acontece, que as formas de se fazer conhecer no mundo até para os negócios, passa sempre primeiro pelo que se conhece e se ama do espírito em espírito no espírito, no campo dos afectos que associamos e com que valorizam o que vivemos, e que serão primeiros entre os primeiros aqueles que assentarem a acção nesta pedra angular donde tudo o resto nasce, e que mais amado um país, uma nação será, quanto mais amor ela trouxer e fizer nascer a bem cuidar no mundo, e que quem ande no belo fazer mais conhecido e amado entre os outros se torne.

E diz-lhes que o mundo não tem fronteiras pois foram os homens que as inventaram, nem locais específicos para produzir, a não ser em consonância com a natureza do que dependem e necessitam para produzir e que os homens desempregados habitam e se espalham por todos os locais e que o que se produz deve ter como principio de partida e meta dar para todos os que cá vivem, pois ainda não podem ir viver para outro lado, nem existe uma dispensa contigua num lado de fora.

E que organizem a casa e seu produzir pensando todos os quartos vendo a planta inteira da mesma única casa, pois a diversidade das partes que sempre existe e sempre existirá, é por si só demonstração e garante que há espaço para tudo, inclusive o que se produz, e que basta bom senso, imaginação bem assente no coração acertado, vontade e acção para que tudo bem funcione em harmonia de todas as partes, pois uns produzem abrunhos e o outros azeitonas e outros ainda laranjas e cada um tem uma tendência e marca de natureza que lhe é especifica para uma ou outra coisa e que se tiver a oportunidade de desabrochar, certo e sabido é, que o fará, e nessa manhã os homens acordarão e verão que tudo se encaixou, que tudo coexiste em equilíbrio.

E que desenham missões para descobrir, negociar, encontrar e distribuir, simples e curtas missões com estruturas que não tenham tendência nem regra de se manter para além do fim cumprido, com metas claras e concisas e processos rápidos em aliança e amizade com as mãos nos locais onde se encontram e dos quais algo se necessite ou se possa dar, ou trocar, e que isto não se faz nos gabinetes institucionalizados para durarem o tempo inteiro de uma vida com reformas garantidas, em muitos palavreados cegos e papeis cegantes que esmorecem e corroem lentamente as vontades e constroem os parentes impossíveis.

E que não se resolvem estas questões nem se encontra a saída que dá para a bela estrada do belo e bem andar em gabinetes traçando rotas de cima por desidérios abstractos de vontade, pois o andar, fazem-no os homens e o mesmo se passa com sua produção e que o que importa à cidade, é estar atento a seus próprio coração, aquele que sendo um, reside em cada homem e determina a sua vontade de produzir, visto o homem ser por natureza também sempre um produtor, por outro dizer, que mais que o plano, importa saber e estar ao lado dos que cortam a madeira de que se fazem os barcos e de quem da lã tece as velas e que quando assim simples faz, a vida tende a tender para se desenrolar em perfeição.

E que estejam atentos, muito atentos ao que de novo, mesmo que só ainda em ideia ou esquiço, desenham e propõem os homens e que a cidade deverá ter meios e métodos para olhar, ver e medir do interesse e eventual proveito e caso o tenha ajudar nas condições necessárias a que do espírito se passe à matéria, na parte que lhe tocar, porque até um parafuso, tem um espírito por detrás e nele, pois se tivesse calhado a dois homens criar num mesmo momento, o primeiro parafuso, seriam dois parafusos distintos como é de certa forma observável nas suas cabeças em fenda, em cruz ou hexagonais.

E que se a criação é de certa forma imprevisível, as estruturas, os meios e os métodos deverão ser eles no mínimo tão flexíveis tanto eles os três.

Ah meu pai pequenino, que hoje sou eu que te falo a ti, este é o presente de Meu Pai para Mim e para Ti que Eu Sou o Eterno que habita em Ti e recordo meu pai pequenino de te ter visto sempre dizer aos Irmãos que em teu ver, tanto, mas tanto, era o desperdício do engenho deles no teu país, ainda em tempo recente me lembro de comentares a propósito de um que tinha pensado uma ideia de avião, leve, barato para combater os fogos e que se propunha fazê-lo e de te teres rezado em teu secreto para que os homens vissem a eventual oportunidade de negocio que ali estaria, sabendo que muitas das vezes seu agir é o contrário e que mesmo que o país não tivesse meios para o fazer, tem todo o dever e interesse em averiguar se a ideia merece ser matéria, pois os olhos embora não sendo só deles, neles moram, e se não houver meios aqui para concretizar uma ideia, noutro lado do mesmo uno mundo certamente os haverá, assim os encontrará e reunirá.

E que emendem a forma como fazem algumas as contas e observem para ancorar o olhar e uma rota traçar, se um rendimento gerado por um dentista ao tratar uma carie, que implicou um gasto em seu produzir e que em parte retorna ao comum, deverá ser levado a receita ou a custo, da mesma forma que o homem com o que hoje sabe e conhece e se vivesses nas condições que pode a ele mesmo proporcionar, o seu tempo de corpo seria já hoje maior que um século contado nos tempos e seu modos de o contar.

E que se podemos vender no mundo pêra rocha ou maça bravo esmolfo e cá não temos terra ou mãos para a plantar e cuidar, o façamos com o trato e a mestria com que a conhecemos noutro lado do mundo, pois Portugal e o mundo sempre foram um, e o mesmo se passa com todas as nações enquanto as houver.

E se o capital é aquilo que compra as sementes e dá o sal ao homem, que se encontrem novas formas de o distribuir pelos que hoje ficam sem rendimentos, porque a produção se foi fazer-se noutro local da mesma terra e que das peras e das maças, gostam do seu sabor todos os homens em qualquer lugar e todos precisam de as comer.

Em tempo ido muito ido contado no tempo dos homens em séculos, meu pai morava na nação onde nasceu e os homens plantaram arvores cem anos antes de partir pelo mar a descobrir e religar o mundo, pois tudo o que se acha se acha porque já lá está e quando se conhece o que não se conhecia por vive-lo, tudo se torna mais visível e ligado no uno que sempre é.

E foram tempos de perigos vários em que muitas caravelas não voltaram e suas Gentes, suas cargas, suas riquezas se perdiam nas vezes no fundo dos mares e os homens ficavam sem capitais e barcos para navegar e um dia juntaram-se e criaram uma forma de mutuamente se ajudarem, de ajudar os que sobreviviam a de novo ter a possibilidade de recomeçar e assim uma parte da renda que cada um que inteiro chegava fazia, era guardado num fundo comum que servia para construir um novo e dessa forma continuar a vida e o viver.

Sabiam os homens nesse tempo de forma clara em seus corações acertados, que eles são por natureza ajuda e mutuo cuidar e assim melhor se cuidam trazendo isto recordado e sempre os homens se deram as mãos para se abraçar, para proteger e aumentar a possibilidade dos seus negócios.

E que se os sistemas de financiamento das nações onde se inscrevem os gastos com o cuidar dos homens e do seu bom viver em comunidade dependem das receitas.

E que quando os capitais, as empresas e os negócios passam a ser de certa forma como aviões que hoje estão aqui, amanhã acolá, terá que se rever aqui e na base, o redistribuir, e as formas de sustentar o que é de comum cuidar, pois se todos os homens são também anjos e como tal tem asas, se tornaram hoje na maioria sedentários e continuam a ter na mesma, cada um duas pernas com que correm atrás deles sem alcançar e ficam a ver os três a voar sem os conseguir agarrar.

E que o dinheiro é só um sistemas de representação que foi inventado para facilitar as trocas dos produtos e do produzido entre os homens é não é hoje em muitas vezes claro, que o capital que aparentemente está num pais aí verdadeiramente habite

Ou seja se no princípio e durante largo tempo, cada moeda e a soma de todas, correspondia a um existir equivalente, que assim a garantia, do valor que representava, em ouro.

E então nesses dias onde os países eram por assim dizer menos móveis, pois se moviam os assuntos dos homens em espaços mais pequenos e viajam menos, o quilo de ouro que estava no armazém de todos, permitia e garantia e cobria a cunhagem e existência de mil moedas.

E que nos dias de hoje para além do ouro não cobrir nem de perto nem de longe o dinheiro que circula o que quer também dizer que não corresponde ao valor que o suporta, a circulação do dinheiro estendeu-se de tal forma que o quilo pode estar num lado e mil e cem moedas noutro.

E mil, não é mil e cem, nem uma coisa que não é uma outra, pode ser a outra na sua totalidade, e quando eu ao longe por ver ou contar mal, vejo vir uma besta desembestada e na minha cegueira pensar que é só o meu amigo cão que me vem saltar de alegria em cima para me dar uma lambidela, posso ter uma desagradável surpresa, ou seja, convêm ver com o correcção as coisas como elas são, se apresentam e vêem vindo, para viver tranquilo e sem acidentes por distracção.

Moeda, moeda igual a valor, moeda igual a um certo e acordado valor padrão garantido em ouro e a uma couve atribui-se o valor duas moedas.

E que nas vezes bem vistas as coisas como se apresentam, vale afinal só uma e que as duas moedas na realidade correspondem a metade do seu valor real, desvelando que o valor e o que sustenta e a sua representação formam três distintas imagens em três distintos planos do que pressupostamente deveria ser só uma, uma forma de possibilitar a troca, obter algo que falta por troca de algo que ao outro faz falta.

A moeda circula e o ouro está parado. A moeda tornou-se mais alta que o ouro que a sustenta, o abismo e a assimetria entre o valor padrão e o valor do objecto produzido se agravou.

E quando algo ou alguma coisa apresenta três imagens, está-se de certa maneira cego pelos três véus e não se vê nem se compreende com precisão e que então se deve fazer como a dança de Salomé mas sem tirar nenhuma cabeça, assim o ordeno Eu, O Menino Jesus.

E que uma couve é sempre uma couve, independentemente do valor em euros a ela acordado e atribuído e todos os que vivem em todos os locais precisam dela.

E que o dinheiro é um duplo sistema de representação, pois primeiro existe o produto, depois o seu valor que assenta num meta e ordenado valor e que a nota papel ou moeda, ou o plástico de agora, representa, e que assenta na existência e garantia de uma matéria a que muitos reconhecem valor universal, no sentido que tanto vale para mim como para ti, e que do sal se fez e faz do ouro.

E na estrada do sal ao ouro e a outros metais como padrão, tem sido em constância atribuído mais alto valor ao que mais raro é de encontrar e assim é considerado mais precioso e se pensar que a agua e o ar também infelizmente assim se tornam, porque o tornamos, se a carroça não arrepiar caminho, andaremos com saquinhos na mão cheios de ar nas compras parando em cada montra para dar uma golfada e deixar o resto como troco no balcão ou micro garrafinhas de agua que será reciclada gota a gota de cada poro de seu corpo, cada uma com o valor de um raro diamante.

E depois associa o que é precioso com a força, pois precisa para sobreviver e é forte se obtém o raro e precioso, e constrói palácios com torres, ameias e telhados vários em ouro, para afirmar seu esplendor, seu poder dizem, e outros homens que igualmente vão cegos se maravilham no ver e curvam suas colunas em rasgadas vénias e obediências várias e ninguém leva consigo da terra o mais pequeno ouro ou diamante em qualquer bolso de suas calças.

E preciosa era a substância de que se ouvira falar por um viajante que um dia por aqui cá passou, que só existia naquele lugar distante que se demora dois ou mais anos a ir e de novo chegar e que tinha propriedades nunca vistas na cura de uma doença, preciosos eram os mais finos linhos e as mais belas cambraias, precioso era a canela, o açúcar, o chã e sabores nunca antes conhecidos, e precioso, é viver, e precioso e preciso, é organizar o viver no mundo para que todos possam ter couves, se as quiserem, visto todos comerem e serem irmãos.

E precioso era e é o valor da coragem do homem que empreendia tal viajem, e que se sujeitava desse maneira a perigos vários, precioso para outros, era seu sacrifício ao afastar-se de sua amada e seus filhos por longos períodos.

Onde assentamos e onde assentaremos a recomeçar de hoje, o valor do que é precioso. Nos faustosos capiteis nas formas múltiplas e ávidas e gananciosos com que de face mil sempre se apresentam, ou nos valores do humano, na assente e insustentável realidade do fosso extremo que se extrema, onde poucos pináculos doirados se elevam no mesmo momento que a maior parte se afunda no negro fundo.

Precioso é tudo aquilo que contribui para a vida, que a gere e nutre e cuida e não a fere ou destrói e depois de definir o cimo da escada que trás o céu casando-o com o baixo, que é onde estão os corpos, valoriza por comparação a coluna e o doirado capitel numa mão e observa da sua validade e importância para o cuidar da vida e numa outra põem a pequena substância que a ciência do homem criou e que se levado a um outro que se encontra lá ao longe num mesmo perto e que não tem dinheiro para ela, o salva.

E nada disto desdita ou decreta de qualquer forma ou jeito que não se façam colunas ou capiteis, que as formas da arte dos homens que as criam e constroem não sejam afectadas em seu belo ou que doirada não seja cor.

E não há argumento nem razão que sustente a diferenciação de condições e oportunidades naquilo que é comum aos homens e assim os trás e faz como irmãos.

E antes de produzir está sempre o homem e prova disso é que em certos tempos da vida, como em sua infância e idade muito crescida, ele não produz e não deixa por isso de ser homem.

E que os modos de organizar a produção e o sistema financeiro dele procedem e sendo ele, são mais do que ele, como todas as coisas que criadas são novas se adquirem nome próprio

E que se um homem num lugar tem uma solução que traduz uma melhoria para si na justa verdadeira regra de ser também para os outros, nada do que ele crie como representação, deverá obstar a que tal saber se concretize em prol de todos, pois o saber é a essência que o torna comum a outro e mora dentro e fora dele para aquém e alem de todas as suas extensões que inventou e de todos os sistemas de representação que visualizou e visualizará.

Em palavras mais simples como te posso dizer, que não te posso dar o comprimido que inventei e tenho na minha mão fechado e que vai salvar o teu filho, porque não tens o dinheiro e ficar a vê-lo ir em corpo.

Todos e tudo são filhos da Mãe e do Pai, do Divino e isto diz que eles são mães e pais e que o sendo tem filhos e não se os põem em posição de optar por um em detrimento de outro.

Quem faz as coisas é a mão do homem, são feitas através da mão e cada homem tem o direito de fazer com elas o que quiser e consequentemente os produtos que quiser, mas não é assim que as coisas se passam em seu viver.

E da mesma forma seria natural de acordo com a natureza do homem pensar e esperar que ele faria sempre o que vier a inventar do que da forma como vive emerge como necessário para seu bem e nunca para seu mal.

E que para que as couves sejam boas e saborosas couves se cuida regularmente da horta da mesma forma que se devem podar com a respectiva regularidade as arvores para seu melhor florir e o mesmo se deve fazer com as coisas do espírito e mais abstractas podando com ritmo regular, conceitos que assentam nas palavras que assentam no viver e no vivido e do que nele se entende pelo visto e além do visto.

E que quando se esquecem de o fazer com regularidade e de acordo com a paisagem dos momentos do tempo dos seus dias as palavras que sustentam as ideias, porque muitos delas se afastaram deixando de as olhar e entender cheias de saudade se elevam ao céu e chegam horas onde o homem se põem de novo à sua procura e as busca, porque delas precisa e de repente já não as encontra e dá então conta que as poucas tábuas que restam da casa de outrora estão podres e chega o momento de deitar abaixo o que resta e construir tudo de novo e quando assim o faz e bem faz sem magoar ninguém, as palavras voltam do céu e poisam em luminosos beijos de novo em suas mãos.

Porque não pagar mais para ter melhor comida, cultivada biologicamente e por exemplo menos pelo habitar.

Aqui na cidade onde eu habito ao habitar o colo de meu pai pequenino, as casas valem hoje três vezes seu valor e isto não é verdade, pois se uma coisa tem um valor, não pode ter simultaneamente três vezes mais valor, pois não pode custar numa mesma impossível vez, cinco e quinze euros e é também verdade que uma coisa custa cinco num lugar e sete no outro em função das variáveis que mapeiam e são mapeadas na forma como é produzida.

E que nas casas onde se encontram as nações e instituições e se representam seus interesses, onde se fazem as pontes e se apertam as mãos do olhar nos olhos do olhar sustido, sustentado, e sustentante acordo das mãos, deverão trabalhar e velar para que, o que sempre é, a diferença, não seja afirmada à custa da liberdade de cada um ou que seja consumada à custa, através, e tendo como consequência o sacrifício de outro ou outros muitos.

Uns acordam do rendimento obtido, redistribui uma parte para os que podem produzir, não produzam, porque há excesso de produção em seus locais e contudo muitos são os que não tem de comer.

Outros acordam do rendimento obtido, redistribuir uma parte para que o produzido tenha ou custo ou valor inferior ao que teria se não fosse assim viabilizado.

Muitos mas Muitos outros nem tem a saúde nem o saber nem os meios para produzir.

Depois uns produzem mais barato que outros e nascem então da terra pelas mãos dos homens, invisíveis fronteiras, barreiras e quotas para que não se inviabilize o que é produzido em cada local e consequentemente também os que trabalham dentro do país ou de seus agrupares.

Os que mais capitais agrupam, conseguem colocar seus produtos em todos os lugares e à largura do mundo inteiro e outros do mesmo uno mundo nem capital tem para poder ter uma enxada, se é que sabem mesmo o que uma debulhadora possa ser.

Em tempo ido muito ido contado no tempo dos homens em séculos, meu pai morava numa nação que se envolvera numa guerra com outra nação, existia um Rei que se encontrava sem capital e que para financiá-la, aceitou pela primeira vez um empréstimo numas condições que diziam.

Empresto-te cem e me devolverás cento e dez, e a partir daí muitas nações assim começaram também a proceder, e nessa guerra como em todas as guerras morreu e sofreu muita gente, a maior parte sem quase capital.

E lembro-me de ter ficado muito espantado a pensar, como é que de cem moedas se fazem cento e dez, parece que os homens confundem-nas como o pão que segundo rezam as histórias às vezes por milagres se multiplicam ou se transformam.

E quando isto disse pela primeira vez a homem crescido, ele sorriu para mim como que me chamando ingénuo e passou com condescendência sua palma da mão pela minha cabeça e contou-me do lucro e do querer sempre mais.

E depois eu disse-lhe então, agora imagine que o número total das moedas é de cem, que correspondem ao valor acordado real, que é coberto pelo padrão aceite e que é a precisa quantidade do todo que existe, como pode dar tal sistema cento e dez moedas?

E o homem me disse, vês esta couve, vale um euro e se eu a vender por dois ganho um e assim aumento as moedas.

Sim aumentas as moedas mas não aumentaste o valor à couve que já tinha e continuou a ficar com valor de um e chega à boca de quem come a custar cinco, mais quatro que seu valor real e parece assim que a representação de valor como que vai descolando e cada vez mais se elevando face ao valor de origem e que assim sobre e dentro dos próprios mecanismos de representação, que neste caso não produziu nenhuma couve, se obtêm mais valias sobre nenhuma valia.

E o que é o valor da couve, para além daquilo que o representa que dizes tu neste caso ser de um euro, porque foi o custo da semente, da agua canalizada da rega, do valor da enxada, do valor do teu trabalho no tempo que cuidaste e a caixa onde a puseste para poder ser levada e somaste isto tudo e chegaste a um.

E que para cem homens de cem fazerem cento e dez é preciso que o capital aumente, mas como se vê aumenta o capital sem necessariamente aumentar o valor do produzido e da mesma forma é verdade que são cada vez em maior numero os bolsos vazios e o buraco no forro vem a alargar-se.

E depois vem o que a distribui, que tem outros gastos e lhe acrescenta outros custos e assim seu preço, não seu valor, sobe, porque a couve continua exactamente a mesma com excepção de estar menos fresca, que quando a colheste da terra e à terra por isso agradeceste.

Hoje em dia as estruturas de distribuição crescem e esse crescer é feito de forma concentrada por razão de racionalização da necessidade e da quantidade elevada necessária, da mesma forma que as suas maças têm que ser de um mesmo tamanho e que se vendem em quantidades pré definidas, pois não pode hoje o amado ao passar num supermercado comprar a mais bela e única maça que aos olhos lhe aparecer para levar à sua amada, nas vezes tem que levar seis.

Na mercearia da Senhora Aida e seu marido Oliveira, as clementinas estão todas à solta, posso ainda pegá-las uma a uma com minha mão, levá-la perto do nariz para a cheirar, escolher aquela precisa, pelo que lhe adivinho do sabor na casca no intervalo desta com os gomos.

E se tiver a mão suja ou constipado e fizer acthim pode o seguinte apanhar uma constipação, como o mesmo acontece quando na rua ao cruzar ao perto um atchim sem a mão de seu dono à frente e ainda que poderei ir à cama e nas vezes pior por uma bactéria de um sistema de ar condicionado.

Na mercearia da Senhora Aida as clementinas são todas distintas entre si como os Seres, que uns se apresentam com um tom da casca mais escuro, outros mais brancos e por ai fora até ao infinito e mais além da bela riqueza da diversidade.

Mas olhando ao perto, vejo que elas são também distintas daquelas que brilham em regular forma e tamanho nas embalagens de plástico expostas ao olhar. Reparo que todas elas têm diferentes tamanhos e em quase todas elas se observa uma ou mais mazelas, como se fossem mais maduras em viver pois todas elas transportam e são em parte visíveis as cicatrizes da vida e dessa forma se fazem mais humanas.

O senhor Oliveira não está a ir para novo, de manhã muito cedinho vai na sua velha e poupada carrinha buscar os legumes e as frutas e passam os dois, ele e ela quase todo o dia juntinhos, o dia quase inteiro em pé, e seus joelhos já não são o que são e começam a dar-lhe alguns problemas, são gente humilde simpática e acolhedora sem grandes posses como sempre terão sido ao longo da sua longa vida e que esta lhe seja longa, assim o Voto.

Na sala contígua, a taberna onde os homens e as mulheres alternam as horas à vez, onde as senhoras sempre cumprimentam o teu cão e o chamam e dizem, tão lindo que ele é e tu respondes a sorrir e a brincar, quem me dera por vezes ser ele.

Na mercearia do amor juntinho que juntinho trabalha e espalha amor uma maça é mais barata e mais cara que nas grandes superfícies onde as pessoas menos falam e parecem às vezes como se estivessem em templos com as gentes em silêncio olhando as prateleiras e empurrando carrinhos.

É mais cara à unidade, mas posso comprar só uma e há dias para muita gente em que o dinheiro não chega para as seis. No supermercado o mesmo princípio é aplicado em kits montados para sopa, um nabo, uns agriões, umas cenouras, já descascadas, juntinhas e preparadas para chegar e pôr na panela, se tiver os outros ingredientes.

E Eu ia em teus olhos quando nos idos da ultima quarta parte do século passado em Trás-os-Montes descobriste uma mercearia que era tasca, que era posto dos correios, o banco, o vendedor da pólvora e tudo o resto desde alguidares a atacadores, que é um mesmo principio que recuperaram as grandes superfícies quando aparecerem e trazendo mais eficácia e consequentemente menor custo.

Pouco se inventa, mais se descobre porque de certa forma mais se reconhece que os seres são sempre um mesmo e trazem de certa forma tudo dentro de si e não fazem as coisas assim tão distantes de época em época como à primeira vista por vezes parece ser ou alguns tentam assim fazer crer. Muda o cenário, a paisagem, as cores, a tinta e o formato do pincel, muda a escala da tela e seu tamanho que se alarga e assim muitas vezes é porque a necessidade assim parece apontar.

E aumenta por necessidade e razões do capital a concentração concentrada em poucas mãos que decidem em grande parte do que se distribui e do que não. Quando as grandes superfícies apareceram muitas mercearias de bairro, comerciantes e empregados, tiveram que fechar e buscar novos rumos as suas vidas.

Da mesma forma muitos outros não conseguem distribuir seus produtos porque não os conseguem colocar nas cadeias de distribuição e assim a solução de muitos e para muitos se torna a não solução para outros, muitos outros no mundo não produzem nem tem nada nem com quê produzir.

E se assim é, como tudo o que muda em vida, que não é o mesmo que dizer que tudo muda, é preciso pensar em avanço as consequências, para que implementando o novo não se crie uma espécie de saco de problemas a que cada vassourada do novo que chega se enche de insustentabilidades, porque o negócio afectado se tornou para aqueles que o faziam insustentável e todos os homens são livres para fazerem os negócios que quiserem na forma que quiserem, ouve-se a muitos dizer.

Será, será possível o homem ter essa liberdade ilimitável com o seu corpo e as consequências como através dele age.

Neste exemplo, as consequências até não chegaram a ser catastróficas, dirão alguns, se calhar o que ficou sem emprego, dirá de outro modo, mas a escala é sempre a mesma, o homem e se homem a homem se fazem as estatísticas cada homem tem uma boca para se alimentar, pois faz bem, bem cuidar do corpo.

E se subir à uma nuvem para observar o planeta já não é tão evidente que a falta de uma rota e a aplicação do velho saber do homem, da necessidade de preparar as transições, pois por vezes tornam-se escorregadias.

Cada um livre mas tal não obsta o entendimento e que de alguma forma se vele para que todos possam viver e serem livres. Dia chegará a cada um, em que não mais assim será preciso, dia em que cada um se assumir como estado e nação que é, como planeta, estrela ou cosmo no meio de infinitos outros no seio do infinito.

E que precisam os homens de garantir que seus negócios não tragam mal e eles mesmos e que todos os possam fazer, e que ninguém passe miséria a conta de um negócio ou forma de negociar alheia.

Concorrem para quê? Para fazer melhor, para ter mais meios de melhorar, ou para destruir e correr veloz na vida de leveza em leveza rápida e estonteante, mais poder, mais poderes variados para todos os fim e efeitos, chega para lá, se não for a bem, vai pontapé, que eu isto, eu isto, eu aquilo e aqueloutro em tão poço nada, eu, eu, eu, ouve-se em fade antes da campa, mas eu safo-me, eu safo-me, corri muito, espezinhei bastante, diverti-me à brava, ficam os ecos de outrora que se foram como leves penas levadas por um sopro.

Medem-se como meninos com sexualidades atrasadas e dizem ao murro que vão espalhando, sou melhor que tu, sai da frente, quero passar, mais rápido até ao fim do corpo.

Tem que se ver com detalhe tudo o que se produz.

Começar a perguntar primeiro, para que se produz, qual é sua utilidade, e, serve-a? Faz bem, quanto mal faz, a que faz bem, a que faz mal

Se a produção serve para cuidar do homem, então o simples critério será que produza tudo o que quiser menos aquilo que lhe fizer mal, a si, a um outro, à casa, pois é inteligente para saber que tudo isto são faces múltiplas de um mesmo uno corpo, mesmo que lhe pareça por vezes e assim o afirme, que a sua consciência mora no limite interior das paredes de seu crânio.

Poderá acordar na casa de todos o necessário acordo com vista a transformar as industrias, os serviços e produtos que lhe vem fazendo mal, a um ponto de o doente se assim continuar, poder morrer às suas próprias mãos, opção entre ser e tornar-se médico praticante ou morrer.

E me recordo eu menino dentro de ti menino levando um bolo com tua amiguinha pelos campos à porta de outra senhora, oferta e recado pedido pela tua avó e de lá chegares, de teres lanchado e no final pedis-te um tostão à senhora que espantada a sorrir te perguntou porquê e tu lhe disseste pelo trabalho de o ter trazido e mil anos depois quando chegaste ao velar do corpo da avó, a senhora te reconheceu e veio-te relembrar este viver e tu depois pela noite fora e fria pensaste, como já tão em pequenino se tem a noção do valor do dinheiro, da sua importância para o funcionar das coisas e de como agora te era estranho pedir um tostão ao destinatário, por um favor que te pediram.

E vejo através dos teus olhos como vês as crianças de cinco anos que frequentam os mais finos colégios para as futuras elites, sua percepção há medida da que sabem e do que não sabem dizendo em mais pura naturalidade e ponto, está ali uma máquina, vai lá buscá-lo, como se ele nascesse das maquinas na qual basta introduzir um plástico, discar uns números e lá vem ele do útero de Deus e da mesma forma me recordo dos meninos que pensam que as galinhas não tem cabeça porque assim as conhecem dos supermercados ou daquele, que um dia tanto te fez rir quando virando-se para seu pai, perguntou-lhe da casca do camarão, este plástico aqui, tira-se.

Estranho mundo que educa os meninos a serem cegos. Mais depressa se trava conhecimento com a carne que o alimenta, que o animal que para ele viveu.
Mais depressa se trava conhecimento com o plástico do que os irmãos animais.

E as coisas que estão mais perto são em certa medida as que mais valorizamos, que mais nos fazem falta ou que achamos de mais importantes.

E que não existem moedas sem homens porque foram eles que as inventaram e da mesma forma não existe objecto por ele inventado que tenha propensão para um dos lados, agir bem, ou mal agir ou agir assim assim, ou pensar que não age quando não age, pois é sempre o homem que lhe dá e atribui a vontade, a direcção, o uso e seu efeito.

Imagina que comprei hoje a minha primeira casa nos arredores da grande cidade por uma moeda. Tem dois quartos e é bela porque comigo vive a minha amada e os filhos e tanto nos amámos que vem agora dois lindos seres gémeos ao mundo e que estas três linhas decorreram em três anos e então decidimos vender a casa, não lhe fiz nenhuma benfeitoria mas está bem conservada, florescem rosas todos os dias nos corredores e na cama de casal e nas dos filhos e o amor é o mais precioso dos bens.

Até há poucos anos toda a classe média realizava ganhos no crescer de sua famílias, agora não, porque o demais insuflado descola e sobe como balão pelos ares e porque o capital na mão das gentes tornou-se como carros pequenos e rápidos que passam de vez em quando lá ao fundo, depressa e em escassez demais para se agarrar, nas vezes quando chega um, já se foi para pagar o anterior.

E como é sabido quem se ama faz o amor e a sorte, consegui vender a casa por duas moedas, porque todas as que estavam à sua volta, misteriosamente elevaram seu preço sem elevar seu valor, aquela que vejo em frente até já lhe faltam algumas telhas a mostrar como seu valor desceu.

Onde está a chave do mistério. Olho a terra onde elas assentam, desço mesmo do andar e esfarelo e cheiro um torrão de relva e tudo continua na mesma, nem a terra se mexeu, nem nela nasceram árvores de fruto, não parece ter-se alterado seu valor, se olhar mesmo ao perto, sinto-a mais cansada, cansada de ter mais dificuldade em respirar pelo cimento e alcatrão em toda a parte, por apanhar menos chuva.

Depois viro a face e olho mais ao longe e vejo que está ali um infantário, que quando cheguei não estava e que tudo isto se passa à volta de uma grande cidade, que se olhar mais ao fundo no rural, nos mais pequenos agrupares de gentes e fazeres, já os infantários são raros e as escolas primarias fecharam e vão fechando por desertificação como a terra onde estão, que as gentes mais novas partem para a grande cidade que assim se torna cada vez maior, dá cá meia moeda.

O centro vale sempre mais que o círculo, parece a imagem dizer e se o centro como centro mais se valorizar cresce e estendesse e engloba as terras outrora periféricas e distantes que eram perto do centro e que agora já são centro, dá cá mais meia moeda e pega lá menos um quinto do valor real da casa que já não tinha uma telha e precisava de impermeabilização e pinturas.

Olho outra vez ao redor à volta e vejo meu país desertificar-se, as gentes envelhecendo, a mortalidade maior que a natalidade, tão pobres as condições do viver das gentes e o torrão que tenho na mão não transparece ele próprio muita saúde, porque a mão humana deixou de o afagar e cuidar. Volto a face a outro lado do mesmo mundo e vejo gentes que querem vir para a Europa e que são impedidas e muros e mais muros se levantam, e coisas piores fazem os homens então acontecer.

Com minha mão aponto meu umbigo, curvo o pescoço para o olhar, olhar o centro, a prova que dois seres se ligam e são um e depois assento a luneta da redução e da extensão.

Eu centro. O meu centro. Eu, um centro que tenho um centro capaz de criar outro centro e que venho aqui através de um outro centro, uma estrela, uma galáxia, um universo tudo inteiro. Já reparaste o que habita em ti, a quantidade de prendas que tantos te deram e dão ao longo do passar, já reparaste que és também composto por todos eles, por todas prendas, todas as festas e beijo e todas as estaladas.

Venho de outro centro que tem seu centro e quando venho ou vou ter com minha mãe, desloco-me no espaço afastando-me ou aproximando-me dela e de seu centro, mas isto é dentro da pequena casa de nossa família, porque olhando o mecanismo da vida que o Belo Relojoeiro desenhou e fez, observo então, que um centro para crescer e ao crescer se afasta de um outro, que o que começa invisível se vai fazendo visível, que o indiferenciado se vais diferenciando sem que neste acontecer se afaste por unha que seja o ora visível, ora invisível cordão que liga sempre em todo o tempo todos os corações e que no espaço não posso nem devo viver em cima da minha mãe.

E que assim sendo de acordo com a lei natural da vida, se cada centro irradia para fora de si um outro centro e o mesmo deveriam fazer as cidades dos homens porque não é muito saudável vivermos desta maneira e já não temos as condicionantes que antes levavam a isso as difíceis e lentas viagens e transportes e que as cidades podiam dar origem a cidadezinhas que se espalhassem por grande espaço e ocupassem o território em vez de se concentrar num só dos seus lados.

E assim, à imagem e semelhança do corpo pequenino do pai, deve-se pensar outras partes maiores do corpo, como as aldeias, as vilas e as cidades, mais centros, mais centros quanto os homens que existem, pois não são dotados por natureza os homens para viver em arranha-céus e tendo sempre a liberdade de habitar na altura que cada um quiser, sem dar cabo dos outros patamares ou riscar os corrimões, ou andar a tocar campainhas só para aborrecer a outros.

E que se as aldeias já existem e se encontram muitas abandonadas, muitas das vilas paradas no tempo sem capacidade de desenvolver, com problemas de sustentabilidade e fixação dos mais novos, não nascem as três, sem ser pela semente e plano humano e que para que o que vem de trás se possa inverter e diferente e melhor orientado fazer, é necessário perceber e saber como é que isto se faz, pois só assim se poderá repovoar de forma auto-sustentada e que repovoar é dar e trazer vida à terra, ao território, a todo ele.

Dentro de meu pai pequenino, observo o meu centro e vejo-me viver na grande cidade, que do meu centro se fez e parte meu corpo e que suas partes me permitem reconhecer e avaliar o redor, que com ele se encontram em permanente interacção.

Aos fins-de-semana chuvosos a cidade está quase deserta, bairros há que estão sempre vazios pois são quase de serviços, bairros a metade, que só existem em metade dos dias dos homens esbanjando bairros sem mais viver a noção de bairro porque já quase não há bairros, há ruas onde se passa apressado e se corre às vezes com uma criança ao colo e outra na mão, atrasado para o emprego, gastando três, quatro horas diárias para ir de casa ao trabalho e voltar.

Nos carros os pés dos pedais de para arranca arrancam várias tensões buzinantes e no metro as gentes durante a semana falam meias autistas, apresentam-se cansadas, invariavelmente cansadas e tristes e o centro da grande cidade que se faz grande sem olhar ao resto do seu lugar que se chama de país, é um caldeirão onde borbulha uma monótona e sempre igual forma de viver em função de um modo de produzir que ocupa cerca de um terço da vida em cada dia, onde as refeições quando as há, são feitas a correr em jogging num balcão, pois o tempo é tão curto, assim o tornaram as gentes em suas formas de viver, que se sacrifica o tempo de comer para poder ir fazer uma compra, para compensar a saída mais cedo para tratar de um papel, para poder ir buscar mais cedo o filho, come-se mal, cortando assim uma das fontes primordiais do seu próprio prazer para além do muito que já está retirado na forma como produzimos, e sem prazer, ou com menos prazer e de prazer em menos prazer mais apáticos e mortiços nos tornamos, andamos e vamos.

Se funcionasse bem, se resolvesse os problemas, se trouxesse as gentes felizes em seu viver, talvez valesse o sacrifício, mas se não é assim, então porque o deixamos assim ser.

E se o capital voa cada vez mais, mais rápido, não tem quase mesmo local, continuam os homens e as suas ferramentas a, o ter, e de certa forma a ter que o ter, e se a produção é passível de se deslocar nos locais, será durante um tempo como o capital e aprenderá também a voar, a aterrar, poisar um pouco e de novo levantar.

E não tem quase lugar por dupla razão, porque circula e porque em grande parte deixou de estar próximo à produção e aos homens e parece que os homens deram corda ao papagaio, tanta, que quando olharam de novo, já se tinham esquecido que ele continuava lá e esse afastamento vê-se depois nos mercados financeiros, que servem para angariar capital, para o perder e para o ganhar sem directamente produzir, onde o dinheiro gera dinheiro, onde uma representação gera um outra representação, e onde este jogar distante do produzido e de como é produzido, leva a que empresas fechem e gente fique sem trabalho e um só jogador em busca de elevado lucro como se diz, pode causar e já causou em vezes a miséria a um povo inteiro.

E depois os fluxos financeiros e os mercados misturam duas distintas famílias de negócios dos homens. Os que são considerados legais pelos homens e suas leis, hoje uns, amanhã outros, assim sempre vai sendo e aqueles que a cada momento são considerados ilegais mas que não se deixaram sempre de fazer com os primeiros.

E que se por assim dizer, existem flutuações por diversas razões entre o dinheiro e o valor daquilo que ele representa, com o negócio considerado ilegal que se baseia no mesmo único dinheiro existente, mais afastado e complexo de averiguar se torna a relação entre um e outro e se o que advêm e circula como de origem legal é de certa forma passível de ser traçado em seu caminho, já o outro não é tanto assim e é em grande parte com dinheiro legal de coisas ilegais que se financia muito mal fazer, algum do qual ilegal à luz da lei dos homens.

E que o homem pense então que quanto menos forem os negócios considerados ilegais, mas simples e menos problemática se tornarão as questões financeiras bem como muito melhorará o viver dos homens e são tão livres os homens de investir o seu rendimento numa área ou noutra ou em diferentes produções e produtos, como de decidirem e acordarem entre si uma lista do que não deve ser produzido, como as armas e tudo aquilo que no modo como é produzido afecte ou o fira a ele e por extensão num mesmo, em todo o seu viver e a vida.

E vai meu pai e relembra os homens que nenhum é proprietário de terra nenhuma, muito menos patrão da terra, pois isso seria ser proprietário de si mesmo, visto que um é o outro, e vice-versa, e que se o tempo dos homens em corpo é mais pequenino que o da Mãe, será mais correcto dizer que o homem da terra e sendo ela, tem dela o usufruto enquanto aqui anda em corpo e se assim é, também a história da posse e propriedade da terra pelos homens vem de longe e é real da mesma forma que hoje até paga para ser enterrado o corpo em terra e terra não leva o homem no bolso de seu espírito e alma quando do corpo se vai, nem propriedade material, nem dinheiro

Eu me recordo do teu espanto no outro dia ali ao pé daquela igreja de Alcântara ao saber que um funeral dos mais baratinhos mais enterro ficava pela quantia de quatrocentos euros e tu espantado a pensar, quer dizer que os pobres já não podem morrer, como serão então tratados seus corpos pelos homens, já que o negócio visa sempre a satisfação do cliente e o bom senso ainda mais, seja cliente ou não, pois o homem nasce na terra e nela em parte fica e se não lhe paga nada em dinheiro ao chegar, por que razão lhe deverá pagar ao ir.

As economias são ainda locais e o serão de certa forma até ao dia em que não existam governos, porque se acabou seu natural tempo, porque cada um se governa a si, ao lado de um outro e todos se governam, como sempre e desde sempre o vem fazendo, mesmo quando disso andam esquecidos e o capital tem que estar de certa forma fixado no território que é onde os homens vivem e precisam do dinheiro e que é nas nações e nos países que existem os governos que fazem os orçamentos e cobram os impostos.

E que o dinheiro voa instantâneo de um lado ao outro lado do mundo no clicar de um dedo e se for apressado pode dar a volta ao mundo não em oitenta dias, mas em oito minutos, e ainda ter tempo de poisar aqui ou acolá e que se todos decidíssemos hoje ir ao banco buscar o dinheiro que lá temos, embora cada um o tendo, não haveria papel ou moeda sonante para todos.

E se num país onde a mão-de-obra é hoje barata, quanto caro e onoroso é a falta de respeito pelas condições de muitos que trabalham, nomeadamente meninos, então se Portugal precisa de aí fabricar parafusos, que leve com seu desenho a melhoria dessas condições àqueles com quem o vai fazer, na escala dos que nela intervêm, pois é sempre melhor ajudar ainda que pouco ou poucos, do que nenhuns.

E é bom não esquecer que os que hoje são a Gentes mais exploradas do mundo, amanhã não o serão pois em consequência do seu desenvolver, as condições sempre melhorarão e chegará o dia em que por o desenvolvimento se encontrar já desenvolvido, quando não houver pais no mundo onde por exemplo uma criança seja obrigada a trabalhar, o custo de produção de um mesmo produto tenderá a ser um mesmo, independente do local onde é produzido porque mais semelhantes serão as condições em que os homens, o produzem.

E no entretanto convém aos homens pensar como cuidar dos que ficam sem trabalho e rendimentos neste cenário que se apresenta por década, década e meia e que tal os obriga a repensar os mecanismos de solidariedade e de suporte, do cuidar e do apoiar e do necessário dar, que é, e vai ser necessário dar, de repensar e imaginar novas forma de re distribuição da renda.

E chegará o dia em que os homens trabalharão menos, duas ou três horas por dia, depois por semana e um dia não trabalharão mais como hoje conhecemos o trabalho e todos continuarão a fazer as coisas, por simples e completa paixão e não haverá por esse estar e fazer, nenhuma escassez.

E que os homens porque muito tempo terão para amar e porque farão cada vez mais o que querem fazer de acordo com a natureza de cada um, esse amor e seu viver muito bem e muito amor trará e espalhará ao Mundo e assim nascerá da terra onde sempre esteve, o paraíso, e haverá abundância que chegue para todos e viverão alegres entre irmãos e com os irmãos de outras espécies.

Estes assuntos apresentam-se muito confusos e não perceptíveis a muitos e quando assim acontece no ir do homem nascem os sustos e as cabeças perdidas e depois não se consegue sem observar, sem bem perceber, o bem compor e que será de utilidade simplificar o ver, que cada um em seu campo de saber o faça à luz do que vê pelos meus olhos, os Olhos do Menino Jesus que Está Ti porque te Habita, porque Tu o Habitas.

E que o homem nasce livre, folha e caderno em branco nas margens ilimitadas da folha que o Pai lhe dá com seu próprio lápis na mão e não me parece a mim O Menino Jesus que o homem tenha que obrigatoriamente viver no desenho herdado que já não funciona bem e vai caindo para o precipício arrastando-o a ele.

E que o paraíso sempre aqui esteve e está, porque reside no coração de cada homem e cada homem habita e impregna o local onde está com seu simples viver, que para o trazer activo, acesso e radiante, basta sua vontade em amor, que o amor que é, esteja sob a vontade do amor e para que o paraíso se espalhe e mais alcance, é necessário que ele acerte sua vontade com a Vontade do Amor, que ele se faça Dele instrumento, conto e canto do amor, como o junco que bailando com o vento faz o som, pois a Vontade, parte Está no homem, outra não.

E que o Pai Criou o Universo e os homens, como Arqueiro Com o Arco das Flechas Felizes Apontadas à Felicidade e Que Este É o Ver, o Ser e Fito do Amor e que um dia a palavra trabalho será pelos homens esquecida e outra se utilizará em seu nome, seu nome, criar e o homem então, só criará.

E que o homem deve garantir que todos os que vivem tenham de comer e que comem.
Que todos tenham abrigo, saúde, educação e possibilidade de criar, pois não há critério nem argumento aceitável para que assim não seja, como Irmãos e parte de um mesmo corpo que são.

E que sendo os homens, homens, não é aceitável que uns possam lidar com a doença e outros não em função dos capitais ou dinheiro que cada um tem ou não tem, ou das condições que um país ou nação onde habita pode reunir, criar e com ele compartilhar.

E que o homem não deve produzir de forma a fazer mal ao seu próprio corpo em toda e qualquer extensão da parte. A natureza do homem é Paixão, é poder viver e Ser essa Paixão, e trabalho, formas e modelos de o fazer e capital parecem não comportar nem dar hoje o espaço necessário à Paixão.

E que não desperdicem e que entendam o desperdício estendido até ao pensar, que cada vez que cada homem ao produzir uma coisa, não aplica nela o melhor que dela sabe e do que ele sabe, resulta um acréscimo de desperdício, que lhe trás muitos problemas de reciclagem e de impacto noutros locais de seu corpo, nos órgãos, veias e tecidos do mesmo uno corpo que cada um é porque por ele é participado e nele participa e que se vazar o lixo no espaço, as futuras naves poderão vir a ter mais acidentes e as estrelas começarem a ter infecções.

E se o homem tem hoje saber e tecnologia para fabricar por exemplo carros que durem vinte anos, porque razões os fabrica para durarem menos e porque os homens os trocam em média de três a cinco anos, pois pode o homem fazê-los para durar mais e ir incorporando as novas descobertas e os novos desenhos desde que preveja essas mesmas necessidades em suas novas formas modulares de o construir.

Sim meu Pai, lhes direi isto tudo e outras que surgirem e me aninho de novo no colo do coração da terra e vou pôr agora e por esta hora, um ponto no ponto deste aprender.

E com tudo isto que o Pai Dispôs tu fazes nascer a chuva de prata que ilumina os corações dos homens através dos seus sonhos, como todos os homens que O conhecem.

E a regra dos vinte é uma regra de contagem que serve para estruturar o ver, uma espécie de cubo com vinte faces que correspondem ao que normalmente se consegue ver como distinto numa realidade múltipla que a todas elas integra e é, porque as transporta em si.

Nasce do numero dos dedos que o homem tem nas mais das vezes, sendo que uma das suas funções é permitir tocar e ver é também de certa forma tocar e que quando um problema tronco de arvore começa de repente a parecer ter mais de vinte ramos, é então melhor repousar a vista, afastar-se um bocadinho e começar com mais cuidado a ver, porque em vez de uma arvore devem ser duas.

É preciso manter a realidade simples, é preciso lavá-la de toda a sujidade, de todas as imagens fantasmas que pelo passar dos dias a ela se colam e como os limos escondem dos olhos as escorregadias pedras, é preciso passar uma esponja com água de rosas do amor florido e dar-lhes de novo brilho, encontrar de novo a ponta antiga da corda, da trança e do traçar florido.

Um belo homem do belo Portugal, dizia no outro dia que tinha dinheiro para aplicar na resolução dos problemas mas que não tinha condições correctas para o fazer e que por isso ainda não tinha conseguido gastar o que lhe deram, a ilustrar um mesma recorrente enunciação que urge terminar, fazendo fluir as aguas por se pensar o mar inteiro primeiro inteiro, que é a de ter os meios e não as condições e que quanto mais tarde se efectiva o que os meios permitem, menos vidas se salvam e assim esse homem deve ser ajudado e a prudência é amiga da raposa que conhece as ratoeiras e as armadilhas e não gosta muito de precipitações e vê bem de cima o todo nos olhos da águia.

Recorda-lhes pai, que o amor que é o fio que trás ligado o que sempre está e é ligado habita também nos interstícios e interstícios quer também dizer espaços livres para passar e ser nos intervalos do que é mais denso sem com ele chocar.

Recorda-lhes que os seus governos estão pela velocidade, cadência e pelo monstro da complexidade que criaram e deixam em camadas ajuntar, confinados a serem bombeiros, e ainda bem que os há, eu os louvo a todos em sua dedicação e coragem, e que só podendo ser bombeiros, os homens que hoje não se encontram nas organizações que constituem o sistema de governar, poderão numa paralela do mesmo espaço mesmo tempo, avançar com muito maior retaguarda e assim obter um futuro mais distante, uma coexistência entre as formas do que está estruturado na forma como o conhecemos e o que sempre está estruturado e que está entre o estruturado, e que estrutura a seu lado, como dois que se ajudam a plantar um mesmo campo.

E os meninos quando não assustados pelos ruídos que seus pais fazem e vã com os seus corações felizes e acertados na hora, compasso e melodia das brisas do amor, leves são e atravessam como levitando todos os permeios, todos os entrementes de todas as ilusões de todos os impossíveis.

E conhecem da liberdade o sabor do vento e a cálida maré que banha os pés em plácidos lagos, chilreiam e sabem por sabor que o universo é infinito é que assim haverá sempre espaço para tudo o que existe, porque tudo o que existe tem uma razão para existir como existe e tudo é vida, todas as partes de um mesmo tem o mesmo valor.

Diz-lhes pai que, Eu o Menino Jesus, Fado os Homens para hoje criar o Fundo Universal do Fim da Miséria, para irem até ao fundo da miséria toda nas suas aparentes mil faces da continua ilusão que é assim, sempre foi e será, que tanto assustam e trazem os seres assustados e que façam dela história que mais não se repita.

Que cada grupo nomeie um homem de outro grupo e o apresente pelas suas qualificações do coração, que os homens escolhidos para estas tarefas mais apreciados devem pelas virtudes praticadas do que pelos diplomas que trazem e devem ser homens variados, viajantes e viajados, que tenham praticados actos de bem nessas terras distantes ou próximas.

Que homens para tarefas destas devem ser escolhidos pela Paixão que neles se vê e se vê à volta de seus passos, da sua luz radiante que contagia e fala o certo e semeia o bem feito e o multiplica como seara de pão mil.

E que sendo reis deverão seus irmãos abrir-lhes todas as portas e deixa-los sempre em paz passar em seu averiguar, em seu ver e fazer, que para eles não existam fronteiras nem passaportes porque todas as nações lhe chamarão de filhos.

E que dar, dá-se pelas mãos e que quando duas se encontram, encontraram-se no mínimo duas partes do coração, uma parte visível, as mãos que se vem, se apertam, se dão, outra invisível no mesmo acto de dar, a vontade do amor, e que assim será de interesse pôr a luz da maior transparência sobre os actos e que assim se leva o saber e o aprender aos outros que nas vezes se encontram distantes.

Que se religue o sempre ligado, que cada acto seja por todos o que o suportam no instante acedido, que as redes são sempre feitas à medida e por medida da vontade da mão humana.

Que se convidem os jovens videastas do mundo para acompanharem os actos, assim os conhecerão outros homens à distância e os poderão avaliar e a partir daí contribuir para os ir melhorando, na limitação do ver à distância.

Que o Fundo Universal do Fim da Pobreza pode ser um, ou o da rua onde moro, pois todas as ruas existem e fazem parte do mundo e os homens e suas necessidades, umas mesmas, independentemente do tamanho do local e do tipo das ruas onde vivem, quando as tem.

Vai meu pai e diz a Portugal, recorda a seus homens, que outras Gentes que cá outrora viveram como os Judeus e Árabes, podiam ser por nós Convidados em gesto final de apaziguamento de velhas contas e alguns maus-tratos e recorda-lhes que quando eles entre nós habitavam em maior número, todas as coisas mais floriam, como floresce mais o Belo quando o distinto se encontra e dele se faz e se o trás como amigo, e a invenção inventiva aparece.

Recorda-lhes que as terras de Portugal e a vida no seu todo estão a diminuir e que é melhor pensar num plano de repovoamento assente em três traves, uma nova relação com a terra e tudo o que a ela diz respeito, uma nova ideia e forma de viver e produzir e uma desconcentração de pessoas dos apinhados e impossíveis de viver que se tornaram as cidades e os grandes centros e que o articular destas questões deve ser perspectivado em tempo largo e de forma integrada de maneira que se harmonizem no todo, sem fazer colidir as partes.

Quando Portugal Sabe que há fome na casa de suas Gentes o que Faz porque Assim o Obriga o Coração a Que Ele É Fiel?

Providencia o pão e organiza melhor seu fazer, do mesmo modo que quando Portugal Sabe que Falta Comida no Mundo seu Agir É de mais produzir para alimentar seus Irmãos, ajudando-os a aprender a alimentar-se e concretizando as coisas na única perspectiva que faz a diferença, que é pôr a mão na massa, na prática, no que convenciona chamar de real, que é lá que os problemas habitam.

E assim Portugal deve Arvorar e pôr nos encontros e concertos com seus parceiros nos níveis e estruturas que existem, ou naquelas que sejam necessárias vir a concretizar, para que Portugal possa aliviar o fardo da sua dor e da dor do Mundo, cumprindo seu desígnio, sendo feliz na bondade do amor que fez e faz o bem feito, que ninguém cá dorme bem nem se levanta melhor enquanto andar assim tanto a vida e o viver.

Portugal deve dizer às nações que tem que se organizar para produzir e distribuir o necessário, que é o que falta e vai faltando a muitos no mesmo Uno. Que é Assim que Portugal o Vê.

Recorda-te Portugal de manter e simplificar a vida, de olear as dobradiças, fechar as frinchas e plantar as sementes no ontem do hoje para o amanhã.

Recorda-te, que como todos os seres e as coisas, teu corpo não finda onde a terra finda, e o mesmo não acontece a qualquer outra nação, pois nações são espírito e matéria em múltiplas combinações que atravessam o tempo do sem tempo e tudo o que foram, são e virão a ser, transportam, desde o mais pequenino átomo até ao maior defeito ou maior feito, e que tudo o funda e concorre e ele é.

Recorda-te que as nações assentam no chão da terra, mas seu espírito habita o céu, que os vocábulos são passaportes e chaves para, e das imagens e voam no ar e trazem juntos e para perto, muitos afastados e que um vocábulo é sempre em sua raiz um som do coração, porque sem ele não se conhecem os primeiros, nem se os produzem, e que eles sempre se ouçam, que Portugal mora ao pé do grande mar, a Ele o ouve, por Ele cuida e vela.

E que as nações como tudo que o homem imagina e nas vezes faz, é feito à medida do que de si vê e conhece à sua própria imagem, e que se vires bem ao pertinho, cada homem é uma nação completa, uma estrela, um cosmo, um universo, pois dentro dele habitam noutra simultânea escala as mesmas coisas, os mesmo modos de ver, de ser e de funcionar, e que assim sendo, um dia os homens entenderão cada um deles como uma nação e esse dia que é amanhã o trazemos para perto fazendo-o no hoje onde estamos.

E que sendo cada homem uma nação completa, a destruição de um à mão de um outro deverá ser vista como aquilo que ela sempre verdadeiramente é, um genocídio, se pensarmos que se o homem é inteiro e que é feito pelas partes e que muitas delas são essenciais para que ele viva e que quando ele se vai de seu corpo, muitas outras partes sempre se vão e as partes e o todo tem a mesma importância que advêm do facto de umas não poderem viver sem as outras.

Poderá o homem considerar-se em justa medida mais importante que o átomo que se lhe falta não lhe permite nem ser em corpo.

Portugal mantém-te simples, pensa no corpo do pequenino homem quando organizares a casa, pois é lá que ele habita, pensa Portugal como um ser, vê quais as suas necessidades, o que está mal e compõem na medida, pela medida e à medida correcta de seu corpo.

Começa pelo mais urgente, a fome, depois a saúde, depois o educar, o produzir fazer e depois a justiça, isto no plano dos homens.

E Portugal que habita em todos os corações, em todo o espírito que é pedaço da mesma alma e corpo do Divino Deus, tem assim todos os tamanhos, todas formas e feitios e transporta todas as cores.

Que se faça e execute um plano para acabar com a fome dos mais de duzentos mil que no dia de hoje tem fome e que no dia de amanhã também terão se entretanto não for resolvido

Que seja definida uma verba para as três alimentações diárias por alma e que se faça nos locais as redes e os acordos para o fabrico e alimentação dessas Gentes que necessitam e às quais não podemos fechar os olhos do mesmo coração igual que dentro de cada um bate e deve sempre bater por seu natural tempo, ou inferior quando nos descuidamos e vamos menos bem do que deveríamos ir para o bem de tudo e de todos.

Que não se faça isto à rédea curta ou a vista fechada e que se aproveite esta ocasião e se faça dela uma festa que traga e convide outros instrumentos, que a banda se forme e faça grande e o chinfrim da alegria do bem feito, maior.

Que se dê um banho de vida real, que se leve os estudantes, os educadores e os investigadores a conhecer o país para além das imagens da tv. Que se faça um levantamento das necessidades por local, local a local, que se olhe com olhos de ver e de saber, como é que se constrói o que falta, que se imagine o que se pode fazer com o que já há feito, que se imagine o propósito e que em conjunto estas disciplinas e saberes se cruzadas pelo seu cruzar façam o belo ponto em cruz que remenda o buraco do mal feito, que todos aprendem no andar, que o caminho se faz a caminhar, e que os jovens são a energia mais forte, mais radiante, mais pura, mais limpa e que trazem dentro de si como todas as outras idades as sementes do imaginar, da renovação e do renascer, num pais em que o leme, demais, demora na transição entre as gerações do que é de sua própria conveniência.

Que para conhecer a terra tem que nela se assentar os pés nus e que conhecer a ela, é melhor conhecer-se a ela e a si, que melhor conhecendo-se, mais belo o belo se torna, e que o ensino em Portugal sempre pecou por excesso de teoria e falha de prática e que a receita e sua prova, prova que não é o melhor caminho, aquele por onde tem vindo a segunda republica.

E que não se demore mais de três meses a resolve-lo porque não parece ser necessário mais tempo e ainda há muitas outras coisas para cuidar e relembra os homens que as verbas infra estruturais devem ser aplicada nas infra estruturas que estruturam a própria possibilidade da vida e do viver e que é por aí e sempre a isto atendendo que se deve começar e a contar as contas, e que a sabedoria viaja mais rápido que o comboio rápido mesmo sem se mover.

Recorda-lhes que Portugal necessita de Gentes, de Mãos, de Vontade para Viver e Concretizar Seu Grande Amor Universal e seu coração vai chorando ao ver todas as misérias, e assim vão os de suas Gentes.

Recorda-lhes que Portugal é o Porto do Santo Graal, que aqui Vive a Taça e o Sangue de meu Pai no Meu e que seu Fito É do Cuidar e que Portugal É o Tudo Sendo o Nada, que Portugal sou eu como tu que o trazes em teu coração, Portugal É sua Terra, Suas Gentes desde sempre e até o sempre que for necessário para que no Mundo se faça o Paraíso.

Que é preciso pensar uma ideia de acolhimento em função e estruturado numa visão de desenvolvimento e que há muito Meninos a precisarem de adopção e que tal tem que ser feito em tempo curto e que os homens ainda nem harmonizaram as leis entre eles sobre estas matérias na medida justa em que necessitam de o ser, para que o problema também se possa resolver, ultrapassando a barreira desta realidade.

Que se mudem as leis dos homens permitindo a adopção por todos os que querem adoptar e apresentam condições mínimas para tal, que tenham sítios para morar e a disponibilidade para o educar e o dinheiro bastante e não esquecendo que onde come um, dá sempre para dois e independentemente de estarem sozinhos ou acompanhados sem julgar da forma como se acompanham, pois todos são pais e filhos, e os meninos do mundo, são-no agora neste momento em que cá estamos, e que é agora e aqui, que o inaceitável tem que ser arrumado e de vez resolvido, porque os meninos não são meninos sempre, nem são os filhos feitos para viverem sem os pais ou a seu lado que os cuidem.

Recorda-lhes da importância de ordenar e manter a terra viva para que se possa alimentar, da agua que somos e que é necessário cuidar e não se esqueçam que os rios de Portugal aqui não nascem e como as nações em seu nível mais profundo, etéreo e elevado não tem fronteiras e que a agua vem e está em todo o lado e a todo lado deve chegar em grau de pureza bastante aos seres que tem sede, e que para isso é preciso ir cuidar dos campos em redor das nascentes e dos cursos.

Inspira-os para rever toda a produção e ideia de desenvolvimento que traga elevados custos a estes seus irmãos e suas, parte, que não façam mais nenhum mal a seu próprio corpo, que cuidem dele que se apresenta como eles sujo e sofredor sofrido de doenças várias.

E diz-lhes que Portugal pode produzir em qualquer lugar do mundo de mãos dadas com muitos e desta forma obterem largos mútuos benefícios que se devem estendem a todos, da mesma forma que o campo inteiro se torna mais forte quanto são em maior numero melhor cuidadas as espigas saudáveis pois Portugal sabe que o Mundo É Uno e que toda as espigas estão ligadas pela mesma terra que as sustêm e o mesmo céu que as abriga e que a mão do Jardineiro as cuida e assim também as devem cuidar as mãos dos homens.

Recorda-lhes para governarem na terra, no chão, no meio da realidade que se passa na altura dos homens ao sol e à chuva e a caminhar, que conhecem e conheçam a real realidade verdadeira sem truques de óptica ou ilusões de ilusionismo, que a inovação está sempre ao perto, nos homens e entre eles, que se encontra mais facilmente se procurar escutando o perto, que é com a massa que existe, que se faz o pão, e que burro é o padeiro que faz um pão menor do que pode em tempo de necessidade, por desperdiço ou falha ciência.

E Fada-os para Voarem Alto no Mais Alto e Luminoso de Seu Ser, que Todos os Homens são governantes porque antes de qualquer forma de se relacionarem, antes de qualquer estrutura que entre eles faça a ponte ou feche a porta, se governam a si mesmo, ou assim o deverão fazer, pois é essa sua natureza e seu Fito.

E Fada-lhes Que a Sabedoria que Sabe e É Sabida, se desperte em cada um, que cada um veja a sua própria Luz e a acenda, pois Portugal está com um particular problema de autoridade, pois é muito o que não se encontra a bem funcionar pelo deixa andar e que para parar o deixa andar é preciso exercer autoridade que assenta sempre em sua mãe sabedoria.

E Fada-lhes os olhos bem abertos para a Imaginar e para o pensar e para o Meditar, para o Inovar e Renovar que está em todos e que aqui muito se expressa e que não continuem a fechar os olhos ao que de bem se inventa nem o impossibilitem por razões de engrenagem ou ainda por piores vias dos que põem pauzinhos nas rodas e no rodar dos outros, movidos a pura inveja.

Lembra o Menino, que o Menino é feito Imperador pelo Pai, que é coroado pela sua bondade e seu imaginar e coloca-o no centro do jardim no meio da fonte e no prumo dos dias e tudo à volta tenderá por este mais forte principio a bem se organizar

Pois filhos são multiplicações da vida e a vida cuida da vida e quando assim bem faz, melhor medra e cresce a vida e tudo fica mais belo.

E os meninos querem tempo com seus pais, seus pais querem mais tempo com os meninos, que se corte a semana ao meio, dando liberdade aos meninos em todas as escolas como fazem outros povos e que se crie liberdade para os pais terem esse dia com eles, que se adapte a produção e as metas do rendimento a soluções reais que modifiquem a forma de uns com os outros viverem e que lhes proporcione mais tempo juntos e livre.

E que reparem, como num dia de folga as Gentes andam mais descontraídas nas cidades, como a vida se torna mais alegre como ela é em sua própria natureza e pensem os prós e os contras em termos de harmonia global, do tempo real e necessário para efectivamente poder cuidar acompanhando os meninos e que acompanhar requer o tempo de estar.

Não é o filho o fruto e a flor e tábua do multiplicar e multiplicador do amor?

E qual o local da flor e do fruto senão no centro da agua na quente terra junto ao sol deitado no amor da lua no céu.

Ou os porás nos desertos das orlas?

Coloca-o aí, a semente e obra do jardineiro, o filho no centro do jardim, rodeia-o e nutre-o com amor e tudo mas tudo mudará e em cascata florida nascerão as mais belas notas de harmonia, os mais suaves perfumes, as mais inspiradas e delicadas e voadoras obras.

Pois não tem o filho força para manter juntos os pais, se um ou os dois, diferente o quiser, não tem o filho enquanto menino maior vontade que os pais.

E haverá diferença entre a vontade de uns e de outros? Escutai seu dizer, escutai seu ser, escutai sua simples pequena e grande cristalina vontade, escutai a luminosa simples verdade, respeitai seu ver, escutai seus anseios, escutai suas vontades.

E pensa até onde estendes a força da tua vontade sobre o que está dependente e é mais pequeno, mais frágil e forte, cuja natureza é estar dependente, o que é amado, o amor, seu espelho que espelha, dávidas do céu, da terra e da vida.

E até onde deixas estender a de um outro, por cima ou por baixo, ou ao lado com, e, em vez do ou.

Há espaço para todos, o campo é grande e não se vê seu fim, a lua se pôs, o sol se levantou, cantam em cortejos aéreos os pássaros.
Uns tristes e com o coração rachado, andando vão em busca da metade que os faz inteiro e sempre inteiros são, pois só se acha no fora o que se já se achou no dentro aquietado.

E não são dois que então se fazem quando se encontrarem depois de se buscarem pois só se encontram quando ambos o buscam, ninguém anda a caçar nem dois seres assim entendem desse desporto. Dávida, entrega, encontro e verdade são seus quatro pés que assentam o quadrado no redondo.

Outros falam ainda da queda dos véus da inocência perdida e desvelada à triste negra feia cara da fealdade, que então o amor acabara, que depois do amor vem uma espécie de lucidez crua e amarga, assim vejo sua tradução e traduzir.

Se acabara terá que ser porque nunca começou, que antes da queda do véu
a vida era uma, depois de cair uma outra, que agora é espera da morte, nascem então
estranhas terríveis tenebrosas vontades de possuir tapetes atapetados a alcochoar o corredor sombrio onde decidem começar a viver, mais literais outros dizem mesmo
que já estão mortos, que morreram em vida, correcta sentença que ilustra como uma habita na outra e vice-versa como tudo o que versa, um mesmo verso e todo e amor e tudo e todos estão no amor quanto amor o são.

Tijolos, materiais, aquisição, adquirir, construção, construção.
Material, materiais nas vezes nas horas nos dias na vida inteira duras prisões

Recordam os Pássaros os macacos, lembra-Te do que é ser, ser.
Como vives, para que vives, como almejas viver, hoje uns, amanhã outros e os pilares e as arvores as mesmas.

Poder, poder mandar muito, mandar, eu sou bom, eu sou o maior, eu sei mais, sou infalível, eu sou muito bom, o melhor ser.

Riem-se nas copas os pássaros dos tontos macacos, tontos a todo rodopiar, quando assim vão em grande chinfrineira, bate aqui, bate acolá, outra vez, estatelado no meio do chão.

Dinheiro mais dinheiro, compras e comprar, luxo assoalhada, compulsivo, compulsivo, comboio sempre a andar, ganho pouco, ganho torto, ganho pouco, todo gasto e nenhum restar, passa mete e tira na ranhura, o saldo em praia mar, que o fim do mês chega sempre antes quando chega, para muitos, não chega mesmo e pelo andar do comboio a mais não chegará.

Sim ou sopas, sem sim, sem sopa, sem não. Sopa! Sopa! Agua! e Pão!, grita bico aberto o pássaro irmão, os passarinhos a seus pais.

É um pai, pai em parte ou pai em todo?
A cada um sua chave encontrar, assim sopre o gentil vento a nuvem a afastar


Tenho muito dinheiro, ganho muito, trabalho muito, compito, compito, mato ou morro, morro ou mato, eu ou tu.

Rios de lágrimas correm no bico do pássaro vendo tal chegar e estar a seu outro irmão, apita o apito do coração cansado no sprint que se torna a maratona.

Usa e deita fora, usa e deita fora, curto o usar, lá vai novo comboio a apanhar, viro os olhos fecha o fecho o coração, mais novo, mais belo, mais bem cheiroso, mais bem
vestido, mais bem ornamentado, mais, mais, MAIS, MAÍSSSS.

Um dia a misteriosa asa que bate nos peitos de todos os que tem peito nos levar voando em outros lugares, outros céus, um mesmo em outras formas de ser e nada disso se leva, se usa, por lá passa ou fica.

Apita compota, a pira composta, compita apita, compita, compita, pouca terra em muita terra, muita terra, pouca terra.

O tempo pergunta ao tempo quanto tempo o tempo tem, o tempo responde ao tempo que tem o tempo que o tempo tem e tudo isto acontece sem tempo numa bolha infinita que nem margens tem e na qual o ponto sempre está em lugares distintos.

Ai
Ai
Ai

Que o tempo existe na contagem horizontal e linear dos homens sobre superfícies planas geralmente circulares, ao que, se me vou e não sei onde me vou, nem mesmo sei mesmo ao certo se vou a outro lugar, então deixa-me correr, deixa-me aproveitar ao máximo, deixa ser livre pássaro a voar, deixa ser um constante alegre cantar, voltear em ti minha amada, que tudo é breve e finito. Aleluia, aleluia, cantam no anterior momento os pássaros, choram depois à cegueira pequena que somos.

Vai e vem minha amada, que mesmo que não te recordes ainda das respostas e não saibas onde vais, vem e vai sempre leve luminosa a encantar sorrisos.

Não tenho tempo, não tenho tempo, tic toc, tic toc, soma as horas o cuco a encucar, não tenho tempo para mim, não tenho tempo para ti, não tenho tempo para nós, não tenho tempo para ter filhos, não tenho tempo para os filhos, não tenho tempo, estou a arfar, a arfar, língua de cão que vai caindo, pulga saltando e soltando o pó. Quero tudo e nada, sigo querendo, seguindo querendo, provo, provo, que nada me limita em mim, só preciso a mascara afivelada, ilusão montada neste mundo de ilusão

Sem tempo, o tempo desenha o traço que fecha o circulo e que trás de novo um mesmo diferente momento quanto, quanto o diferente pode ser num mesmo, um mesmo, o mesmo. Quanto quantidade do infinito sem fim, asas a abrir sem nunca parar por não chegar ao fim, porque não tem fim, não O fecha uma porta quanto menos uma janela.


Ah Minha Amada que tudo pode parecer mudar, que tudo parece ser sempre a mudar e a Constante Fixa e Radiante É O Amor. Nascerão rosas ao teu andar, cada vez que estenderes teus braços, hão-de florir em tuas mãos, assim o sussurro ao suave vento irmão. Porque te Amo, Só, pois para assim, Precisa És.

Apressa os passos a vida no fecho da volta, laça, desata e laça o laço, nova chegada, nova partida, no cais os ténues barcos e frágeis marinheiros no mar imenso que grande e aterrador se agita e se agiganta inspirando terror, respingam cristas de dor que ferem muitos e muito.

Minora os estragos, cria o novo, prepara o caminho, constrói as novas estradas, urgem-Te as crias de todas as espécies em desesperos tonalidade várias.

Como vou? Vai alguém a meu lado? Eu sou ninguém. Que vento levo em mim, que vela e mastro me vela, que vela eu velo, sobre que agua sou, que agua bebo, doce mel de abelha, meu amor, eu completo em mim, incompleto à tua ausência.

E se tudo isto e muito mais vai nos corações das Gentes não é do meu que se trata, pois sei disto em parte por saber, outra parte sem saber. No meu coração mora a tristeza de ele não morar todos os dias com o filho e ainda não me habituei a ela, trás parte de mim desassossegada, pois de certa forma um pai é um filho, um filho um pai, é como viver em parte amputado de mim.

Maior é a tristeza de quem pouco o vê, ainda maior é tristeza de quem não o pode ver porque o perdeu.

À minha Mãe, meu Pai, meu Filho e Espírito, eu te rogo que a ferida sare
Que o sol a cure faça secar o campo em dor, que de novo floresça nele inteiro, inteira a
flor, assim à medida justa, to peço, o ordeno à medida da minha vontade da minha arte.

Medem-se os homens que gostam de se medir como homens coisas que não são de homens, gozo da medição, meditosa, meditatosa, meditabunda da adolescência do acne juvenil e do Clerasil.

Homem que não se pode atacar directamente, então como o atacar, qual é seu calcanhar de Aquiles, onde e como iremos apontar e aprontar.

Nas arcadas das colunas o belo edifício, cabeças troféu como troféus, zebras zebradas de azul pelo pescoço aplicadas no alto das paredes que velam os assuntos de espírito dos homens que na casa da cultura da metrópole luminosa sem quase nenhuma luz, assentam por momentos seus arraiais, distraem e cultivam o espírito pela fruição das belas obras de teatro e do canto, já as cabeças mudaram, já tinham sido toiros, um deles com uma misteriosa gaze verde no focinho, como que antecipando um contágio, era um único só no meio de muitos, um estaria infectado, ficara o homem a perguntar-se de tão estranha encenação, quem seria, quem ou o quê figuraria?

Dois belos jovens plenos de vida, vestidos com elegância

Ele está com ela?
A oficial
Sim, a oficial, quer dizer está com ela mas não está com ela, enfim, sabes

Breve fragmento do espelho múltiplo rachado das mil rachas, tendões que sustentam a esquizofrenia dos dias dos corações, que trazem os seres perdidos, confusos, sem nau nem ré, a bater no fundo da mesma anterior questão. A dos cornos e assim se demonstra e faz prova que os cornos afinal não são os cornos, ou os cornos não importam assim tanto.

Cegos aqueles que pensam que as mulheres e os homens tem desejos, vontades e comportamentos assim tão distintos.

Apanhados entre a aparência da regra e a sua negação prática. Porque não exerce-la como seres livres, não necessitam de se esconderem mascarados, baralhando outros, sejam o que sejais e ponto, sem disfarce, quebrando o elo ao julgamento, ao que se pode e não pode fazer em múltiplos convénios alguns nem escritos que regulam as aparências, os pareceres, em detrimento do ser, do ser que ao sendo sempre aparece,e parece pois tem em si sempre uma face visível, outra oculta. Já está oculta uma parte, não é necessário ocultá-la mais, sob risco de nem mais te veres mais.

Ah não pode ser, ouvem-se vozes ao fundo, se cada um fizesse e fosse o que era, a sociedade seria num ápice atraída para um buraco negro, tudo se desfazia ao instante. Achas mesmo que já não estamos aí?

Escada e porta fechada ao amor, tanto se fala dele, tanto se o retrata, em parte se compra, em parte se vende, assim se vê no ir, tanto serve para vender ou comprar, tudo e todos tem um preço, assim se houve muito dizer.

Regras no amor, regras na paixão, como é tal possível se a paixão é uma força que na aparência faz tremer qualquer regra, pô-la de pernas para o ar.

Sim, é possível existir sempre regra, existe sempre uma regra que não treme que habita dentro de cada um, as regras internas de cada um, aquelas que nascem e vivem no coração, a regras de não fazer mal a si mesmo, a um outro, de ter o consentimento do outro, de ser leal a si mesmo e por consequência ao outro, porque tem a inteligência de saber que só se pode amar em lealdade e que se não a trazemos dentro de nós, como a poderemos estabelecer com um outro?

Nó no caminho das varedas escuras, bifurcação que nas vezes desce nas estradas quando dois seres se encontram e se decidem partilhar, vou em verdade, em mentira ou assim assim em coisa nenhuma, ao sabor de um vento numa vela que não tem o mastro.

Verdade!

Tremenda força, risco que risca o céu, que une atravessando os múltiplos planos, verdade, vida, vida cuidar, verdade cuida, cuidar é também proteger.

Verdade
Me
Protege
A
Verdade
Protege
A
Verdade
É
Protecção

Verdade manto que me vela o coração meus passos meu andar e tudo poderá ao caminho vir ter ou dar, ele que me acolhe, que me protege, que me ilumina e guia, mesmo nos mais escuros dias, manto, manto, manta, manto que me permite caminhar sobre as aguas revoltosos, que ao estender a mão e o toque cura, verdade, manto, manta, manto sorrir o sorriso.

Que ser leal é ser autentico e leal ao que autenticamente se sente e sabe de si mesmo, que és a cada momento o que és, que não mascaras por opção e constância, que podes sempre ser em profundidade o que és perante um outro e que se não o fores, ou ao sê-lo, perderes de alguma forma a tua liberdade, teu tamanho, teu comprimento, teu tom e tua cor, deverás então perguntar-te se é amor o que se vive, pois amor dá e opta sempre por liberdade, amor não prende, amor dá liberdade que se traduz na maior segurança que se funda na certeza, que se está é porque assim o deseja, visto que está sempre livre de partir, coisa que acontece sempre a todos os seres num momento ou noutro aqui em corpo, não tenhais pois a pretensão de prender o que não se pode por natureza prender, amor voa e faz voar, dá-se e acompanha o voo debaixo da grande asa que o faz.

Tu, sim tu aí que vais nesta via, desafia-te a prova e prova que podes ser assim genuíno, autentico, sincero, leal e ter múltiplas relações de amor ao mesmo tempo, experimenta, vais ver que sim, que é possível, podes ser igual sem andar mascarado a aldrabar, pois nessas vezes as mascaras mascaram a mentira que te amputa em ti parte, pequenino, ter que mentir para ser, pobre alma pequena te tornaste.

Aceitaste ser pequeno, fazer-te pequeno face a palavras como sociedade, costumes aceites, papeis, o que outros te dizem poder ou não fazer, onde está tua liberdade, onde estás tu como homem projecto, onde estás tu folha em branco e nada disto pela enésima vez o escrevo contradita o respeito e a possibilidade da convivência, mais o seu contrário, mais a facilita, melhor a promove, insisto.

Múltiplas relações de amor ao mesmo tempo, que dizes?

Digo-te, porventura terás a presunção, a arrogância e água benta de querer reduzir a imensidão do amor à concha da tua mão?

E sendo eu, tu e um outro, seres múltiplos, poderão ser de outra forma os fios que o amor, que nos cria e nos enleia, é. Não são os elos múltiplos cruzados e cruzamentos.

Ah amada, eu amo tudo, amo as nuvens e as flores, amo as gentes e os seres, amo e apaixono-me todos os dias pela vida em suas infinitas expressões e é quando assim vou em meus passos que me sinto vivo, que me sinto pleno e planante em brisa quente e doce até teu aterrar, mas não colho o que amo, não corto nem prendo nem meto no bolso pois fora do livre sol e da livre lua, sempre fenece.

O amor não se colhe, não se prende, acha-se quando se dá num mesmo receber.
Proporção justa das partes que se equilibram e equilibram.

Ah amada, eu sou homem de uma mulher, quando sei quem ela é, quando a encontro, quando nos encontramos, pois sei do jardim, da jardinagem e da arte que faz nascer a mais bela rosa entre nós, aquela que somos.

Aí vão, fragmentados. Olha minha amada, vês aquele ali, observa como vai meio dissolvido e parecendo inteiro como nós ao olhar, mas se vires com atenção não é constituído como um todo, parece em peças separadas, mexe seu braço e a mão acompanha-o como se fosse movida por um elástico frouxo, balofo sem vontade profunda de nada.

Ah amada que não se encontram porque não se podem mais encontrar, fazem o portão do jardim fechar e esqueceram a chave nua e faiscante. Solidões acompanhadas, solidões mal acompanhadas, solidões de cada um, que se juntam e dão porque só podem dar, mais solidão, pois para amar é preciso estar inteiro.

Eu a bela serpente cheia dos poderes de encanto e encantados dos homens e em suas seduções directas à carne, assim pensam senhoras e senhores predadores, predadoras ou predadados e predadadas, um toque de encanto e charme quanto baste, perfume de inebriar, um verso, que eu tenho um coração poético que almeja versos, diz-me tu que és poeta, escreve o teu amor a mim em teus versos, eu por ti, tu por mim, tudo perfeito, eras tu a parte que me falta, vou-te cantar uma canção, para ti faço secretos versos lambidos a língua

Erro cara amiga serpente, a parte que te falta reside em ti, o amor só está entre os que estão na completa nudez de si mesmo, se fazem inteiros por noção de todas as partes

Ah amada assenta agora teu olhar no mais rasteiro, vê a maquinaria secreta que prepara assim os campos e a forma de lavoura que trazem os homens assim dessa forma mal entretidos. Vê como se juntam para poderem pagar a meias coisas que não podem pagar sozinhos coisas elementares de que precisam para se abrigar, como casas, vê como não tem tempo para eles, para cada um antes de mais, vê como o clima se incendeia quando nas férias por um tempo anormal se encontram de repente face a face com pouco escapatória, ou pensa amada, porque é que é o domingo, o dia preferido dos suicidas.

Vê ainda amada como em muitas vezes os laços que os unem não são os que nascem nos seus próprios corações, vê amada como então nascem os muros e as mascaras, como se dividem em muitos e dividem a vida e por tabela os que com eles caminham a seu lado. Como eros se ausenta por cansaço da imaginação, da vontade, por falta de tempo, por preocupações a mais e de como separam então o insuperável. Este é o meu marido, mas contigo vou para cama, já há muito tempo que não as tenho com ele, deixei de ter prazer, houve-se então dizer e depois ainda contigo faço aquilo que com ele não faço, porque não consigo fazer, porque não o soube ou sei fazer, porque tu és para mim a pimenta e ele o insonso, culpas avaliadas de forma sádica, faz-me sofrer, contigo meu amante expio os meus pecados, com meu marido não que nunca fiz o espaço para isso, como me poderia despir e com ele viver nua?

Observa amada como hoje se tornou normal, ter mais de que um amado e de como anormal e sinonimo de quase doença ou anormalidade se tornou seu contrário, mas não veio com isto nenhuma sinceridade aos amantes e ao mundo dos amantes acrescida da mesma forma que assim não resta a confiança e a lealdade que relaciona as flores, os jardineiros e o jardim no jardim.

E repara amada, que não resta a confiança e a lealdade, não por que se ame demais, coisa sempre impossível de acontecer mas pelas máscaras, pelos véus que tornam a vida de cada um habitada por muitos do mesmo, onde se fragmentam e vivem num esconde esconde de si e dos outros.

Ah amada, que o amor trás em si como parte integrante inseparável e pedra angular que o funda e o pinta nas mais belas cores na sinceridade entre os que mutuamente se dão a amar. O amor é autêntico, é verdade, verdade de cada um no encontrar, no encontro e no doce encontrado antes verdade primeira de cada um e depois os dois que já nem são dois como Tu bem sabes, amada.

Ah amada que sem o nú e a nudez, não se faz o encontro nem o baloiçar ir onde pode ir, vem, vem amada passear de mão dada pelos campos verdes do campo, vem que a vida é o que se quiser que façamos dela, deita amada em meu colo e escuta, quem outrora te disse o contrário era tolo ou assassínio.

São assassínios que se disfarçam de Gente e trazem consigo invisíveis tesouras com que tentam cortar as asas dos anjos, vem, vem cá, sossega que eu sossego-te, tens meu amor, minha protecção dos céus e da terra, do fogo e do ar, protege-te o meu manto e no céu escuta o pronto ritinir das espadas dos anjos que em horda velam pelos meus olhos em ti prontos como cavalos que deterão qualquer dos assassínios que ousem, pobres tolos cegos que não sabem da dimensão e da Força do Amor, do Amado, do Amor Amado e os Anjos como Tu São Sempre Protegidos pelo Amor e a vida cria, cuida e modifica.

Ah amada quanto mais nua e nudez, eu e tu, mais livres no respeito inteiro de cada um e da parte que não é só nós, ou a soma de nós, suma do sumo, e tu já sabes isto dentro de ti como eu sei dentro de mim, num mim e num ti que só existe porque ainda não chegaste da tua longa viagem e sabes amada que na pauta da sua musica, não nascem tristes e nefandas ideias de violações das vontades alheias e grandes em parte suficiente somos para fazer-lhes festas nos crânios ermos que nos acompanham numa mesma paisagem mas um pouquinho como se estivessem lá mais ao fundo numa meia dimensão paralela.

Ah amada, nosso amor, nosso encontro a todos nos fará amado, tudo o resto de meia passará a inteira, se dissolverá no ar, dizem antigas letras num amanhecer de fina neblina, daquela que visita os locais antes mesmo dos milagres acontecerem.

Ah amada deixa-te estar que tens comigo a vela e o voto que vela, são tolos ou assassinos os que dizem que tal viver do amor é algo da natureza dos vampiros, que do encontro só nasce o vampirismo de um ou dos dois que assim mutuamente se destroem.

Nós amada fazemo-nos melhores, abrimos as suma asas e voamos ao longe e ao largo de cima do rio que ri com a cidade.

Ah amada que sem autenticidade, sinceridade, sempre se destrói o que une e toda a criação criada um dia rói e faz-se grande a confusão e as dores nas vezes.

Sem ambos que são um mesmo, pois habitam como todas as coisas umas dentro de outras e assim se funda e ancora a lealdade que as flores e diversas arvores gostam entre si de tecer e entrelaçar pois sabem que assim melhor se cuidam à imagem do sol e da lua amada, do mar, da terra e do céu.

São senhoras louras e grandes vindas da Europa profunda do norte, deslizam miniaturas canapés e bebidas de olhos azuis, quando chegam sorriem o franco sorriso, com o visto e recebido tudo se torna por um momento mais agradável ao olhar, mais fácil de suportar.

No salão mil figurantes figuram mil cabelos de medeia, cada um se agita em pequenos silvos ao olhar dos olhares que se fazem de cegos ao que não se quer ver, ou ao qual que não se quer cumprimentar porque não convém ser visto assim nessa intimidade de aperto de mão de circunstância, porque não é do grupo, porque infindável porque, porque, porque, faz o comboio da ilusão montada em cena a fazer parecer que estamos todos vivos mas afinal estamos mortos, lúbricos os olhares do desejo desejando-se num carrossel infinito de desejo, desejo e mais desejo evola-se do chão de mármore, espiralam colunas verdejantes em olhares embuçados, oieeeia, iaaa, aaaii, animal de circo, desajeitado aleijado, andrajoso e nu ao mundo em galeria exposto, vejam-no bem, vejam a decadência em que se tornou, que vos sirva de exemplo, ressoam os mudos pensamentos nas cabeças ocas de quem assim há muito as perdeu, como robots passeiam vazios de alma, mecânicos nos gestos precisos e necessários à representação, a total ausência do sentir, olhares suspensos com segundas intenções que só eles conhecem e se esquecem com inusitada frequência que assim é, desconhecido ao outro e depois espanto, espantam-se nas ausências das respostas, da aparente falta de sua luminosidade na questão oriunda de uma qualquer cinzenta zona de meia treva, vá lá, talvez nem tanto, aqui fica sempre, sempre, sublinho a vida inteira, o beneficio da duvida, eu a ver a alma, vós vendo a alma em mim, e errando-me como de costume a pensar-me ela pois é a mim que vedes.

E é tudo tão simples, ou pode ser, franco e aberto trato ao chegar e menos subtilezas que remetem para papéis e expectativas, tolos os que tentam aprisionar e reduzir os caminhos do amor, da grande folha em branco e do seu modo de acontecer. Ou então o nem trato, nem trato nem acho tratado, nem tratado achado, nem eu nem tu, mas guerra, meu amigo, pelas costas de guerrilha, não, não terás mais que fazer na vida, já te esqueces-te do que ela é, pagaram-te bem, resolveram a materialidade da tua vida em efémera de corpo e copo e meio, oferecerem-te um mulher, conquistas-te uma, pois assim nunca a encontrarás, prisioneiro te tornaste, carcereiro preso ao que prende, preso por dentro, preso por fora, soma preso.

Aqui começa a guerra, aqui começam todas as guerras e todas as guerras vem de um lado pequenino e depois crescem, se vão tornando cada vez maiores até ao seu inevitável fim pois sempre acabam e que sempre revelam ao homem quão estúpido ele é, pois se a paz existe e se faz, porque se faz então tanto a guerra

Trrrrráaaaaa, trrráaaaaa, tráaaaaa, fazem as minúsculas mas que por o serem não deixam também de o ser, metralhadoras como costureirinha em linha de balas dirigidas às costas do que elegem como alvo, nem são empunhadas por homens, mascaras que mascaram as aparentes e vácuas impunidades dos distantes cinza pardos ordenantes.

A sombra sempre em pé volteia desenhando sinusoidais com seus pezinhos pequeninos como se dizem os chineses terem, história antiga de terror que se contava às criancinhas que quando nasciam, os pequeninos chinezinhos ficavam com os pés atados para não crescerem mais.

Pêndulo, pêndulo meu, balança alguém melhor que eu, vai enroscando o sempre em pé uma diáfana fauna, seu poder exala do poder que assenta nos que lhe deram esse poder, vejo caviar por toda a parte. Blurp, blurp, faz peixe gorjão, abre a feia boca e a serpente bífida a atravessa ferindo o ar em sibilinos volteios, cada um, cada um é um ponto de vista, ponto de vista do ponto de vista atravessado por outro ponto de vista que encontrara na rua mais dois e que se apresentava acompanhado, silvam as cabecinhas a dar a dar, para lá e para cá a tentar estontear, olhos salientes, salientes se tornam como hipnotizadores de meia tigela e mangas-de-alpaca.


Fátuos frágeis fagulhas, pequenos sopros a soprar que se pensam tão grande a elaborarem preciosas ementas de venenos subtis, hoje um, outro amanhã, aranhas com cabeça de serpentes que fazem teia que as vai enredar, assim decide e comunica o presidente das formigas, o amigo dos macacos e o leão.

Sabes amada, quando eu e tu inspiramos o amor e amor só a paz se faz e de mesmo modo quando em todos e cada qual não residir nenhum mal nem andar nenhum atrapalhando seus passos, todo o mal que convencionamos chamar de exterior deixará de existir e todos recordarão para sempre esse dia como a manhã perfeita que se fez paz, que assim nasceu, no coração dos homens e no horizonte dos campos.

No aquário peixes tubarões entram e saem, alguns mesmo acompanhados de guardas costas peixes-espadas, volteiam no espaço reunindo seus cardumes em sociedades por quotas anónimas, cumpre regularmente em forma acatada e por atacado os bons preconceitos, as regulares funções, os espúrios resultados, as palmas nas costas e costados, os beija mãos no centro das artes do centro do país, os senhores são galantes e bem vestidos e as senhoras irradiam belezas cuidadosamente elaboradas sobre o que a meu ver, muito pouco necessita de mais.

Ditadura de gosto, palas nas Gentes, que nós é que sabemos, vós não, vós consumis o que nós vos dizemos que é bom, da mesma forma que vos afastamos do que achamos mal, do que não é nosso nem feito pelos nossos, a elite, os justos, os mais certos ou ainda um qualquer mil epitáfio. Nós, os do clube, nós, os críticos que não criticam mas fazem favores e outorgam mutuas protecções, nós os que temos as colunas, a voz e os megafones de todos os tipos.

Nós os que sabemos, nós que suamos nesta carreira, nós que vencemos e temos ordenados certos ao fim do mês a comprovar a bondade dos nossos actos, nós o estatutos, a lei, o juiz, o tribunal, o status e as jovens raparigas que se escorrem para baixo em cega e surda reverência pelo nosso poder, não sabes que é este o poder profano que as atrai?

E em segredo entre nós aqui que ninguém nos ouve, crês mesmo que a cultura que se produz poderia ser deixada nas mãos de cada um e de todos? Imagina o caos que seria, nós a ordem, nos os bons, os justos, os sábios, os puros, os elevados, os iluminados.

E como é óbvio nem todos que frequentam os salões assim vão.

Ah amada, a tua maior beleza, a mais simples beleza, a simples beleza, és tu inteira, não necessitando de nenhum adereço, assim te amo como faz a chuva e a terra o fogo e o ar.

Ah amada, estarás por aqui, senhora amada que me transportas em amor, todo eu te sinto, te ardo e busco por ti senhora e não te reconheço ainda por tua bela face.

Desfile de salamaleques decotes e brilhantinas mesmo quando estão fora de moda como ausentes no hoje, que amanhã lá voltará outra vez, tudo isto é o círculo fechado onde nos movemos porque assim o fazemos, assim deixamos andar, venha de novo a boca-de-sino, o top o eu sei lá do adorno, curvam-se curvadas as vénias do grupo inter pares, grupo que sempre vi um mesmo, mais ou menos um mesmo, que representa a nata da cultura dentro da cultura regulamentada apoiada seleccionada duplamente subsidiada e seleccionante, nas vezes produtiva.

Espalham-se a montante e a jusante de todos os processos, de todos os organismos, de todas as falsas selecções, de todos os beija-mão, de todas as serventias, servem dentro de escalas ordenadas milimetricamente, cada um sabendo do seu lugar na arte que transportam em suas pequenas pastinhas que consideram muito grandes, tão grandes capaz de conter por vezes o intelecto de um pássaro, nunca seu espírito que lhes faltam as asas.

Invisíveis e não declarados formam e trepam em teias mais ou menos obscuras os clubes que segregam os venenos dos entre afastar, suspensos caem então dos feios céus os rótulos, são em vão invocadas as lealdades, se és meu, não podes ser de outro, equações primárias de entendimentos primários de relações de poder com os outros, erros básicos milimétricos que agregados de olho em mão se tornam nas vezes terríveis incêndios. Poderes e vénias, poder e vénia, abuso, subserviência, patrão, escravo, hierarquias e hierarquias, peões sargentos tenentes capitães generais e rei, pois nas vezes há um, um que se arroga o poder real.

As portas vão-se fechando, aparece a ilusão montada a dizer, tu és isto, tu não és isto, para aqui entrares tens que concordar com a, b…. aqui se veste só de azul, ali de negro e por aí fora até a visão do tamanho de cada uma das serpentes cabelo de medeia.

Ah meu Pai, muito grandes se põem por vezes teus filhos e tombados já estão.