sexta-feira, agosto 10, 2018

Cabelos longos de verão, I




Cabelos longos de verão, I

Diz-me Lamas neste verão quente de mais uma tua ausência nesta realidade nazi, do escravo negro Antara el –Absi conhecido por simplesmente Antar, que viveu outrora pelos lados da Pérsia, ao ver pela primeira vez Abla depois de ter rasgado um lobo até aos lombos e lhe ter cortado as patas e a cabeça e depois de as ter colocado no seu alforge,

Vi uma jovem branca e seus longos cabelos
Envolveram-me em noite sombria
Tenebrosa é a minha noite feita dessas madeixas negras
Nesta noite esconderei a minha felicidade
Esconderei o meu amor no fundo do meu coração
Até que a sorte me seja favorável
….
Não sei se foi no mesmo dia, talvez depois de por mim passar, se dirigiu a uma daquelas máquinas onde pela ranhura nem da tua rosa nem das lentes dos circulos cúbicos saem umas espécies de papelinhos depois de massajar com os dedinhos o teclado do amor inexistente, depois de agitar a longa crina, eu me dizendo, era capaz de dormir naquele leito, uns metros mais abaixo, numa revista de socialite o rei Filipe olhando de lado como se estivesse vendo o caminhar de frente da jovem e bela égua com face de espantado meio zangado e a rainha Letícia de frente olhando-me também com estanha expressão como quem dizia, voila, mas também de janga, como quem dizia, eu não te tinha dito ou avisado…. Faltando como sempre ou talvez não saber o que de resto, se alguma na tua ausência ou inocência…..
….

Sem comentários: