domingo, março 12, 2006

A Ive Mendes.

Ah, se ele me beijasse,
Se a sua boca me cobrisse de beijos
Sim, as suas carícias são mais agradáveis
Que o vinho.

A fragrância dos seus perfumes é suave;
O seu nome é como perfume derramado.
Não é à toa que as jovens o amam!

Leve-me com você! Vamos depressa!
Leve-me o rei para os seus aposentos

(Cântico dos Cânticos)



Me leva o tempo sem tempo vindo de muito atrás a Si e assim fui vê-la e ouvi-la.

Como lhe explicar? Cantando pois é sempre da Música Que Se Trata.

Um verso me conduziu, um verso que me fala directo ao centro luminoso de meu coração, um verso que fala de um amor de dois seres que se amam tanto que se sabem eternos no terno amor que o amor é e se buscam sem ainda se terem encontrado.

E um outro verso a versejar pois voam as palavras na Sua Voz como duas asas de um mistério triplo que é uno.

E um Verso que é a Senhora de Uma Beleza Deslumbrante que Se Deslumbrou perante meu olhar pois as Belas Vozes Habitam as Belas Senhoras e os Belos Homens.

E um outro verso que é a pura música que não se vê mas se sente e sendo a Senhora Consigo comigo baila em meu ouvir.

Ah Senhora, que dentro de vós existe um pássaro que habita seu canto e sua Bela Voz sobre e desce e torna a descer num contínuo largo alargado e espantei-me na riqueza de seus Trinados.

Enquanto o rei estava em seus aposentos,
O meu nardo espalhou sua fragrância.
O meu amado é para mim
Como uma pequenina bolsa de mirra que passa a noite entre os meus seios.
O meu amado é para mim
Um ramalhete de flores de hena
das vinhas de En-Gedi.

Como você é linda, minha querida!
Ah, como é linda!
Seus olhos são pombas.

Como você é belo, meu amado!
Ah, como é encantador!
Verdejante é o nosso leito.
De cedro são as vigas da nossa casa,
E de cipreste os caibros do nosso telhado



Ah Senhora que pronunciais pássaro sem acentuação, que engraçado fica, em seus sustenidos aspirados que aspiram nas voltas e volteios me perdi e perdi nas vezes o conto das palavras e fiquei-me a desejar mais me perder, pois foi num desses momentos que me encontrou e assim nos vimos e nos cumprimentamos e uma menina ao lado o viu, secreto aos olhares outros alheios e alheados.

Seus lindos pés delicados arqueados no chão, traziam em seus dedos rosas vermelhas de paixão dançando entre o chão, o mar e a lua e seus belos finos braços e mãos clamavam e a dança acontecia e eu vibrava em seu vibrar.

E na mesa, cinco como estrela acompanhavam o pote doirado do mel onde uma vez seu dedo como criança rápida mergulhou antes do sono das bolinhas de seu Sonho tomar a rédea e a conta e o conto e os morangos mordiscarem em prenúncios de doces casados com doçuras ao lado do que sentado de perna cruzada lia o livro, assim este ultimo vi sem o ver.


Como você é linda, minha querida!
Ah, como é linda!
Seus olhos, por trás do véu, são pombas. Seu cabelo é como um rebanho de cabras
Que vêm descendo do monte Gileade.
Seus dentes são como um
Rebanho de ovelhas recém-tosquiadas que vão subindo do lavadouro.
Cada uma tem o seu par; não há nenhuma sem crias.
Seus lábios são como um fio vermelho;
Sua boca é belíssima.
Suas faces, por trás do véu,
São como as metades de uma romã.
Seu pescoço é como a torre de Davi,
Construída como arsenal.
Nela estão pendurados mil escudos, todos eles escudos de heróicos guerreiros.
Seus dois seios são como filhotes de cervo,
Como filhotes gémeos de uma gazela
que repousam entre os lírios.
Enquanto não raia o dia
E as sombras não fogem,
Irei à montanha da mirra
E à colina do incenso.
Você é toda linda, minha querida;
Em você não há defeito algum.
Venha do Líbano comigo, minha noiva,
Venha do Líbano comigo.

Desça do alto do Amana,
Do topo do Senir, do alto do Hermom,
Das covas dos leões
E das tocas dos leopardos nas montanhas.
Você fez disparar o meu coração,
Minha irmã, minha noiva;
Fez disparar o meu coração
Com um simples olhar,
Com uma simples jóia dos seus colares.
Quão deliciosas são as suas carícias,
Minha irmã, minha noiva!
Suas carícias são mais agradáveis
Que o vinho,
E a fragrância do seu perfume
Supera o de qualquer especiaria!
Os seus lábios gotejam a doçura
Dos favos de mel, minha noiva;
Leite e mel estão debaixo da sua língua. A fragrância das suas vestes
É como a fragrância do Líbano.
Você é um jardim fechado,
Minha irmã, minha noiva;
Você é uma nascente fechada,
Uma fonte selada.
De você brota um pomar de romãs
Com frutos selectos,
Com flores de hena e nardo,
Nardo e açafrão, cálamo e canela




E o piano vazio até depois do primeiro fim sem fim me desvelou de Si nos acordes finais a mestria do tempo em suas subtis variações, a doçura do toque certo em seus distintos pesos e levezas, por outras palavras a Senhora o disse, o tempo rápido passou sem mesmo se dar a passar e assim cai eu na terra do fim, que nunca é fim, pois não lhe vi nem começo, nem meio, nem fim.

E cantou a Lua, e os meninos pobres e as misérias e o certo combate do Amor e vaticinou o futuro de Portugal e do Brasil cheio de Fé e eu vi que O transporta em Si e falou da terrível corrupção e uma mão cheia de coisas certas da Alma e falou de Deus com Deus, olhando o cima, eu a olhar as muralhas que são como torres e o centro do mundo por detrás do ténue véu que tão bela criação se impunha ao olhar.

E falaram as palavras e os versos seus e de Marisa Monte, cantando a história de uma Estrela que rezava o Sol e a Lua e em meu espírito algumas retiniam como pilares que desenhavam e sustinham constelações.

Do ver antes do visto, da reza do amor que protege os irmãos que vão nas vezes rápidos de mais, flor da femina intuição soprou três velas e deu morangos a comer e as bolinhas subiram outra vez no ar. E do Amor que é Eterno e das rupturas com quem nos vai ao lado e nas vezes no colo, e do afastar para de novo se encontrar e contou da decisão de decidir decidido e do casar e de todas as coisas belas do Amor e tudo era prenhe de diálogos sussurrados de Amor que abriam flores.

Ah Senhora, que eu busco minha Amada, que com ela estou casado sem ainda o estar em seu corpo. Sei quem é em seu Coração e Alma e Sentir e Pensar e Saber mas não conheço sua face e em recente dia ao ouvir o verso de que lhe falei, senti uma tristeza súbita no coração, como se o Amor estivesse em risco. Depois passou, pois como pode o Amor estar em risco, só meus olhos cegos às vezes cegos em momentos.

É uma tristeza que paira no tom desse verso, uma semente de dúvida, que por vezes parece sorrateiramente querer nascer, mas que a Certeza do Coração Assim não deixa nem deixará.

Ah Senhora, múltiplos seus sinais, sempre presente na sua ausência e eu que a vi a reconheci sem reconhecer. Depois a noite foi estranha, procurava palavras e não as encontrava e o canto que ouvia era o Amor, Cores, colares e azuis. Contava-me a noite de um canto feminino de quase amor, como se o quase o pudesse ser e fiquei a sentir dentro de mim um certo padrão de espinhos trazidos em mãos alheias que me chega quando a Ela me chego, quando Ela me chega, que nas vezes me entristece. Desta vez foram três desde antes de ontem e eu cego só os vejo depois de estarem em mim cravados, mas não se preocupe que eu mesmo sendo burro aprendo sempre, a ver se por vezes não trago meu peito tanto aberto, coisa impossível, pois é Ele o Sempre Aberto, mas solução haverá quando se desvelar e a beijar, já lhe disse outrora.

Bela Senhora, disse que os homens por vezes necessitam que as mulheres os lembrem que são bons e belos ou que apertam bem parafusos e o mesmo desejam as mulheres, deles, assim o creio e bom e belo é quando dois se tratam bem, mutuamente se apaparicam porque se vem mel e sabendo Senhora que a Senhora Sempre me faz e torna melhor, que a Senhora aviva o meu melhor.


Ah Senhora, Felizardos e Felizes Os Que Trás Em Amor, Em Seu Coração
Felizardo e Feliz Aquele a Quem Seu Coração Se Abrir

Que o Dia Nasceu Quente em Si
Que a Cidade Branca Bem a Acolha
Que o Amor Se Espalhe ao Seu Passar
Que o Vento Sopre sempre em sua Bela feição
Minha Porta que não é Porta sempre aberta para Si
Na forma que entender chegar, ficar ou de novo partir.
Eu em meu secreto lhe sopro o acender das velas que velarão por Si.

Belos os dois Músicos das Cordas.

Fotografei você na minha roleiflex.

Bem-haja Ive Mendes e que o Amor Sempre Lhe Sorria e Seu Canto Encante.


E Agora vou apanhar um pouco de sol numa esplanada a ver o rio onde um dia minha Amada me deixou numa espécie de altar uma vela universal e eu nesse dia cheguei atrasado, andava à procura de uma chave que não tinha ainda recuperado e no meio do trânsito fiquei a ver andar o relógio. Talvez a minha Amada lá esteja antes do Sol com a agua se Deitar.

Ah Amada porque brincas ao esconde esconde?